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"OH MORTE, ONDE ESTÁ TUA VITÓRIA? ONDE ESTÁ, OH MORTE, O TEU AGUILHÃO?"

Jesus Cristo ressurge, com a glória de possuir, não só como Deus, mas também como homem, todo o poder no céu e na terra, sendo todos os anjos e todos os homens seus súditos.
Alegremo-nos, portanto, vendo assim glorificado o nosso Salvador, o nosso Pai e o melhor amigo que possuímos. Alegremo-nos por nós mesmos, pois a ressurreição de Jesus Cristo é para nós um penhor seguro de nossa própria ressurreição e da glória que esperamos possuir um dia lá no céu tanto no corpo como na alma.
Essa esperança dava força aos santos mártires para sofrer com alegria todos os males desta terra e os mais cruéis tormentos dos tiranos.
Mas é preciso persuadir-nos que não gozará com Jesus Cristo quem não quiser sofrer também com Jesus Cristo e nem obterá a coroa quem não combater como deve: "E quem combate na liça não é coroado se não combater legitimamente" (2 Tm 2, 5).
Persuadamo-nos igualmente do que diz o mesmo apóstolo, que todos os sofrimentos desta vida são muito breves e leves em comparação dos bens imensos e eternos que esperamos gozar no paraíso (2 Cr 4,7).
Procuremos, pois, estar sempre na graça de Deus e suplicar-lhe continuamente a perseverança na sua graça; doutra maneira, sem a oração perseverante não obteremos essa perseverança e sem a perseverança não alcançaremos a salvação."

(Santo Afonso Maria de Ligório)

"Se um morreu por todos, todos pois morreram; e Cristo morreu por todos, afim de que aqueles que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles." (2 Cor., 5-14, 15). De modo que todos morreram e estavam mortos nos pecados, sem exceção de nenhum, quer seja nos originais, quer seja nos que incorreram por sua vontade, ignorando ou sabendo e não praticando o que era justo, e por todos os mortos morreu um que estava vivo, isto é, um que não teve espécie alguma de pecado, para que os outros que conseguirem vida pela remissão dos pecados, já não vivam para si, mas para Aquele que morreu por todos os nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação, afim de que, crendo nAquele que justifica ao ímpio, justificados e livres de nossa impiedade, como quem volta da morte à vida, possamos ser do número dos que pertencem à primeira ressurreição das almas, que se dá agora. Porque a esta primeira ressurreição não pertencem senão os que hão de ser bem-aventurados para sempre, e à segunda pertencem tanto os bem-aventurados quanto os infelizes. Esta ressurreição é de misericórdia e a outra é de juízo. Por isso disse o real Profeta: "Celebrarei, Senhor, tua misericórdia e tua justiça".
Dessa justiça prossegue dizendo: "E lhe deu poder para julgar, porque é filho de homem". Aqui nos declara que há de vir julgar na mesma carne em que veio para ser julgado, pois por isso disse: porque é filho de homem; e em seguida acrescenta, a propósito do que tratamos: "Não vos maravilheis disto, porque há de vir a hora na qual todos os que estão na sepultura hão de ouvir a voz do Filho de Deus, e sairão e ressuscitarão os que tiverem feito boas obras, para a ressurreição da vida, e os que as tiverem feito más, para a ressurreição do juízo". Isto é, aquele juízo que pouco antes, como agora, pôs em vez de condenação, dizendo: "O que ouve minha palavra e crê nAquele que Me enviou, tem vida eterna e não virá a juízo, senão que passará da morte à vida". Isto é, alcançando a primeira ressurreição com que no presente se passa da morte à vida, não virá à condenação; como também neste lugar onde diz: "e os que as tiverem feito más, para a ressurreição do juízo", isto é, da condenação.
Ressuscite, pois, na primeira o que não quiser ser condenado na segunda ressurreição, porque há chegado a hora, e é esta em que estamos, quando os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão, isto é, não serão condenados, que é a segunda morte, na qual serão lançados e despenhados depois da segunda ressurreição, que será a dos corpos, os que na primeira, que é das almas, não ressuscitarem.
Virá a hora em que todos os mortos que estiverem nas sepulturas ouvirão Sua voz, e sairão e ressuscitarão. Não diz aqui, como na primeira ressurreição, "e os que ouvirem" viverão, porque nem todos viverão, a saber, com aquela vida, a qual, por ser bem-aventurada, receberá simplesmente o nome de vida; pois, com efeito, sem alguma vida não poderiam ouvir e sair das sepulturas, ressuscitando a carne.
E a razão por que não viverão todos se acha no seguinte: "Sairão, diz, os que houverem feito boas obras para a ressurreição da vida", estes são os que viverão; mas os que as houverem feito más, à ressurreição do juízo, estes são os que não viverão, porque morrerão com a segunda morte. Porque, com efeito, fizeram obras más, pois viveram mal, e viveram mal porque na primeira ressurreição das almas que se dá no presente, não quiseram reviver, ou, havendo revivido, não perseveraram até o fim.
De modo que, como há duas regenerações, uma segundo a Fé, que se consegue na atualidade pelo Batismo; a outra, segundo a carne, a qual se dará por sua incorrupção e imortalidade por meio do grande e final juízo de Deus; assim também há duas ressurreições: uma, a primeira, que se dá agora, e é a das almas, que nos livra de que cheguemos à segunda morte; e a outra, a segunda, que não se dá agora, mas no fim dos séculos, e que não é das almas, mas dos corpos, a qual, por meio do juízo final, a uns destinará à segunda morte, e a outros à vida que não tem morte.

(Santo Agostinho na "Cidade de Deus", livro 20°, capítulo VI)



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