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LUTAR VARONILMENTE E LUTAR ATÉ O FIM

Plinio Corrêa de Oliveira

A passagem, no dia 31 deste mês, do quarto centenário da morte de Santo Inácio de Loyola dá-nos ocasião de escrever algo sobre o grande Santo. Fazemo-lo com certa hesitação. Pois tanto teríamos a dizer sobre sua vida, sua espiritualidade, sua obra, que não nos bastariam as dimensões, ainda que alentadas, de um artigo de jornal. Consola-nos que parte do que teríamos a afirmar em louvor de Santo Inácio, já o publicamos no livro “Em Defesa da Ação Católica”, em momento em que tão insistentes eram certos ataques à sua espiritualidade. Desse livro, colhemos frutos tipicamente inacianos: dissabores, inimizades, um prefácio orientador desse grande Núncio, hoje Cardeal Masella, e uma carta de louvor enviada em nome do augusto Pontífice Pio XII. Tribulações de um lado, louvor do Santo Padre do outro. Parece-nos que Santo Inácio jamais desejou para si outra coisa... Mas o “Em Defesa da Ação Católica” foi publicado há tempo, há perto de quinze anos. Hoje, sobre este tema, o que dizer? Mudaram as circunstâncias. Terá mudado a aplicação que lhes pode ser feita, dos princípios da espiritualidade inaciana?

Mudaram-se os tempos, sim, e mudaram-se as circunstâncias. Mas “plus ça change, plus c’est la même chose”. Os problemas de hoje são os de ontem, agravados, requintados, exacerbados. E se ontem o ensinamento inaciano era atual e útil, hoje pode-se dizer que se tornou atualíssimo e utilíssimo.

Dos múltiplos aspectos da realidade contemporânea aos quais as normas de Santo Inácio poderiam aplicar-se, e na impossibilidade de tratar de todos, destaquemos pelo menos um. Como se verá, por sua importância e profundidade bem merece ele ser tratado.

* * *

Vamos antes de tudo à realidade miúda dos fatos triviais de todo dia. Como se sabe, um vento de igualitarismo sopra em toda a sociedade contemporânea. A todo momento, os pais se vêem na contingência de preservar sua autoridade e seu prestigio, contra manifestações do espírito de independência de seus filhos. O mesmo se dirá dos patrões em relação aos empregados, dos mestres em relação aos discípulos, das pessoas gradas ou idosas em relação aos que lhes devem consideração e respeito. Diante deste fato, que atitude manter?

Claro está que é preciso reagir antes de tudo ensinando com paciência e bondade as máximas em que se funda a obediência e o respeito aos superiores. Mas pensar que, simplesmente com isto, tudo se resolve, é a mais rematada ingenuidade. Antes de mais nada, porque as pessoas picadas pela mosca do liberalismo e do igualitarismo detestam máximas, normas e princípios, estão sempre apressadas e não gostam de ouvir explicações doutrinárias dadas com coerência, calma e bondade. Elas vivem de emoções, e nada se lhes afigura mais monótono do que tais explanações. A calma as irrita ou lhes dá sono. A bondade lhes parece insossa e sem valor. Só consentem em ouvir algo se lhes é dito com certo sal, em duas palavras, e de maneira muito fácil. Como os doentes que só consentem em tratar-se se o remédio for uma pastilhinha fácil de engolir de cor atraente e sabor agradável. Ora, não é todo o mundo que tem a forma especial - e até especialíssima - de talento necessária para dar esta apresentação à verdade. E mesmo que alguém conheça truques para transformar a boa doutrina em pílulas, é muito de duvidar que com pílulas destas se consiga formar uma pessoa. A alma é sob este ponto de vista comparável aos pulmões, que exigem para seu normal funcionamento, não apenas duas ou três lufadas esporádicas de ar fresco, mas o contato estável, permanente, largo, com uma atmosfera natural e pura. O espírito humano só é o que deveria ser, quando respira sempre numa atmosfera de bons princípios. Não é - em via de regra pelo menos - com uma ou outra lufada de boa doutrina que uma alma se forma. E, assim, toda pessoa séria será obrigada a reconhecer que os bons conselhos, a brandura, a mansidão não resolvem todos os casos. Então, o que fazer?

Não se julgue que este problema existe

apenas no âmbito restrito da vida particular e doméstica. Visto em escala mais vasta, toma ele o aspecto de um grande problema social. Os que cuidam especialmente da questão operária teriam muita vantagem - parece-nos - em cogitar detidamente do assunto. E o mesmo se diria de todas as pessoas que arcam com maiores responsabilidades no corpo social. Consideremos, com efeito, não só um professor em sua aula, ou um patrão em sua fábrica, ou um pai em seu lar, mas o conjunto dos pais, dos professores ou dos patrões de uma nação. Se eles souberem tomar uma atitude coerente e acertada diante da maré montante do igualitarismo, claro está que terão feito a si mesmos e ao país um grande benefício. Mas se agirem com desacerto terão literalmente votado sua pátria à perdição.

É que este problema com que cada um de nós se defronta em escala individual, e os observadores mais penetrantes não podem deixar de considerar em

(continua)



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