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FECISTI VIRILITER QUIA CUNCTAS HAERESES SOLA INTEREMISTI

Cunha Alvarenga

Há quarenta anos, na primavera de 1916, aparecia pela primeira vez aos pastorinhos de Fátima o Anjo da Paz, para prenunciar as revelações da Santíssima Virgem na Cova da Iria.

Oração, penitência, consagração do mundo ao Imaculado Coração da Mãe de Deus, eis as notas características e principais da parte conhecida de tais revelações.

Paz para o mundo através da expiação das faltas cometidas... Essa intervenção da Santíssima Virgem nos acontecimentos humanos se acha ligada àquela promessa feita pelo Altíssimo nos albores do mundo, quando foi previsto que Ela haveria de calcar aos pés e esmagar a cabeça da serpente sedutora do gênero humano.

"Fecisti viriliter: quia cunctas haereses sola interemisti" —"Agistes varonilmente, pois, só, esmagastes todas as heresias" (ofício da festa do Sto. Rosário — II not.). Eis a razão de nossa esperança: a vitoria sobre a morte e sobre o pecado pela forte e suave intervenção da Mãe do Criador.

A devoção à Santíssima Virgem não é, portanto, acessória, secundaria, meramente conveniente, em nossa vida espiritual. Segundo os misteriosos desígnios de Deus, uma vez entrada no plano da Providencia a Encarnação do Verbo conforme ela se efetuou na ordem histórica, passou Maria Santíssima a se tornar necessária para a realização desse mesmo plano. Necessidade hipotética, em consequência da vontade divina, mas iniludível e abençoada necessidade para os homens, que passaram a ter na Mãe das Misericórdias e na Esposa do Espírito Santo a Celeste Medianeira e o Canal de todas as graças.

Assim, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Nossa Senhora, nos termos em que foi pedida em Fátima, está a mostrar que a devoção marial é condição indispensável para a reforma não somente das instituições, dos Estados, das famílias, de todas as coletividades humanas, mas também das almas individualmente consideradas.

E por que? Pela mesma razão pela qual a Santíssima Virgem apareceu em Fátima: é Ela o traço de união entre o Céu e a terra, a Arca de Aliança que permitiu o resgate dos infelizes filhos de Eva.

Deus é o princípio necessário de tudo o que existe. As criaturas Lhe devem o ser, bem como tudo o que lhes pertence. Fomos criados do nada, mas não nos confundimos com o Criador. Somente Deus é Aquele que é. O brado de São Miguel Arcanjo: "Quem como Deus?" nos mostra que a origem do mal está nessa tendência do ser criado de se confundir com o Criador, ou, pelo menos, de fazer vida à parte, independente do Ser que lhe deu origem e existência. E o pai da mentira instilou nos homens essa mesma tentação com o "sereis como deuses"...

Assim é que a negação do mistério da Criação vem a ser o marco inicial de todas as grandes aberrações a que o espírito humano é levado quando não o contem a disciplina do Credo católico, que, herdeiro da revelação mosaica, é o único a conservar a solução do problema das relações entre o Céu e a terra, entre Deus e Os homens, entre o Infinito ou Incriado e o finito ou criado.

Fora do dogma da Criação o que vemos, desde a aurora do mundo, é a escravidão dos homens ao demônio, através da tentação do panteísmo e do naturalismo, da confusão de Deus com o universo criado, ou da deificação da natureza pelo desprezo do Criador.

Deturpadas assim as relações entre criatura e Criador, destruída a verdadeira base religiosa da vida humana, afundou-se a gentilidade na barbárie e sofreu o jugo tirânico dos déspotas totalitários que desonraram a face da terra até o advento do Redentor. E essa confusão panteísta gerava a confusão social, cuja consequência última, conforme a lição da história, foi a transformação dos povos em massa amorfa e mecânica pela ação do gregarismo satânico ou comunismo, sob o guante de ferro de omniarcas sem entranhas.

O resgate da humanidade foi feito através de outro dogma, de outro mistério, o mistério da Encarnação do Verbo, em que culminaram as relações entre o Céu e a terra com a vinda ao mundo do próprio Deus para assumir a nossa natureza sem com ela se confundir. Há no Deus feito Homem duas naturezas, a divina e a humana, que se unem sem se confundir, para formar uma só Pessoa: Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ora, dessa união do Céu e da terra é a Santíssima Virgem o elo indispensável segundo a ordem estabelecida por Deus em seu plano de redenção da humanidade.

“A Santíssima Virgem é Mãe de Deus. Eis aí um dogma fundamental, e a própria base do Cristianismo. O que o Apóstolo disse da Ressurreição de Jesus Cristo, podemos afirmá-lo a melhor título da Divina Maternidade de Maria. Se Maria não é Mãe de Deus, nossa fé é vã, e nós permanecemos nos nossos pecados; e aqueles que adormeceram em Cristo, pereceram (1 Cor. XV, 17, 18). Porque, uma vez negado esse dogma, tudo desmorona, pois que ele sustenta o edifício da Fé cristã; pois que é ele a base divina sobre a qual repousa toda a ordem sobrenatural da graça e da gloria" ("La Mère de Dieu et la Mère des Hommes" pelo Pe. J. B. Terrien, S. J., tomo 1°, p. 37).

O dogma da Encarnação do Verbo, inseparável do mistério da Maternidade Divina da Santíssima Virgem, é portanto o fundamento desta Nova Aliança entre o Céu e a terra, entre a criatura e o Criador. Fora da luz emanada dessa verdade, de novo cairemos nas trevas do panteísmo e do naturalismo.

É o que nos demonstra a análise das consequências das doutrinas panteístas que, pelo caminho da heresia teológica insuflada pelo príncipe deste mundo, tentaram reconduzir a humanidade ao caos religioso e social de onde ela emergira com o raiar da Redenção. Sob o nome de ebionismo, de gnosticismo, de maniqueísmo, de montanismo, de arianismo, de nestorianismo, de eutiquismo, nos primeiros séculos da vida da Igreja, quer negando a humanidade de Cristo, quer sua divindade, quer sua dualidade de natureza, quer sua unidade de pessoa, atentaram todas elas contra o dogma da Encarnação e por via de

(continua)



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