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Grande dor e grande esperança no ano da Imaculada Conceição

Cunha Alvarenga

Em reportagem sobre a recente condenação dos Padres-operários, o "Samedi-Soir", de 25 de fevereiro do corrente ano, ao lado de comentários tendenciosos, faz uma afirmativa cujo grande alcance queremos aqui ressaltar: os atos do Clero e dos católicos franceses tomam o valor de exemplo, costumam assumir tal importância que chegam a ultrapassar as fronteiras para influir em todo o mundo, dadas as características do pensamento gaulês. Tanto para o bem, quanto para o mal, a cultura francesa tem o condão especial de exercer uma influência por vezes decisiva em todos os setores da vida religiosa e intelectual.

Assim, por exemplo, o próprio Americanismo, erro originário de nosso Continente, foi condenado por Leão XIII através de suas repercussões em terras de São Luiz.

O episódio recente dos Padres-operários lembra, também, um outro acontecimento de não menos alcance: a condenação do movimento de "Le Sillon" no começo deste século. Pode-se até afirmar que ainda estamos colhendo os frutos daqueles erros igualitários e modernistas.

IDÉIA DESFIGURADA DO DIVINO SALVADOR

Propugnava Marc Sangnier com os seus discípulos a formação de um imenso caravançará, de um extenso get together de "operários vindos de toda a parte, de todas as religiões ou sem religião, com ou sem crenças", para a construção da cidade futura, esquecidos de tudo aquilo que os dividia.

Com isso, advertia o Bem-aventurado Pio X, tais modernistas sociais davam uma idéia desfigurada do Divino Salvador. Certamente Nosso Senhor Jesus Cristo nos amou com um amor imenso, "mas para a realização desta felicidade temporal e eterna Ele impôs, com autoridade soberana, a condição de fazer parte de seu rebanho, de aceitar sua doutrina, de praticar a virtude e de se deixar ensinar e guiar por Pedro e seus Sucessores. Pois se Jesus Cristo foi bom para os transviados e os pecadores, Ele não respeitou suas convicções errôneas, por sinceras que parecessem; amou-os a todos para os instruir, converter e salvar". Tais ensinamentos são eminentemente sociais, "e nos mostram em Nosso Senhor Jesus Cristo outra coisa que não um humanitarismo sem consistência e sem autoridade". Isto foi dito pelos idos de 1910 na Carta Apostólica "Notre Charge Apostolique".

Pois bem, na própria França, vemos recentemente dar-se um acontecimento a que o rabino Roberto Aron empresta o valor de "uma das primeiras manifestações e o esboço de um pluralismo religioso". Diz ele: "Em 5 de fevereiro passado (ano de 1953) realizou-se, num santuário religioso de Paris, uma sessão de confrontação como em nenhuma outra cidade seria possível realizar. A Sinagoga do culto liberal parecia justificar nessa noite a palavra de um dos profetas da tradição espiritual do Ocidente: Minha casa será uma casa de prece para todos os povos. Com efeito, quatro oradores das quatro religiões reveladas sucederam-se para falar de sua fé particular e para evocar uma esperança comum. Havia lá, falando pelo Catolicismo o R. P. Dubarle, professor do Instituto Católico; em nome do Protestantismo, o pastor Marchal, encarregado do curso de Teologia da Faculdade Protestante; em nome dos muçulmanos, o sr. Bammat, presidente do grupo de Estudos Islâmicos; em nome do judaísmo, o signatário destas linhas" ("Uma cidade onde sopra o espírito", in "Diário de S. Paulo" de 16 de abril de. 1953).

PATOLOGIAS PARALELAS

Por causa destes e outros sintomas alarmantes é que também da França nos vem a palavra veemente da senhora Henriette Charasson ("De Teilhard de Chardin à Claudel", na revista "Hommes et Mondes" de dezembro de 1952, pag. 558) a nos convidar a imaginar o que diria um católico morto em 1912, na véspera da condenação do modernismo — exegético e social — se, ressuscitando em nossos dias, se apercebesse de que, durante esses quarenta anos, as posições respectivas de acusadores e de condenados por assim dizer se inverteram. Não que o Magistério romano haja absolutamente voltado atrás, acrescenta, mas é fácil verificar, pelo menos em Franca, que as teses ontem modernistas são grosso modo sustentadas por membros eminentes, senão da Hierarquia, pelo menos da imprensa, do Clero e da intelectualidade católicos. Certos jornais católicos, lembra a articulista, eminentemente representativos, se apresentam como adeptos da luta de classes.

É o caso, diríamos nós, da revista "Esprit", orientada por Dominicanos de Paris e que sustentava em seu número 8, página 292: "Ela (a revista Esprit) é um ideal novo! Fará talvez, de início, com o comunismo, a revolução coletivista, mas essa revolução será uma simples distinção, uma eliminação dos profiteurs. Ela fará, em seguida, a revolução personalista, e essa revolução será a construção

(continua)



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