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ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO MECÂNICO OU VIDA PRÓPRIA E COLABORAÇÃO ORGÂNCIA

Na sessão solene com que a Diocese de Santos comemorou o Dia Mundial do Congregado Mariano - da qual damos noticia em outro local deste número - o Exmo. Revmo. Sr. D. Geraldo de Proença Sigaud, S. V. D., DD. Bispo de Jacarezinho, pronunciou a conferencia que passamos a reproduzir para conhecimento de nossos leitores:

"Exmo. Revmo. Sr. D. Idilio José Soares, venerando Bispo Diocesano.

Revmo. Clero,

Meus Senhores, minhas Senhoras,

Meus caros congregados marianos.

Ao se celebrar há pouco, no mês de abril, em Godesberg, na Alemanha, o congresso das organizações católicas mundiais, noticiou a imprensa o tema central das sessões de estudo e das sessões plenárias: o discurso recentemente proferido por Sua Santidade o Papa Pio XII sobre o apostolado dos leigos (1). A escolha deste tema não era fruto do acaso. Era a resposta do laicato da Alemanha ao convite dirigido pelo Santo Padre a todas as associações católicas do mundo, no sentido de estudarem uma sugestão que Sua Santidade, sabiamente, benignamente, propôs como forma ideal e prática para a organização das forças do apostolado leigo.

Tendo-me sido dada liberdade na escolha do assunto desta minha palestra, julguei que corresponderia à amabilidade do convite que me dirigiram os marianos de Santos, e ao mesmo tempo contribuiria para a solução de um problema importante para as Congregações Marianas, bem como obedeceria a sugestão do Santo Padre, se tomasse como tema suas venerandas e oportunas palavras. Este assunto interessa diretamente a vós, queridos marianos, por dois motivos. Primeiro, porque o Papa deseja que, oportunamente, manifesteis a vossa opinião sobre este ponto, e convém que com antecedência se esclareçam as idéias a respeito. Depois, porque se trata de uma questão de vida ou de morte para as Congregações Marianas e para as demais associações tradicionais que há muito se dedicam ao apostolado dos leigos.

O assunto que o Santo Padre mandou que o II Congresso Mundial do Apostolado dos Leigos estudasse foi o seguinte: a conveniência de se fazer uma reforma no nome e na estrutura da Ação Católica.

AÇÃO CATÓLICA E AÇÃO REVOLUCIONARIA

Temos que remontar mais longe, a fim de compreender o alcance da sugestão pontifícia. Há precisamente noventa anos - dez anos, portanto, após as aparições de Nossa Senhora em Lourdes - o grande e santo Papa mariano, Pio IX, lançava um movimento de organização e ativação do laicato católico. Incitava o Pontífice os leigos a se arregimentarem, a se movimentarem em favor da Igreja, para, como um exército, se oporem ao avanço da Revolução paganizante e destruidora, e reconstruírem as instituições da civilização católica que a mentalidade e as leis da Revolução tinham destruído e substituído. Era o chamado para uma grande atividade que devia suceder ao passivismo da primeira metade do século. Era, pois, o chamado à ação em prol da Igreja, à ação do laicato em favor da recristianização, à ação apostólica dos leigos. Pio IX resumiu todo este movimento no nome Ação Católica, oposta à ação revolucionaria.

Ao sopro desta aragem, reuniram-se os fiéis em múltiplas associações, ligas, obras, formando um imenso exército. Todas estas organizações chamavam-se: a Ação Católica. Sob Pio IX, um Padre romano, Vicente Pallotti, hoje Bem-aventurado, idealizou mesmo uma Sociedade de Sacerdotes, cuja finalidade era promover a criação de associações de apostolado, vitalizá-las, dar-lhes eficiência, dirigir o seu esforço. Esta fundação teve sorte varia, e hoje subsiste na Congregação dos Padres Palotinos, cujo nome oficial é Sociedade do Apostolado Católico. Continuou a Ação Católica a ser o nome genérico de todas as formas organizadas do apostolado leigo. Assim ficou o significado do termo "Ação Católica" até 1918. Nesse ano, na Itália, a antiga denominação começou a ser monopolizada por uma única associação, que passou a se chamar Ação Católica Italiana, com exclusão de todas as demais.

O PROBLEMA FASCISTA FAZ NECESSARIA MAIOR CENTRALIZAÇÃO NA A. C.

Em 1922, o Papa Pio XI, em sua primeira Encíclica, "Ubi Arcano", usa o vocábulo "Ação Católica" ainda no sentido federativo e genérico, quando diz: "Daí vem que Nos é muito caro o conjunto ou complexo das instituições, associações e obras, compreendidas pelo nome de Ação Católica". Realmente, Pio XI continuou a usar a denominação "Ação Católica" também na acepção genérica. Mas, a associação que se chamava Ação Católica Italiana foi-se desenvolvendo e, sob o impulso daquele enérgico Papa, cresceu a tal ponto, que se tornou a maior organização católica da península. Estávamos no regime do fascismo de Mussolini. O Estado italiano inteiro se organizava de acordo com normas socialistas e totalitárias. Para alcançar, em contraposição, a mesma eficiência, pareceu conveniente a muitos guias do laicato católico dar à atividade apostólica dos fiéis uma organização "totalitária" e monopolizadora. Na Itália, ficou ela subordinada diretamente ao Papa, e, fora da Itália, aos Bispos. Criou-se assim na península um complexo organismo que, rompendo de fato a tradição da diversidade das associações, reuniu em grandes quadros centralizados os leigos católicos. Dividiram-se estes de acordo com idade, sexo e profissão, constituíram-se grandes grupos de homens, senhoras, moços, moças, meninos e meninas. No plano horizontal, estavam os fiéis reunidos em setores que abrangiam todos os homens, todas as mulheres, todos os moços, todas as moças e todas as crianças católicas, aptas e dispostas ao apostolado.

PROBLEMAS JURÍDICOS E DOUTRINÁRIOS NO LAICATO BRASILEIRO

Também fora da Itália este tipo de organização encontrou imitadores, embora não em toda parte. Assim é que também no Brasil se introduziu a organização unitária; tendo os estatutos da A.C.B. de 1935 dado à novel Ação Católica a supremacia do apostolado leigo. Criou-se, dentro do esquema total, a Confederação Católica Diocesana, que, sob a direção da Ação Católica como Associação Fundamental, agrupava as demais organizações, que figuravam apenas como Associações Auxiliares. Naquele ano, pois, as Congregações Marianas se viram enquadradas num grupo de associações secundarias, e para elas começou um período de provação. Realmente, pela lógica inexorável das coisas, ao criar-se um conjunto de associações de elite, reduziram-se as demais a uma espécie de segunda classe. Não era esta a intenção da Santa Sé, mas, devido a uma complexíssima constelação de fatores, assim se configurou a situação real.

Os Bispos do Brasil e seus Sacerdotes puseram-se a trabalhar com zelo no desenvolvimento da Ação Católica unitária, sem retirar, entretanto, o seu apoio às associações antigas, das quais se esperava que fornecessem o elemento humano de elite com que se preenchiam os quadros das Associações Fundamentais.

Esta situação jurídica de inferioridade criou, todavia, um intenso mal-estar nas Associações Auxiliares, que se viam depauperadas pela hemorragia da passagem contínua dos seus melhores elementos para as Associações Fundamentais.

Este mal-estar se agravou, ainda, com a introdução no Brasil de uma serie de teorias dogmáticas e jurídicas que concediam à Ação Católica unitária uma posição intermédia entre Bispos e leigos, falando-se até de uma reforma do Código de Direito Canônico, de uma "quase ordenação sacerdotal" conferida aos leigos, de uma quase autonomia destes - considerados colaboradores diretos dos Bispos - em relação aos Sacerdotes. Estes dois fatores, o jurídico e o doutrinário, causaram um imenso mal-estar no Brasil, e, como declara o Santo Padre Pio XII, no mundo inteiro. Coube a nosso país, aliás sem exclusividade, a honra de em seu território ouvirem-se vozes a chamar a atenção do laicato para os graves desvios doutrinados, ascéticos e jurídicos em que certos elementos das Associações Fundamentais se estavam envolvendo. O grande líder católico paulista, o congregado Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em seu memorável livro "Em Defesa da Ação Católica", no

(continua)



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