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Ao Dileto Filho Luiz Paulussen, S.J., Diretor do Secretariado Central das Congregações Marianas, Pio PP. XII

Amado Filho,

Saudação e Benção Apostólica.

Todos aqueles que conhecem Nosso pensamento sobre o apostolado hodierno, sabem quanto apreciamos as Congregações Marianas, e como desejamos seu contínuo incremento espiritual. Na Constituição Apostólica "Bis Saeculari" — que é como que a síntese de Nossa vontade (1) a respeito dessa exímia e peculiar forma de Ação Católica (2) — com Nossa autoridade apostólica estabelecemos normas e leis para que "estas escolas de piedade e atuosa vitalidade cristã cada dia mais prosperem e se fortaleçam" (AAS. 40, p. 399 ). Nada de admirar, pois, se recebemos com grande alegria e consolação a notícia de que as Congregações Marianas legitimamente constituídas e agregadas à Prima Primária do Colégio Romano desejavam, para melhor "em todas as coisas se conformar com a Igreja" ( Regra comum 33), fundar uma Federação Mundial, pela qual, atendendo às Nossas contínuas exortações para que se promova sempre maior unidade e mútua colaboração, se possam obter em união com todas as associações do mesmo gênero da Igreja militante, frutos mais abundantes e salutares. Tal Federação, que deve pertencer a toda a Igreja Católica (3), pois que nem em toda a parte há federações "quer da mesma classe, quer da mesma região" ( Regra com. 68), conduzirá a êxito feliz os propósitos de as formar.

Por isso, de muito bom grado aprovamos e recomendamos os Estatutos desta Federação, convidando todas as Federações menores existentes no mundo a aderir a esta Federação universal ( 4 ).

E, uma vez que há o propósito de realizar o primeiro Congresso da Federação Universal em Roma, no próximo ano, no qual se comemora o primeiro centenário da definição do Dogma da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria por Nosso Predecessor Pio IX de feliz memória, e o sexagésimo aniversário de Nossa consagração à Congregação Mariana, desejamos todo o bem a este Congresso, seus propósitos e preparativos.

Para que melhores sejam os frutos desse Congresso, pareceu-Nos oportuno comunicar-vos nesta carta algumas orientações sobre o mesmo.

O argumento proposto para as reuniões, que Nos foi apresentado pelo "Secretariado Central", é sumamente oportuno. Enuncia-se nestas palavras: A maior glória de Deus a procurar-se por maior seleção, maior união à Hierarquia, maior colaboração no apostolado com as demais associações apostólicas (5). Em poucas palavras, de fato, sintetiza-se aqui o que na Constituição Apostólica "Bis Saeculari" foi por Nós exposto. Desejamos que as Congregações tenham aquela Constituição como sua lei primária (6), persuadidas de que serão tanto mais fortes, prósperas e eficientes, quanto mais fielmente se conformarem com as suas prescrições (7) (Alocução de 3 de maio de 1951 ).

A maior seleção é a fonte de toda renovação (8), e por isso deve ser obtida com todo o empenho (9), especialmente onde se tiver debilitado o genuíno espírito (10). Somente devem ser admitidos à consagração definitiva aqueles que queiram e possam, pela observância das Regras comuns, levar uma vida católica mais fervorosa, mais apostólica, mais militante (11). E uma vez que as Congregações foram instituídas "para todas as classes de fiéis" (Regra com. 4 ) e de fato existem em todas elas, da mais alta à mais modesta, a seleção deve fazer-se, sem exceção alguma, em todas as classes (12). Esta seleção, que consiste em procurar um influxo maior dos Evangelhos, segundo o exemplo dos Apóstolos, nem exige necessariamente um pequeno número de associados (13), nem impede que os sodalícios, de maneira conveniente, formem outros grupos mais amplos para os não congregados, especialmente para aqueles que são da mesma condição (14).

Da Nossa Alocução ao Congresso Mundial em que se tratou do apostolado dos leigos, se deduz claramente que a natureza da Ação Católica é tanto mais genuína quanto mais íntima for no apostolado a devida união com a Hierarquia (AAS. 43, p. 789 ). É óbvio, pois, quanto devem refulgir nas Congregações Marianas de leigos as notas próprias da Ação Católica: de fato, tais Congregações, uma vez legitimamente constituídas pela Hierarquia, dependem única e imediatamente desta última em todas as obras de apostolado; e por isso, como já admoestamos, uma vez constituídas devem dizer-se "ipso jure et pleno jure" Ação Católica e serem tidas na mesma ordem com as demais formas de Ação Católica (ASS. 40, p. 402, n. XII) (15). Pela nova Federação Universal as Congregações Marianas não sofrem detrimento algum na sua índole hierárquica: as federações, de fato, não só não debilitam a união com a Hierarquia da Igreja, senão que devem e querem torná-la mais estável, mais forte, sempre mais íntima (16).

A mútua colaboração nas obras com as outras associações apostólicas certamente deve colocar-se entre os fins primários da Federação Universal (17). Por isso, é de desejar-se que o futuro Congresso das Congregações Marianas, prosseguindo fielmente nas gloriosas tradições dos maiores, produza ubérrimos frutos. As Congregações, que não necessitam de nenhuma nova missão, de nenhuma outra associação, para que, sob a direção dos Pastores sagrados, possam exercer o apostolado omnímodo, não já apenas o privado, mas o que a Igreja lhe cometer (AAS. 40, p. 402, n.° XI) (18), procurem ver, tendo em mira a maior glória de Deus, em que circunstâncias seja oportuno enviar seus congregados também para outras associações apostólicas, cujos ofícios possam cumprir sem detrimento espiritual e sem detrimento das obras apostólicas da mesma Congregação (19 ).

Finalmente, é-Nos sumamente grato ver como os congregados, procurando não o seu interesse, mas unicamente a maior glória de Deus e a honra da Beatíssima Virgem ( Reg. com. 43 e 68 ), se mostram insignes no operoso amor para com os Pastores da Igreja (20), na sinceridade com que cooperam em mútuo auxílio com todos os outros, na assídua diligência em procurar, segundo as normas da Igreja, a conservação ou a renovação do espírito e das regras de uma verdadeira Congregação. Exaltamos do fundo da alma esta pureza de intenção para com a causa católica, pois que sabemos perfeitamente que este espírito, particularmente nos nossos tempos, é sumamente necessário para que o apostolado dos leigos, por Nós tão recomendado, obtenha maior eficácia (21 ).

Igualmente é para Nós motivo de consolação e alegria saber que hoje também florescem as Congregações de Sacerdotes e de candidatos ao sacerdócio, as quais, como testemunham documentos de muitos séculos, trabalharam com grande utilidade para a Igreja. Assim, pois, veementemente as recomendamos, uma vez que são grandemente úteis para formar ótimos Sacerdotes, e para preparar e instruir oportunamente os futuros Diretores das próprias Congregações (22 ).

Nem devem passar em silêncio todos aqueles que, atendendo aos Nossos desejos, orientam seus esforços no sentido de que, como de fato convém, entregando-se aos Exercícios Espirituais, extraiam desta fonte limpidíssima a inspiração, as luzes e as possibilidades quer para embeber a vida no espírito evangélico, quer para conduzir as mesmas Congregações segundo as necessidades das circunstâncias atuais (23).

De particular menção julgamos dignos os congregados, a Nós certamente dedicadíssimos, que vivem na "Igreja do silêncio", cujas obras, sacrifícios e preces ocultos só Deus vê e benignamente acolhe. Saibam todos que de qualquer modo sofrem perseguição por causa da justiça, que a cruz que a Providência lhes dá serve sem dúvida não pouco para que os povos oprimidos por tantos males cheguem finalmente à vida, à salvação e a uma renovação cristã (24).

Muita coisa e excelentíssima realizam os congregados — sem estrepito, como convém aos imitadores da Santíssima Virgem — na formação e educação da juventude, na restauração da vida paroquial, familiar e social. Continuem, pois todos a firmar-se nesta via, embora cheia de obstáculos (25). Continuem antes de mais nada a cultuar com atuosíssima piedade a Virgem Maria Mãe de Deus (26), e igualmente a cuidar com zelo da vida interior (27), do genuíno apostolado universal, especialmente consagrado a renovar a sociedade segundo os princípios da caridade e da justiça social (28).

Para que todas estas coisas, sob os auspícios e a inspiração da Bem-aventurada Virgem Maria (AAS. 40, p. 398) (29), surtam efeito, e para que essa Federação Universal e o Congresso do próximo ano produzam ubérrimos frutos de salvação, a ti, dileto Filho, a todos os Diretores de Congregações Marianas, aos congregados e àqueles que aspiram a sê-lo, concedemos com efusão de alma a Bênção Apostólica.

Datado em Roma, junto de S. Pedro, no dia 2 do mês de julho, festa da Visitação da B. V. Maria do ano de 1953, décimo quinto de Nosso Pontificado.

Pius pp. XII



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