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CONFORTAI O PAPA, Ó MÃE DOLOROSA

Durante o processo movido contra Santa Joana d'Arc, perguntou-se à Donzela de Orléans se amava mais a Jesus Cristo ou a Igreja, ao que ela deu a resposta celebre: "Il me semble que de Notre-Seigneur et de 1'Eglise c'est tout un" (1). E, com efeito, tal é a união mística entre Nosso Senhor Jesus Cristo e a Santa Igreja, que com o mesmo amor sobrenatural com que se ama Aquele ama-se esta.

A Igreja... "Ubi Petrus ibi Ecclesia". Onde está São Pedro está a Igreja. Se o amor que se tem à Igreja é como que um desdobramento do amor que se tem a Nosso Senhor Jesus Cristo, a conseqüência natural de tudo isto é que não se pode amar a Nosso Senhor sem amar ao Papa.

É o que nos leva a pensar, neste número de Semana Santa, no sofrimento do Divino Redentor e no de seu Vigário sobre a terra, como se constituíssem um só tema.

No momento em que escrevemos, os principais incidentes da crise religiosa na Itália parecem amortecidos. Entretanto, eles foram suficientes para desvendar aspectos da realidade que feriram como um gládio de dor o coração dos católicos. Dessa dor, o Soberano Pontífice deu uma manifestação pungente opondo-se a que fosse celebrada na Basílica de São Pedro a festa comemorativa de sua coroação, e proibindo ao Núncio Apostólico junto ao governo italiano que oferecesse na mesma ocasião a costumeira recepção às autoridades da República, ao corpo diplomático e à sociedade romana.

Ora, bem analisados os fatos, vê-se que, ainda mesmo se hábeis combinações diplomáticas feitas nos bastidores conseguirem mantê-los em suspenso, há no mais profundo deles algo de dramático e dinâmico que sobreviverá às aparências mais risonhas, e produzirá cedo ou tarde frutos amargos. Precisamente como nas relações entre Nosso Senhor e o povo judaico. Não Lhe faltaram vivas e aclamações, nas cidades que encontrava ao longo dos caminhos. Essas manifestações culminaram no grande triunfo do Domingo de Ramos. Para um observador incauto, a possibilidade de uma ruptura entre o Messias e a nação eleita nunca estivera mais remota do que quando Ele percorria as ruas de Jerusalém sob vivas da multidão entusiasmada. Entretanto, pouco depois era a Paixão. Sob as aparências de uma popularidade brilhante, uma causa profunda ia abrindo um abismo, cuja imensidade se pôde medir bem, quando o povo preferiu o próprio Barrabás a Jesus Cristo.

A primeira vista, até há pouco o grande problema italiano era a força do eleitorado comunista: cerca de um terço do eleitorado total. Claro está que constituía uma causa de tristeza para todos os católicos, ver que na religiosíssima Itália, predestinada por Deus a tantas grandezas cristãs, em cada três eleitores um desejava a ruína total da Religião e da civilização católica. Se a isto somarmos os contingentes socialistas de Nenni e de Saragat — os primeiros, principalmente, tão próximos do comunismo — o quadro se configura sombrio.

Mas nestas sombras havia uma luz. A grande maioria católica do eleitorado vinha levando ao poder sistematicamente, com uma votação sólida e brilhante, os elementos de um partido político do qual esperava antes de tudo a manutenção de um clima que favorecesse, de todos os modos, a influência do Sumo Pontífice e do Episcopado sobre a nação. Sob o signo dos Tratados de Latrão, e na cordialidade das relações entre o Vaticano e o Quirinal, pareciam distantes os dias de Cavour e Garibaldi.

Ora, a questão do Bispo de Prato deu subitamente ao mundo a impressão de que esta luz bruxuleava. O caso em sua essência é muito claro. Segundo a doutrina da Igreja, quando duas pessoas que em seu grêmio receberam o santo Batismo se unem numa cerimônia leiga, não estão casadas. E, portanto, a união entre elas constitui, aos olhos de Deus, um concubinato. É isto que a Igreja tem ensinado em todos os tempos e em todos os lugares. E proibir-lhe que o faça é afirmar que aos homens é licito proibir a Igreja de obedecer a Jesus Cristo. Acontece que, condenando o Bispo de Prato ao pagamento de uma multa, o Tribunal de Florença afirmou precisamente esta tese.

Diante da afirmação do Tribunal, qual a atitude dos vários setores políticos?

Os comunistas se rejubilaram: era natural. A par disto, certa imprensa burguesa se pôs a dar ao Vaticano conselhos de moderação, em nome de princípios laicistas que faziam pensar nos piores tempos de Cavour. Mas não é só. A atitude de vários círculos do Partido Democrata Cristão foi profundamente decepcionante. Em lugar de deplorarem francamente e sem restrições a decisão dos Juízes de Florença, pelo contrario mostraram-se ufanos do fato, jactando-se aos olhos do eleitorado de que na Itália há liberdade para agir judicialmente contra a Igreja. Que liberdade! A de condenar um Bispo porque cumpriu seu dever baseando-se num ponto incontroverso da doutrina

(continua)



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