Catolicismo - Acervo
Busca Google dentro do Site:
«
»
<<       Página       >>


29 DE JUNHO — FESTA DE S. PEDRO A devoção a São Pedro não se dirige apenas ao Santo enquanto tal, mas ao Papado, instituído pelo Divino Salvador como coluna e fundamento da verdade e rocha sobre a qual se constrói a única civilização verdadeira, que é a civilização cristã. 29 DE JUNHO — DIA DO PAPA Para cada geração de cristãos, Pedro está vivo na terra, governando a Igreja na pessoa do Papa reinante. Pio XII exerce esta missão providencial em uma época trágica, em que a doçura, a vigilância, a piedade do Sumo Pontífice constituem consolo, enlevo e esperança de todos os fiéis.

CATHEDRA PETRI

D. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D., Bispo de Jacarezinho

UM dos textos da Sagrada Escritura mais cheios de consequências práticas para a sorte da Santa Igreja Católica e para a salvação de nossa alma é aquele em que na penumbra mística da última Ceia o Divino Salvador disse a São Pedro: "Simão, Simão, Satanás pediu licença para joeirar-te como se joeira o trigo. Eu porém orei por ti, e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos" (Lc. 22, 31-32). Texto de tremendo alcance! "Satanás pediu licença de joeirar-te como se joeira o trigo". Esta licença lhe foi dada. Desde aquele momento está Satanás na eira do mundo, a joeirar as almas e os corações católicos, a joeirar Papas, Bispos, Padres e Fiéis.

VEJO ainda os joeiradores de trigo nos eirados da Espanha. Em uma plataforma feita em alguma saliência das montanhas, expostas ao vento dominante, se espalha a messe colorida. Sobre aquele amontoado amarelo de folhas, colmos e espigas, passeiam os bois a trilhar o trigo, separando o grão precioso da palha que o contém. Quando, de tardinha, o vento aperta, homens possantes, de pás ou crivos nas mãos, atiram o trigo ao ar, abanando-o. Uma bandeira de detritos, levada pelo vento, se forma naquela proeminência da colina e vai-se perder nos declives da rocha, cobrindo toda a natureza com uma capa de palhinhas de cascas. O grão sadio e pejado volta ao crivo que o joeira, e uma vez livre das palhas, vai ser guardado nos celeiros, nos sótãos das casas.

* * *

COMO nos eirados do Mediterrâneo, vejo Satanás de pá na mão a joeirar os cristãos. Ele mesmo provoca as lufadas de vento das perseguições, das crises, dos embates das paixões. E sem cansar-se atira o trigo de Cristo ao ar. O vento impiedosamente leva a palha e o grão chocho. O grão cheio e pejado, indefectivelmente, volta ao crivo, até que esteja separada toda a palha.

A sua primeira joeirada apanhou doze corações formados na escola do convívio de Jesus. Joeirou-os à vontade. Durante algum tempo parecia que todos os grãozinhos eram palha. Mas o Coração de Jesus angustiado, rezava pela sua pequena grei. Rezava por um, para que ele não falhasse na sua fé. "Ego autem oravi pro te". Somente um era palha. Bamboleou numa corda do galho da figueira. Os demais aderiram a Pedro e não naufragaram. A oração perseverante e insistente do Salvador confirmou a fé no coração abalado de Simão Pedro. Confirmou-o de tal maneira, que nem ele, nem os seus Sucessores jamais poderão trair a pureza da fé e da doutrina. Esta infalibilidade de ensinamento e indefectibilidade da fé, é o primeiro quinhão do grande dom que Deus concedeu à Cristandade na pessoa de Pedro. Não é o maior aspecto de seu primado. Há o outro aspecto, o do governo das vontades. Mas a prerrogativa de ser a Sé de Pedro indefectível na sua fé, infalível no magistério, constitui o Apóstolo como pedra angular do edifício da Igreja. Aderindo a Pedro aderimos a Cristo e à Sua infalibilidade de Verbo de Deus. Deus assim se torna presente entre nós na infalibilidade de Sua ciência e na fidelidade de Sua verdade.

A debilidade de nossas luzes participa da potência infinita da Inteligência divina, aderindo aos ensinamentos de Pedro. Por mais que Satanás nos joeire nas tentações contra a fé, pelos apetites da inteligência desordenada, pelo brilho enganador dos sofismas, um olhar fiel a Pedro nos recoloca na plena luz da verdade.

A docilidade a seu magistério abre para nossa vida a perspectiva altaneira de uma perpétua infalibilidade naquilo que é mais difícil de se conhecer, nas verdades transcendentes, de que depende a nossa salvação. Sem dúvida eram infalíveis São Paulo e São João, eram infalíveis todos os Apóstolos. Porém a sua infalibilidade os obrigava assim mesmo a conferir o seu "Evangelho" com o de Pedro, porque foi a Pedro que Jesus concedera a supremacia da doutrina.

SÃO PAULO é maior teólogo que São Pedro, mas é menor Mestre. "Tu aliquando conversus confirma fratres tuos"! Não é ele o único a ensinar, mas por ele é que todos os demais Apóstolos sabem que continuam a espalhar a boa doutrina. Não é ele a única fonte de luz, mas é comparando a própria luz com aquela que emana da fé de Pedro, que os demais Apóstolos sabem que ainda são anjos de luz autênticos e não fachos mentirosos e adulterados.

ESTE papel continua a ser exercido pelo Santo Padre o Papa, o de confirmar os Bispos da terra na Pureza de sua fé. Nós os Bispos das Dioceses do mundo, somos mestres na fé. Haverá, entre nós, Prelados cujos conhecimentos teológicos são mais profundos do que o de algum Papa do passado ou do futuro. Haverá entre os Bispos vivos ou mortos varões cuja palavra é ou foi mais eloquente que a palavra de algum Sucessor de São Pedro. Não é necessário que todo Papa seja mais profundo, mais eloquente do que um Santo Agostinho ou um São Boaventura. E no entanto a garantia de que aquela palavra profunda do Santo de Hipona, era ouro puro e verdadeiro e não ouropel, nós a encontramos ao conferirmos o seu "Evangelho" com o dos Sucessores de São Pedro. Como o estilo e os pensamentos de Pascal são mais subtis e mais empolgantes que as toscas decretais dos Papas da idade de ferro!... E no entanto, muitos daqueles subtis brilhantes eram de vidro, e aqueles toscos pedregulhos eram diamantes de alto valor.

Se refletimos sobre o significado deste fato fundamental na Igreja, chegamos á conclusão de que o Papa não é um ser deste mundo. Seu papel de Mestre infalível e indefectível o eleva acima do que é humano. Nenhuma inteligência humana e nenhuma vontade criada pode atribuir-se tais prerrogativas. Desde que nos feriu o pecado original, pelo peso próprio de nossa natureza é justamente nas questões da fé e moral que nossa inteligência mais se engana e nossa vontade mais se desvia. Que benefício imenso termos entre nós um Mestre infalível nas questões essencialmente importantes. Isto não nos dispensa da investigação e da reflexão, mas nos assegura a garantia de que nossos passos e esforços não são desvios inúteis.

A palavra infalível do Papa é a palavra de Cristo, do Bom Pastor. Nela as ovelhas percebem o timbre e os acentos da voz de Cristo. Às almas dóceis e devotadas é fácil acatar, abraçar e seguir esta voz. Sabem e sentem que, ao acatar, ao abraçar e seguir esta voz, acatam, abraçam e seguem a voz do Verbo Divino, da Verdade Substancial.

Se quisermos verificar na história a realização da prece de Cristo, veremos de um lado Pedro, seus Sucessores infalíveis, indefectíveis na defesa da doutrina pura de Jesus Cristo durante dezenove séculos de

(continua)



Advertência

Este texto, reconhecido pelo processo OCR, não passou por revisão e pode conter erros de digitação.
Sua transcrição parcial ou total está autorizada, desde que seja citada a fonte e o texto conferido com o da imagem original.

Agradecemos desde já reportar-nos erros de digitação, através do
Fale conosco


CRÉDITOS
© Copyright 1951 -

Editora Padre Belchior de Pontes Ltda.

Diretor
Paulo Corrêa de Brito Filho

Jornalista Responsável
Nelson Ramos Barreto
Registro na DRT/DF
sob o nº 3116

Administração
Rua Javaés, 681
1° Andar
Bairro Bom Retiro
CEP 01130-010
São Paulo- SP

SAC
(11) 3331 4522
(11) 3331-4790
(11) 2843-9487

Correspondência
Caixa Postal 707
CEP 01031-970
São Paulo-SP

E-mail:
catolicismo@terra.com.br

ISSN 0102-8502

 HOME 
 
TOPO
+ZOOM
-ZOOM
Home Page
HOME
Ir ao texto da matéria
TEXTO