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CRUZADA POR UM MUNDO MELHOR

Cunha Alvarenga

A Igreja recomenda que se evitem as comparações de valor entre Santo e Santo, não só pelo que têm de necessariamente aleatório, como pela falta de tacto que nelas se pode manifestar. Por razões análogas, as comparações entre Papa e Papa caem facilmente nos mesmos inconvenientes. Sem entrarmos em assunto tão delicado, podemos entretanto afirmar que os documentos de Pio XII, por sua profundidade, e — no melhor sentido da palavra — por sua originalidade, têm imprimido à doutrina católica, principalmente em matéria social, um impulso através de campos e horizontes novos, que dá a este Pontificado, mesmo entre os maiores, uma verdadeira gloria.

Exemplo disto é quanto o Santo Padre, sob o título de "Mundo melhor" tem escrito sobre o Reinado de Jesus Cristo.

Nesse mês em que a Igreja celebra a festa de Cristo-Rei, parece-nos de alta oportunidade tratar deste assunto. Com efeito, nestes últimos tempos vem o Pontífice insistindo de modo cada vez mais impressionante sobre a necessidade em que se acha toda a Cristandade de se alistar na "Cruzada para a restauração de um mundo melhor". A última oportunidade de que se valeu para reiterar semelhante apelo foi a alocução radiofônica ao I Congresso Nacional da Padroeira do Brasil, que publicamos no presente número.

Que Cruzada será essa? Em que campo de batalha deve ser empreendida? Qual o seu objetivo? Com que armas o mundo católico se deve aparelhar para se lançar na refrega? Convidamos nossos leitores a fazer conosco uma breve excursão por alguns dos vários documentos em que o Santo Padre vem tratando do assunto.

Em primeiro lugar notemos que tal Cruzada é feita para restauração de um mundo melhor. Houve época, portanto, em que esse mundo melhor existiu. Estamos, assim, numa fase de decadência, apesar de alguns pensadores católicos sustentarem que só agora a humanidade teria atingido a idade adulta. Ora, os homens, como nos diz São Paulo, só deixam de ser crianças "balouçadas e impelidas por qualquer sopro de doutrina, pela fraudulência dos homens e pelas astúcias do erro" (Ef. 4, 14), quando atingem a plenitude da idade de Cristo. A época em que a humanidade alcança a maturidade é, portanto, aquela em que o Cristianismo é não somente aceito mas também plenamente vivido.

A raiz dos males presentes é por conseguintes o repúdio do Cristianismo: “... O mundo atravessa hoje um dos seus períodos mais graves, e não é esta a primeira vez que assinalamos o fato aos homens atônitos diante do contraste entre as luzes de um gigantesco progresso técnico e as trevas de uma funesta decadência moral" (Alocução aos Assistentes da Juventude Italiana da Ação Católica, 8 de setembro de 1953).

Para cúmulo da irrisão, não faltam aqueles que procuram responsabilizar o Cristianismo pelo estado lamentável em que se acha a humanidade. Não teria ele forças para sanar os males presentes. Tal acusação, diz o Papa, não vem dos Apóstolos, gloria de Cristo, nem daqueles heróis da Fé e da Justiça, daqueles Pastores e Sacerdotes, arautos do autêntico Cristianismo. Vem daqueles que se mostram adversários da Igreja. E aquilo que atualmente tomam como Cristianismo, é apenas um Cristianismo degenerado, que corrói as entranhas da Cristandade e concorre para dar um retrato desfigurado da ação da Igreja no mundo moderno: "Não, o Cristianismo, cuja força deriva Daquele que é caminho, verdade e vida, está e estará com Ele até a consumação dos séculos, não faltou à sua missão; mas os homens se rebelaram contra o Cristianismo verdadeiro e fiel a Cristo e à sua doutrina; forjaram para si próprios um Cristianismo à sua feição, um novo ídolo que não salva, que não se opõe às paixões da concupiscência da carne, à avidez do ouro e da prata que fascina os olhos, à soberba da vida; uma nova religião sem alma e uma alma sem religião, uma máscara de Cristianismo morto, sem o espírito de Cristo; e proclamaram que o Cristianismo faltou à sua missão!" (Mensagem de Natal, 24 de dezembro de 1941).

Dia virá, dizia São Paulo, em que "uns quantos hão de apostatar da Fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e doutrinas de demônios. Aderirão a mestres mentirosos, ferreteados pela própria consciência" (I Tim. 4, 1-2). Volta a humanidade a ser, uma criança sem vontade, impelida por qualquer sopro de doutrina, pela fraudulência dos homens e pelas astúcias do erro: "Seja bem claro, diletos filhos, que na raiz dos males hodiernos e de suas funestas consequências não está, como nos tempos pré-cristãos ou nas regiões ainda pagãs, a ignorância invencível sobre os destinos eternos do homem e sobre os caminhos reais para atingi-los; mas sim o letargo do espírito, a anemia da vontade, a frieza dos corações. Como justificativa, os homens assim empestados tentam circundar-se das antigas trevas e procuram um álibi em novos e velhos erros. É necessário, portanto, agir sobre sua vontade" (Exortação aos fieis de Roma, 10 de fevereiro de 1952). A época em que vivemos é, assim, em certo sentido pior que os tempos em que reinava no mundo um completo paganismo, pois a apostasia é pior que a infidelidade. "Tornou-se-lhes o último estado pior que o primeiro. Melhor lhes fora não terem jamais conhecido o caminho de justiça, do que, depois de conhecê-lo, voltar as costas ao santo mandamento que receberam" (II Pedro 2, 20-21).

São Pedro no início da vida da Igreja premunia os fiéis contra a ação deletéria dos apóstatas (ibid.). Também hoje a responsabilidade pelos males que assolam a humanidade cabe a certos homens maus que são os instrumentos do plano de perdição que o demônio procura desenvolver entre o povo fiel: "Em Nossa recente Encíclica Fulgens Corona ainda uma vez denunciamos a atuação de um plano pavoroso que visa a arrancar radicalmente das almas a fé cristã e à invasão do mundo pelo inimigo dos homens e de Deus. E há homens —míseros homens — que servem de instrumento para esta obra destruidora. Acha-se em ato uma luta que quase cada dia aumenta em proporção e em violência, e portanto se impõe que todos os cristãos, mas especialmente todos os militantes católicos, estejam de pé e combatam até à morte, se for necessário, pela Igreja sua Mãe, com as armas que lhes são

(continua)



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