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AS CERIMÔNIAS DA POSSE DE EISENHOWER À LUZ DA DOUTRINA CATÓLICA

Plinio Corrêa de Oliveira

A cerimônia da transmissão das funções presidenciais nos Estados Unidos foi noticiada pela imprensa diária com a maior abundância de pormenores. É natural que assim tenha sido. Excetuado o Sumo Pontificado, que por numerosas e evidentes razões está acima de paralelo com qualquer função terrena, nenhum cargo, nos dias de hoje, confere mais poderes do que o de Presidente dos Estados Unidos. Com efeito, a constituição daquele país atribui ao primeiro magistrado grande soma de atribuições que, em tempo de guerra, podem tomar uma atitude quase ditatorial. Os Estados Unidos estão, no momento presente, em uma tal culminância de força militar e econômica, que toda a vida internacional das cinco partes da terra passa pelas mãos de seu presidente. A conjuntura histórica dramática em que vivemos pode dar importância decisiva, no sentido da guerra ou da paz, a um número incontável de decisões que o Presidente é forçado a tomar a cada momento. Em outros termos, várias vezes por dia o chefe do Estado americano é chamado a decidir os destinos do mundo. É empolgante o ato pelo qual uma criatura humana entra oficialmente no exercício de uma tão terrível soma de poderes. É, pois, perfeitamente natural que todos os pormenores desse ato de uma gravidade sem par, interessem ao mundo inteiro.

O CERIMONIAL, ESPELHO DE UMA ÉPOCA

Precisamente porque os atos graves, quer da vida dos povos, quer dos particulares, interessam em todos os seus pormenores, a ordem natural das coisas pede que tais atos se façam com certos ritos, aparato e formalismo, que devem ser maiores ou menores conforme a sua maior ou menor importância. Em todos os tempos, houve grandes solenidades para efetuar a posse na dignidade de Imperador ou Rei; solenidades menores para a posse de um ministro, ou de um governador de província; menores ainda para as de um prefeito, e assim por diante em escala decrescente. Até para a investidura na mais modesta das funções públicas, mesmo em nossa época de prosaísmo desenfreado, emprega-se um tal ou qual ritual, por ocasião da prestação do compromisso de bem servir.

A tal ponto tudo isto é natural, razoável, normal, que pensamos no Conselheiro Acácio ao repetir estes conceitos. E se o pitoresco personagem de Eça nos ouvisse, acrescentaria logo que a solenidade de uma posse deve obedecer a algumas considerações principais: a) tornar sensível a todos a respeitabilidade intrínseca desse ato; b) manifestar a seriedade de espírito e a lisura de intenções com que o novo dignitário assumirá suas responsabilidades, c) exprimir os sentimentos e os propósitos dos circunstantes em relação ao novo dignitário.

Por isto, o estudo do cerimonial e do protocolo é de inegável importância para o conhecimento dos ambientes e dos estados de espírito sob cuja influência eles se formaram. Pois se queremos conhecer a idéia que os egípcios faziam da dignidade real, o que melhor do que estudar a etiqueta de que se cercava toda a vida do Faraó. O cerimonial aparatoso do nazismo nos revela muito do modo por que a doutrina nacional-socialista e a sensibilidade das massas hitleristas consideravam as funções de führer. E assim por diante.

O conhecimento exato do cerimonial de posse do Presidente dos Estados Unidos nos revela, em consequência, muito do que o americano de hoje pensa das funções de chefe de Estado. Há pois todo um estudo de psicologia coletiva a fazer, no noticiário da posse, que, neste sentido, merece não só ser lido, mas também comentado.

RESUMO DO NOTICIÁRIO

Lembremos antes de tudo o mais essencial do noticiário.

Às 11,30 hs. do dia 20 de janeiro o Presidente Truman deveria deixar definitivamente a Casa Branca, para buscar o General Eisenhower em seu hotel. De fato, porém, o General e sua esposa anteciparam-se ao Sr. Truman, e o foram pegar na Casa Branca, para de lá se dirigirem ao Capitólio. Foi um gesto elegante, uma distinção que o novo Presidente quis fazer ao seu antecessor. Há quatro anos atrás, Truman tomara posse de cartola. Desta vez, porém, tanto ele quanto Eisenhower usavam chapéu de feltro. Truman e Eisenhower, este sério, e aquele sorridente, seguiram para o Capitólio no carro presidencial. Em outro automóvel, viam-se as senhoras Eisenhower e Truman. Vinha depois o restante do cortejo. Durante o trajeto, quatro guardas de chapéus moles, postados nos estribos do automóvel presidencial, o protegiam. À chegada estavam presentes, no Capitólio, os mais altos dignitários civis e militares dos Estados Unidos: todo o Senado, toda a Câmara dos Deputados, os governadores dos quarenta e oito Estados, generais, almirantes, embaixadores, e membros da Corte Suprema. Estes últimos se apresentavam trajando togas negras. As demais personalidades oficiais vestiam roupas de passeio e chapéus moles. Lentamente, todas as pessoas gradas foram ocupando lugar nas tribunas, no recinto, na bancada destinada aos ministros. Notava-se a presença dos membros do gabinete Truman, e do ministério do novo Presidente. Por fim, o General Eisenhower, o Sr. Richard Nixon, eleito para a vice-presidência, e o Sr. Truman se dirigiram para a rotunda, onde se ia realizar a cerimônia do juramento. Os circunstantes aplaudem Eisenhower. A cerimônia chega a seu ponto culminante. O Arcebispo católico de Washington, Mons. Patrick O'Boyle, postado em frente de Eisenhower, recita uma breve oração. Ato contínuo, o senador William Knowland estende a Bíblia ao Sr. Nixon, que presta o juramento de praxe. Em seguida, a artista negra Dorothy Maynor canta o Hino Nacional. A banda dos fuzileiros navais executa "América", a marcha patriótica predileta do General. O rabino Hillel Silver faz então uma prece. Eisenhower, que pela manhã assistira a um ofício solene na igreja nacional presbiteriana, "sério e recolhido fecha os olhos", nos diz um telegrama, enquanto reza o rabino. O Sr. Fred Vinson, presidente da Corte Suprema, estende duas Bíblias, uma chamada a Bíblia Maçônica, sobre a qual prestaram compromisso todos os presidentes norte-americanos desde George Washington, e outra uma Bíblia de bolso sobre a qual há trinta e oito anos Eisenhower prestou em West Point seu juramento de oficial. O General recita a formula: "Eu, Dwight Eisenhower, juro solenemente cumprir com fidelidade minha tarefa de presidente dos Estados Unidos, preservar e defender com todas as minhas forças a Constituição dos Estados Unidos". Vinson disse então: "Que Deus vos ajude". Ao que o General respondeu: "Que Deus me ajude". Está empossado o 34º Presidente dos Estados Unidos. Estrugem aplausos, trocam-se cumprimentos. Eisenhower pede aos presentes que orem por ele. E em seguida dá início à leitura de seu discurso. Terminado este, o bispo da igreja episcopal lança sua bênção. Trocam-se novos cumprimentos.

O cortejo presidencial, composto de cerca de cinqüenta pessoas, dirige-se para a saída. Deixando o Capitólio, o presidente Eisenhower abandonou o carro oficial preto, por uma brilhante Cadillac branca. Atrás da Cadillac vêm os tambores da música militar, em grande uniforme, que fazem tremer as vidraças à sua passagem. Um batalhão de infantaria escolta as bandeiras, os "marechais" da parada ladeiam-nas. São eles o general Spaatz, o almirante Kirk e o general Gerow. Desfilam, a seguir, vinte mil homens e mulheres das diferentes armas e corporações militares. Sessenta e cinco bandas de música marcam o compasso.

Eisenhower mantém-se de pé no carro, durante o trajeto. A seu lado está a

FALTA LEGENDA

(continua)



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