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CAMPOS RENOVADA PELA SAGRADA EUCARISTIA

O XXXVI Congresso Eucarístico Internacional a se reunir no Rio de Janeiro, terá um duplo fim. Primeiro, oferecer a Nosso Senhor Jesus Cristo, realmente presente no Sacramento do Altar, os atos de adoração, ação de graças, reparação e súplica de todo o Brasil, mais ainda, de todo o orbe católico. Segundo, obter para nosso país e para o mundo a abundancia das graças do Rei Eucarístico.

Para realizar condignamente o certame, movem-se em todos os continentes os membros da Sagrada Hierarquia, promovendo peregrinações, organizando delegações e dispondo-se a vir pessoalmente ao Rio de Janeiro. O Vigário de Jesus Cristo vem exprimindo o ardente desejo de que o Congresso Eucarístico alcance todo o brilho e eficácia, e para o representar já designou um Legado eminente, não só pela púrpura cardinalícia que o exorna, como pelas qualidades invulgares que nele refulgem, Legado caríssimo ao Brasil, pois é o Emmo. Cardeal Bento Aloisi Masella, que durante tanto tempo ilustrou com sua presença a Nunciatura Apostólica do Rio de Janeiro.

Mais especialmente, movem-se no Brasil nossos três Cardeais, e os membros do Venerando Episcopado Nacional, para que o Congresso alcance plenamente os fins visados.

As ações humanas valem na medida em que tenham sido bem preparadas. Isto se diz da oração: "antes da oração, prepara tua alma". E, pois, o principio se aplica inteiramente ao Congresso Eucarístico.

Nesta perspectiva é que foi concebida a Semana Eucarística de Campos. Não como algo que valesse exclusivamente por si próprio, mas como uma preparação de outro acontecimento muito maior.

O seu objetivo foi preparar todos os diocesanos — tanto os que puderem ir ao Rio como os que tiverem de ficar — para uma união particularmente interior, ardente, a um tempo recolhida e expansiva, com os atos de piedade do Congresso Eucarístico Internacional.

Tal preparação comportaria necessariamente dois aspectos. Por manifestações públicas numerosas e vibrantes, atingir todas as camadas da população, despertar as atenções, romper o respeito humano. E impregnar estas manifestações de um ambiente tão rico em doutrinação, recolhimento e piedade, que dispusesse realmente as almas a ouvir a voz de Deus que lhes fala no íntimo do coração.

A nota fundamental desta Semana Eucarística foi sua marianidade. Este fato deita raízes no mais profundo da doutrina católica. Nossa Senhora é o caminho pelo qual as almas vão a Jesus, e Jesus vem às almas. Onde Maria Santíssima é conhecida e amada, conhece-se ama-se a Jesus. Onde Ela é ignorada e vista com frieza, não se conhece nem se ama devidamente a Jesus. Nada é mais adequado a preparar as almas para a Eucaristia, do que a devoção a Nossa Senhora.

Dentre as várias invocações marianas, nenhuma tem suscitado mais o fervor das multidões, nos últimos anos, e nenhuma tem sido a ocasião de maiores graças do que a de Nossa Senhora de Fátima. Isto é patente em todo o Brasil, e se explica por mil razões, entre as quais sobreleva a atualidade cada vez mais candente da Mensagem de Fátima. Tal movimento de piedade do povo fiel deixa entrever uma especial moção da graça, e bem exprime a fecundidade sobrenatural dessa devoção.

A Semana Eucarística foi, pois, antecedida de uma visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima a toda a Diocese, durante o mês de abril.

Tudo fazia augurar um êxito real à visita da Virgem de Fátima. A invocação, bem escolhida. A imagem, confeccionada em Portugal, de real formosura, e principalmente muito piedosa. Como símbolo gracioso, as conhecidas pombas que a seguem em seus trajetos viriam com ela. Como Missionários, acompanhavam-na três pregadores exímios, Frades Capuchinhos da Província do Sul, Frei Bernardino, Frei Lauro e Frei Protasio.

Habituadíssimos a pregar ao povo sobre Nossa Senhora de Fátima, percorreram com sua imagem grande parte do Brasil. O Revmo. Frei Bernardino de Vilas Boas se dedica a este apostolado há sete anos, já esteve em Fátima, e também pregou em Portugal.

A linguagem desses Missionários é popular no melhor sentido da palavra. Sem demagogia, sem vulgaridade, sem concessões ao gênero populacheiro que domina nos meetings políticos, sabem dar ao povo doutrina sólida e edificante, em termos simples mas conformes à dignidade do sagrado ministério, com um senso psicológico extraordinário, uma vivacidade e uma variedade que impedem absolutamente o tédio e a dissipação. Ouvindo-os, cantando e rezando sob sua direção, as multidões podem conservar-se de pé horas inteiras, em edificante recolhimento.

Começou o trajeto da Imagem por Barra de São João, pitoresca localidade em que nasceu e está sepultado o infeliz poeta Casimiro de Abreu. Durante muito tempo, o lugar ficou, outrora, sem Padres. Daí uma acentuada tibieza, de que até agora ficavam vestígios. Os homens não se aproximavam da Sagrada Mesa. A visita da Imagem rompeu o gelo, e muitas dezenas deles receberam o SSmo. Sacramento. Também o fez um elevado número de senhoras.

Daí a Imagem seguiu para Macaé, onde houve 1.000 comunhões, e Carapebús, onde houve mais ou menos outro tanto. Em Conceição do Macabú a permanência foi de apenas horas e as comunhões foram 524; em S. Gonçalo de Goitacazes toda a população comungou. Em S. Bento do Mussurepe, onde se encontra o tradicional Mosteiro beneditino, houve 2.000 comunhões. Também em Tocos, todo o povo comungou, e à passagem da Imagem verificou-se a cura de um paralitico. Em Bom Jesus do Itabapoana houve 3.550 comunhões, em Itaperuna 3.000, e em Cardoso Moreira 2.300, sendo que esta última cidade resolveu suprimir definitivamente os jogos de azar e os bailes. Em Miracema, a recepção se caracterizou por um cortejo de 200 automóveis, e houve 7.000 comunhões, sendo a população da cidade de 13.000 almas. Soleníssima foi a recepção em Pádua, onde houve 5.000 comunhões. De Pádua até Cambuci o trajeto se faz normalmente em duas horas, mas a Imagem levou seis horas a percorrê-lo, seguida de centenas de automóveis. É que à beira das estradas populações rurais a detinham afim de a venerar. De Cambuci (2.950 comunhões) o cortejo rumou para S. Fidelis, onde também houve muitas comunhões. Em S. Sebastião do Alto, não há Vigário, e não houve missa. Mas o Prefeito Municipal, Sr. Hermes Ferro, deu um belo exemplo encarregando-se de preparar a recepção, que foi excelente. Também edificante a acolhida em Santa Maria Madalena, onde, embora não haja Vigário, foi notável o número de homens que se aproximaram da Sagrada Mesa. De lá, a celeste Peregrina foi conduzida a Trajano de Moraes, onde houve 950 comunhões. Por fim seguiu para Campos.

De seu trajeto pelo território da Diocese, se pode dizer o que de Nosso Senhor diz a Escritura: "Pertransiit benefaciendo" — "passou fazendo o bem".

Estavam preparadas magnificamente as cidades do percurso, por manifestações que marcaram época, e por atos de piedade cujo efeito nas almas ainda perdura.

No dia 16 de abril, vinda de S. Francisco de Paula, município de Trajano de Morais, chegou a Imagem, de automóvel. A afluência era muito considerável. Mas um acidente causara a suspensão da iluminação pública. O povo, empunhando velas, transformou num braseiro de luzes a extensa Praça do SSmo. Salvador. Esse êxito inesperado deixava prever outros maiores.

No dia 17, domingo, realizaram-se na Catedral Missas com pregação pelos RR. Missionários Capuchinhos. Assim, o povo fiel se ia interessando pela Semana Eucarística, e se preparava para contagiar com seu ardor a cidade toda.

À tarde, as atenções foram fortemente atraídas por uma concentração e desfile de oito mil crianças dos educandários primários, que na Praça do SSmo. Salvador prestaram homenagem à Virgem de Fátima. Seguiu-se uma procissão infantil, em que a Imagem era carregada por alunos do Externato Eucarístico. A cerimônia foi encerrada pela benção do SSmo. Sacramento, dada pelo Exmo. Revmo. Sr. Bispo Diocesano.

À noite, nova cerimônia, na Praça do SSmo. Salvador. Era uma pregação dos Missionários Capuchinhos. A praça, na qual cabem cerca de 30.000 pessoas, ficou literalmente cheia. Pormenor importante, havia lá especialmente muitos homens, o que numa cidade em que grassava o respeito humano, constituía novidade marcante.

No dia 18, a fim de incendiar o zelo no recesso das famílias, realizou-se na Catedral uma Concentração de Mães. O templo tem 6.400 metros quadrados, e ficou literalmente cheio. Desde logo, os frutos da Semana se iam prenunciando tais, que foi necessário marcar dias de confissão para as diversas categorias de pessoas. E ainda assim o movimento de tal modo excedeu à expectativa que os Sacerdotes não bastaram para a grande quantidade de penitentes. Era Nossa Senhora que falava às almas.

À noite, houve pregação para homens. Realizou-se esta na Praça do SSmo. Salvador, para dar lugar a todos, com a vantagem de atrair pessoas que de si mesmas talvez não fossem à Catedral.

No dia 19, começaram as visitas da Virgem de Fátima a diversas instituições: são células sociais onde um fato tão inédito repercute intensamente, e de onde a repercussão se difunde em extensas camadas da população. Assim, nesse dia a Imagem visitou o Grupo Escolar "João Pessoa", sendo festivamente recebida pelos professores e alunos, e de lá seguiu processionalmente até o Ginásio do SSmo. Salvador, onde teve idêntica acolhida. Desse estabelecimento, foi levada, sempre processionalmente, para a Catedral. E assim, pequenas procissões começaram diariamente a atrair a atenção dos vários bairros, preparando a grande procissão final.

À noite, nova pregação para homens, com excelente comparecimento.

O dia 20 foi especialmente consagrado à confissão das crianças. Na Catedral, ficaram cinco Padres para esse efeito, e oito Sacerdotes foram a diversos estabelecimentos de ensino para aí atrair e atender mais facilmente as crianças.

À tarde, deu-se a visita de Nossa Senhora ao grande hospital de tuberculosos Ferreira Machado. A Imagem, conduzida em carro adornado pela colônia portuguesa, foi festivamente recebida. Os doentes do hospital, e mais outros para lá levados por suas famílias, receberam a benção do SSmo.

(continua)



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