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FIDELIDADE AO PASSADO E LIBERDADE DE AÇÃO PARA O FUTURO

Plinio Corrêa de Oliveira

“A Igreja é um fato histórico que, como uma possante cadeia de montanhas, percorre a história dos dois últimos milênios”. Esta formosa comparação, contida no discurso do Santo Padre Pio XII aos membros do X Congresso Internacional de Ciências Históricas (7 de setembro de 1955), nos vem naturalmente ao espírito, ao preparar o presente artigo. Com efeito, devemos nestas linhas enfeixar numa vista de conjunto o ano de 1955, cujos últimos dias vão imergindo no passado e com isto vão sendo transformados em história. E devemos lançar uma vista interrogativa sobre o futuro, sobre essa “história de amanhã” que se nos afigura tão indecisa. Ao coordenar reminiscências de ontem e impressões de hoje, a própria evidência dos fatos nos faz vir à mente a formosa frase deste Pontífice cuja memória se guardará até o fim dos séculos. Realmente, a grande cordilheira da história, em função da qual se dividem as vertentes do pensamento humano, é bem a Santa Igreja de Deus. Considerar à luz desta verdade primordial a situação hodierna é tarefa útil e grata. Grata, sim, ainda mesmo quando a realidade que se nos desvenda aos olhos é particularmente triste. Pois todas as tristezas do momento presente são como que transpostas a um plano superior e se banham numa nobre e suave luz de consolação espiritual, quando consideradas do alto da doutrina da Igreja.

O mundo contemporâneo poderia ser dividido, grosso modo, em três zonas culturais distintas: o Ocidente, a gentilidade, as nações sob o jugo comunista. No Ocidente - expressão muito mais cultural do que geográfica, bom é insistir - estão os povos europeus aquém da cortina de ferro, a América e a Austrália. Fazem parte da gentilidade os povos que viveram até o século passado no letargo de uma civilização inteiramente pagã, e hoje despertam para as realidades trepidantes da técnica, sem jamais haverem passado por uma fase de civilização cristã. O mundo marxista, que vai do Adriático (pois ideologicamente pelo menos, Tito é comunista) até o Pacífico, tocando em um de seus extremos no Oceano Ártico e banhando o outro extremo nas águas quentes do Oceano Índico, se compõe de tudo quanto o bolchevismo deglutiu, e tenta digerir lentamente: eslavos, chineses, mongóis, tártaros, alemães, húngaros, coreanos etc.

Nada mais evidente do que esta divisão. Em função dela, é que os fatos mais candentes da atualidade e as linhas mais profundas da política se explicam. A visita de Kruchev e Bulganin à Índia, à Indochina e ao Afeganistão, por exemplo, o que é, senão um episódio da luta entre bolchevistas e ocidentais para a conquista da gentilidade? A questão marroquina, a questão tunisiana, a questão argelina, a questão árabe, a questão egípcia interessam ao mundo inteiro. E porque, se em última análise os seus termos mais palpáveis se reduzem a meros conflitos de fronteiras, e de interesses imperialistas ou autonomistas? É porque estas questões se prendem todas ao problema de importância mundial da tomada de posição das nações gentílicas em face da grande luta entre comunistas e ocidentais, e este é por sua vez o problema dos problemas na política hodierna.

Ora, esta divisão tripartite como se explica? Queira-se, ou não se queira, é em função de Nosso Senhor Jesus Cristo. Um campo é o dos povos cuja cultura se pode dizer ainda cristã. Outro é o dos povos que não conheceram ainda Jesus Cristo. E o terceiro é o dos que gemem sob o jugo dos oligarcas que explicitamente, e de modo violento, O combatem.

Jesus Cristo e seu Corpo Místico, que é a Santa Igreja, são bem realmente a pedra de ângulo do passado e do presente. E é em função desta pedra de ângulo que se desenvolverá o futuro.

Se bem que esta divisão seja clara, simples, lógica, e corresponda evidentemente aos fatos, precisa ser vista com certa ductilidade de espírito.

Com efeito, há algo de artificial em classificar países dentro

(continua)

UM destacamento de guardas suíços sobe os degraus da imponente Scalla Regia no Vaticano. O ambiente se conserva precisamente como na Renascença. Nada indica, nos trajes, nas armas, no prédio, que estamos em 1956. É que o Vaticano nos oferece um exemplo magnífico, de fidelidade ao passado. Mas ao mesmo tempo, os Papas, e Pio XII de modo todo particular, têm introduzido no Palácio Apostólico todos os melhoramentos capazes de servir ao bom andamento dos assuntos eclesiásticos. Os escritórios, o Banco, o Correio, o Governatorado do Vaticano têm sido equipados com o que há de melhor. Harmoniosa fusão entre os valores oferecidos por todos os séculos, incluído o nosso, para a boa ordenação do trabalho e da vida. Luminosa expressão de que tradição e progresso podem e devem co-existir e completar-se, segundo planos da Providência.



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