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PIO XII E A ERA DE MARIA

Plinio Corrêa de Oliveira

Publicando a Encíclica “Ad Caeli Reginam” - cujas partes essenciais vão traduzidas em ou-tro local desta edição - teve o Santo Padre Pio XII a intenção de extremar com um ato da mais alta importância as manifestações de piedade mariana com que edificou a Cristan-dade no correr do Ano Jubilar da Imaculada Conceição. Disse-o ele em expressos termos: “como que coroando todos estes testemunhos de Nossa piedade mariana... para concluir felizmente o Ano Mariano que chega a seu termo,... resolvemos estabelecer a festa da Bem-Aventurada Virgem Maria, Rainha”. Da importância deste ato, fala-nos o mesmo Pontífice quando declara que “esse gesto traz consigo a grande esperança de que possa surgir uma nova era, alegrada pela paz cristã e pelo triunfo da Religião”. Tal esperança, di-lo ainda o Pontífice, tem razões muito sérias e profundas: “adquirimos a convicção, depois de maduras e ponderadas reflexões, de que advirão grandes vantagens para a Igreja” se a realeza de Maria, “solidamente demonstrada, resplandecer mais evidente aos olhos de todos, como luz mais radiosa posta no candelabro”.

Bem entendido, esta graça, que se dirige ao coração do homem, deve reformar a sua alma. No “culto e imitação de tão grande Rainha os cristãos se sentirão por fim verdadeiramente irmãos, e, sobranceiros à inveja e aos imoderados desejos de riqueza, promoverão o amor social, respeitarão os direitos dos pobres, e amarão a paz”. Não se trata de promover um movimento marial puramente externo e formal, mas de pedir às almas uma cooperação séria e eficaz com as graças que receberão de sua Mãe: “Ninguém, pois, se tenha por filho de Maria, digno de ser acolhido sob sua poderosíssima tutela, se não seguir o seu exemplo mostrando-se lhano, justo e casto, não lesando ou prejudicando, mas ajudando e confortando”.

Estas palavras do Pontífice merecem a mais detida meditação. De um lado, fala ele contra a inveja: alusão evidente à atitude de massas inteiras de homens que, amargurados às vezes por injustas provações, e principalmente envenenados pelos princípios demagógicos da Revolução Francesa e do comunismo, odeiam os ricos só porque lhes invejam os bens, e desejam destruir toda a hierarquia social. O Santo Padre fala também do desejo imoderado de riquezas. É um mal que atormenta todos ou quase todos os países da terra. Potentados da indústria ou do comércio, acumulando em suas mãos fortunas imensas, perto das quais os patrimônios das aristocracias de outrora eram quase insignificantes, transformaram a economia num reino fechado, em que dispõem a seu arbítrio da alta e da baixa dos preços, da circulação e do emprego das riquezas. Ora oprimem o Estado, ora são opressos por este quando sobe a onda da demagogia. E assim a sociedade se vê cada vez mais apertada entre as duas formas mais ou menos veladas de ditadura: a da oligarquia financeira e a da massa. Daí só pode decorrer o estrangulamento das elites sociais e intelectuais verdadeiras, a opressão do trabalhador pacífico e consciencioso, a dizimação da pequena e média burguesia. Miserável fenômeno de luta de classes, em que a sociedade, no que tem de mais inautêntico e pior - camarilhas de sanguessugas da economia ou de demagogos vulgares - devora o que tem, em todos os níveis, de mais autêntico e de melhor. Quanto isto seja oposto ao “amor social” de que nos fala o Pontífice, quem o poderia não ver? Para proteger a sociedade contra este reino do pior sobre o melhor, o Pontífice proclama no mundo a realeza de Maria.

Obra ingente por certo, esta de uma reforma social. Tanto mais quanto Pio XII a situa essencialmente em termos de reforma moral. Mas Maria Santíssima tem um imenso poder sobre a alma humana, e dela se devem aproximar os homens, não só para “pedir socorro nas adversidades, luz nas trevas, conforto nas dores e no pranto”, mas ainda para implorar a graça “que vale mais do que todas”, de “se esforçarem por se libertarem da escravidão do pecado”.

A proclamação da soberania de Maria na Encíclica “Ad Caeli Reginam”, a instituição de sua festa anual no dia 31 de maio, a coroação da imagem de Nossa Senhora “Salus Populi Romani” pelo próprio Pontífice, tudo isto pode, pois, e deve servir de ponto de partida para uma nova era histórica: a era da realeza de Maria.

Com a prudência característica da Santa Igreja, a Encíclica “Ad Caeli Reginam” fundamenta a dignidade real de Maria tão somente em argumentos de caráter teológico. Não seria supérfluo, entretanto, lembrar que este grande dia da proclamação da Realeza Universal de Maria, e a esperança de uma era de

(continua)



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