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O Soberano Pontífice, cercado de setecentos Bispos, define o Dogma da Assunção.

A TRADIÇÃO APOSTÓLICA E A ASSUNÇÃO DE MARIA SANTÍSSIMA

D. Geraldo de Proença Sigaud, S.V.D., Bispo de Jacarezinho

A corrupção do mundo pagão obrigou a Igreja a quatro séculos de disciplina do arcano a respeito da devoção mariana

Ao aproximar-se a festa da Assunção da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, que se celebra em 15 de agosto, parece-nos oportuno enunciar em breves conceitos um apanhado teológico desse dogma augusto, cuja proclamação em 1º de Novembro de 1950 ainda enche de alegria nossos corações, e constitui o mais belo florão de gloria do nosso atribulado século.

Estabelecendo o roteiro

A narrativa simples e despretensiosa de S. João Damasceno apanhou os dados da Tradição na forma popular corrente na Síria, e no-la transmitiu em uma página que é de todos conhecida. Pensam alguns que é sobre esta narrativa que se baseia a definição do Dogma, e a indefectível fé que ele proclama. Mas tal suposição é inexata.

Ao examinarmos o curso da tradição da Assunção de Maria Santíssima ao céu, poderíamos partir da unanimidade da fé existente no momento presente, e subir este rio caudaloso através dos dezenove séculos que ele percorreu, para chegarmos a sua fonte, como o explorador das torrentes tropicais que, partindo da foz dos rios no Oceano, os vai subindo até descobrir as suas recônditas cabeceiras. Seria este um procedimento legítimo. Realmente, o grande fato básico é a crença universal da Igreja Católica atual na Assunção da Senhora como artigo de fé. A fundamentação teológica desta fé foi o trabalho que realizaram os teólogos que prepararam a proclamação.

Neste breve apanhado seguiremos o outro roteiro. Procuraremos a fonte e, descendo o seu curso, chegaremos às praias brancas e extensas da fé hodierna, banhadas do sol brilhante da definição infalível.

O fato histórico

As fontes que dizem do fato histórico da morte, ressurreição e assunção da Virgem Maria começam a jorrar abundantemente no século quarto e quinto. Elas tomam então a forma de narrativas, de sermões e de celebrações litúrgicas. O século sexto apresenta uma floração assuncionista semelhante ao despontar das flores na primavera, em terras de clima áspero.

O fato histórico em suas proporções simples e nítidas pode-se reconstruir da maneira seguinte. Alguns anos após a Ascensão do Senhor, estando a maioria dos Apóstolos a trabalhar fora da Palestina, chegou a hora em que o Céu reclamava a presença da Virgem Maria. Jesus, Seu divino Filho, aparecendo, comunicou-Lhe que em breve A viria buscar. Maria revelou a Seu amado hospedeiro e filho de adoção, São João Evangelista, a mensagem que lhe trouxera o Senhor, rogando que chamasse São Pedro, que por perto trabalhava, e São Tiago, Bispo de Jerusalém (em sua visita a Jerusalém, "para ver Pedro", S. Paulo ali encontrou estes três Apóstolos, que ele chama de Colunas da Igreja). Talvez estivessem também presentes outros Apóstolos, mas a narrativa de uma concentração milagrosa de todos eles, trazidos sobre as nuvens, parece eivada demais de traços apócrifos para figurar na relação do fato histórico. Nos braços dos Apóstolos presentes a Virgem Santíssima passou desta vida à melhor.

Em geral admite-se ter a morte ceifado aquela vida preciosa, e esta doutrina é a mais provável. Há, porém, entre os teólogos uma escola não desprezível que contesta o fato da morte da Virgem Santíssima: Maria, segundo esta opinião, teria passado da vida terrena à vida celestial, sem que Sua alma se tivesse separado fisicamente do corpo. À primeira vista tal opinião poderá chocar pessoas que não estão afeitas à teologia. Mas na realidade este transito do estado do tempo para o da eternidade sem a separação física, ou seja, sem a morte, era a forma normal como nós deveríamos terminar o tempo da provação e passar à visão beatifica, se não nos houvesse ferido o Pecado Original.

À luz da Imaculada Conceição, a opinião que nega que a Virgem Maria tenha passado pela morte recebe uma plausibilidade que contrasta com a estranheza a que dá causa, quando a contemplamos isoladamente.

No momento, pois, determinado pela Sabedoria Divina, veio Jesus, o Pai da Gloria, buscar a alma de Sua Mãe querida. Veio, não como Juiz, porque naquele Coração Imaculado

Continua



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