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SÃO PIO X: A PAZ INTERNA DA IGREJA

Plinio Corrêa de Oliveira

A imprensa quotidiana dos grandes centros publicou tão largos excertos do discurso que o Santo Padre Pio XII pronunciou por ocasião da canonização de S. Pio X, no dia 29 de maio p.p., que nos parece supérfluo reproduzi-lo aqui. Entretanto, um estudo dessa importante alocução nos parece da maior atualidade.

O Sumo Pontífice gloriosamente reinante teve a ventura de exercer altos cargos eclesiásticos sob as vistas do Papa que ele acaba de elevar à honra suprema dos altares. Esta circunstância foi até objeto desta curiosa constatação da parte de Sua Santidade: "Pela primeira vez quiçá na história da Igreja, a canonização formal de um Papa é proclamada por aquele que teve outrora o privilégio de estar a seu serviço na Cúria Romana".

Pio XII esteve pois em condições privilegiadas para conhecer a situação religiosa do mundo ao tempo de S. Pio X, situação esta marcada - como se disse nesta folha em número anterior ( 1 ) - pelo fluxo e refluxo de duas correntes - de amor e de ódio - em relação ao grande Papa. De amor, pela sua piedade angélica, pela sua bondade celestial, por sua atividade incessante em prol das almas. De ódio por sua invencível firmeza contra os erros do tempo, o liberalismo, o laicismo, o cientificismo racionalista principalmente... e contra a quinta coluna modernista que, instalada nos próprios meios católicos, se servia do púlpito, do confessionário, da cátedra, da imprensa religiosa para disseminar veladamente a irreligião.

Pio XII registrou em seu discurso esta oposição do ódio e do amor em torno do Santo. De um lado, "o nome tão caro de Pio X" ainda hoje "suscita, em todos os lugares, pensamentos de celeste bondade, cria impulsos poderosos de fé, de pureza, de piedade eucarística, e ressoa como um testemunho eterno da presença fecunda de Cristo em sua Igreja". De outro lado, esse "campeão ilustre da Igreja" sofreu duros ataques, e na coragem em os suportar por amor à Igreja de Deus se revelou uma das facetas mais belas de sua admirável santidade: "Preocupado unicamente em guardar intacta a herança de Deus para o rebanho que lhe estava confiado, o grande Pontífice não mostrou fraqueza diante de quem quer que seja, e por maior que fosse sua dignidade, ou autoridade, nem hesitações diante das doutrinas sedutoras mas falsas - na Igreja e fora dela - nem qualquer temor de receber ofensas à sua pessoa e à pureza de suas intenções. Teve a consciência clara de lutar pela causa mais santa de Deus e das almas. Literalmente, ele realizou o mandamento das palavras do Senhor ao Apóstolo Pedro: Mas Eu roguei por ti para que tua fé não desfaleça, e tu, confirma-a a teus irmãos".

Tomando posição terrivelmente enérgica contra os erros do Modernismo, e os fautores destes erros, S. Pio X pecou contra a caridade? Muitos o pretenderam. Esta foi mesmo uma das objeções mais essenciais contra a sua canonização. Como pode um Santo ser tão combativo, tão intransigente, tão severo? É a crônica intoxicação de falsa caridade, de que sofrem tantos pensadores e escritores católicos de nossos dias. Intoxicação esta de que por sua vez se contagiam milhares e milhões de leitores ou ouvintes.

S. Pio X amava a França com uma dileção particular. Mas amava-a com amor forte e sobrenatural. Por isto, não hesitou em vibrar alguns de seus golpes mais duros contra certa ala de católicos franceses que levava à garra a pátria de S. Luiz e Sta. Joana d'Arc. Veio daí a condenação de Marc Sangnier, e do "Sillon", movimento exaltadamente demo-cristão por este dirigido. E daí o serem particularmente frequentes na França as objeções contra a canonização de S. Pio X. No próprio ano em que este foi beatificado, morreu Marc Sangnier. Certos círculos católicos daquele país - de modo geral os que ficaram implicados no caso dos Padres-operários - receberam com frieza quase acintosa a beatificação, e fizeram a Marc Sangnier funerais régios. Dir-se-ia que era o enterro de um Santo...

Esta posição contrária à verdade histórica, foi condenada pelo Santo Padre Pio XII em seu discurso: "Pio X revela-se também campeão convicto da Igreja e Santo providencial de nossos tempos na segunda empresa que distingue sua obra e se assemelha, através de episódios por vezes dramáticos, à luta empreendida por um gigante pela defesa de um tesouro inestimável: a unidade interna da Igreja em seu fundamento íntimo, a Fé. Já desde a infância, a Providência divina havia preparado seu eleito em sua humilde família, edificada sobre a autoridade, os bons costumes e a própria fé escrupulosamente vivida. Sem dúvida, qualquer outro Pontífice, em virtude da graça de estado, teria combatido e rejeitado os assaltos destinados a atingir a Igreja em seus fundamentos. É preciso, contudo, reconhecer que a lucidez e a firmeza com que Pio X conduziu a luta vitoriosa contra os erros do Modernismo, atestam em que grau heróico a virtude da fé ardia em seu coração de Santo". E mais adiante: "É a ele, efetivamente, que cabe o mérito de ter preservado a verdade do erro, quer entre os que gozam de toda a sua luz, isto é, os crentes, quer entre os que a procuram sinceramente. Para os outros, sua firmeza no combate ao erro pode ter causado escândalo: na realidade, foi um serviço de uma extrema caridade, prestado por um Santo, como Chefe da Igreja, a toda a humanidade".

"Roma locuta, causa finita". Na canonização está empenhada a infalibilidade papal. Para os verdadeiros católicos, o assunto está encerrado.

Para muitos espíritos timoratos, apontar a existência de erros entre os católicos é fazer obra de desunião. Condenando o Modernismo, Pio X desencadeou contra os fautores deste erro o zelo dos elementos mais vigilantes do mundo intelectual e dos homens de ação católicos.

S. Pio X - supérfluo é dize-lo - não patrocinou calúnias, nem exageros, nem injustiças. Mas exprimiu o reiterado e formal desejo de que os católicos lutassem energicamente contra o modernismo.

Fez ele com isto obra de divisão? Fomentou a desunião? Pelo contrário. É o que proclamou o Santo Padre Pio XII, ao afirmar que S. Pio X lutou como "um gigante pela defesa de um tesouro inestimável: a unidade interna da Igreja em seu fundamento íntimo, a Fé".

Aqui está apontada a chave da questão. A unidade da Igreja se baseia na unidade da Fé. Combater os erros entre católicos não é obra de divisão,

(continua)


A REFORMA AGRÁRIA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

Continua a repercutir intensamente nos círculos intelectuais e políticos do país o magnífico estudo publicado no "Digesto Econômico" de São Paulo pelo Exmo. Revmo. Sr. Dom Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D., DD. Bispo de Jacarezinho, e aceito como seu pensamento coletivo pelo Episcopado da Província Eclesiástica do Paraná. Na sessão do dia 9 de junho p.p., da Câmara dos Deputados, o Sr. Adroaldo Mesquita da Costa, representante do Estado do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, encaminhou à Mesa a seguinte representação, que foi publicada no Diário do Congresso do dia 10 de junho:

"Senhor Presidente — Um dos assuntos, cujo estudo mais tem desafiado a inteligência, argúcia e competência de nossos homens de governo, máxime nos dias que correm, é sem dúvida a Reforma Agrária. Nestor Duarte, Silvio Echenique, Coutinho Cavalcanti, entre muitos outros, nesta legislatura, para não citarmos, em anteriores, Borges Medeiros, Joaquim Osório e tantos outros, trouxeram ao debate da matéria preciosa colaboração.

"No ano findo. D. Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D., preclaro Bispo de Jacarezinho, no Paraná, apresentou à reunião dos Bispos da Província Eclesiástica de Curitiba, substancioso estudo, cuja leitura quero ora fazer desta tribuna, não só para conhecimento dos Senhores Deputados, senão principalmente para que lhes sirva de orientação e guia na elaboração da lei que ora nos preocupa (segue a transcrição do artigo).

...Os Bispos do Paraná empregam o termo "reforma agrária" em sua moção. Mas, tomado no sentido que lhe dão essas observações e propostas, este termo perde seu caráter demagógico e agitador, perde mesmo seu sentido de "reforma", para significar apenas política agrária feita com sabedoria".

O estudo em foco foi reproduzido em CATOLICISMO, nos 32 e 33.



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