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FORMOSA estatua da Abadia de Solesmes, na França, representando Maria Santíssima imersa em profunda dor. Em nosso último número demos um extenso noticiário sobre a Virgem das Lágrimas, de Siracusa. Nossa Senhora chora sobre o mundo contemporâneo, como outrora o Divino Salvador chorou sobre Jerusalém. — E por quê? A civilização ocidental, filha da Igreja, apostatou com o laicismo, e procura resolver sem Jesus Cristo os seus problemas. Intento pérfido cuja insânia é bem demonstrada pelo esplêndido documento do Santo Padre Pio XII, gloriosamente reinante, que hoje publicamos.

O PROBLEMA DA PAZ É ANTES DE TUDO E ESSENCIALMENTE RELIGIOSO

No próprio dia — 14 de julho de 1958 — em que a crise iraquiana deflagrava com o assassínio selvagem do Rei, do Príncipe herdeiro e do Primeiro-Ministro por uma multidão enfurecida, o Santo Padre Pio XII publicava um documento da mais alta importância, sobre a paz universal: a Encíclica "Meminisse Juvat". Reproduzimos hoje seu texto quase integral, traduzido do "Osservatore Romano", edição hebdomadária em francês, de 25 de julho. Os subtítulos são desta redação.

Com uma clareza admirável, o Sumo Pontífice deixa ver qual a diferença entre o pacifismo naturalista, sentimental e vácuo que por toda parte se encontra, e os anelos de paz da Santa Igreja.

Esta diferença procede de uma fundamental divergência na concepção do papel da Esposa de Cristo na vida dos povos.

Segundo os ditames do humanitarismo agnóstico, a guerra produz dores sem conta e a paz é um interesse comum das nações, que pode ser alcançado e conservado pelo vigor dos sentimentos de compaixão e por um cálculo de vantagens meramente terrenas. Bastaria que todos compreendessem quanto é nocivo um conflito armado, e quanto é vantajosa a paz, para que ninguém desejasse nova conflagração. E, assim, se se montar uma propaganda bem organizada, ao cabo de algum tempo a guerra se terá tornado impossível.

Ensina a Igreja, pelo contrário, que a paz, um dos mais altos benefícios de uma ordem temporal reta, só pode ser alcançada mediante a influência da Religião de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre os povos. Pois a ordem civil, ela mesma, com todos os seus frutos, não se pode manter onde a Igreja é odiada e perseguida.

Assim, o problema da paz é, essencialmente, e antes de tudo, um problema religioso.

Por isto mesmo, não bastam para assegurá-la as providências humanas. Cumpre rezar e fazer penitencia, para que a Providência nos conserve este bem precioso.

A concepção fundamentalmente religiosa da própria ordem temporal — o que não quer de modo nenhum dizer que esta deva ser regida pelo Clero, mas supõe uma sabia e fecunda cooperação deste para o bem comum — tem além disto alta atualidade de outro ponto de vista.

Ela prova que o ideal do Mundo Melhor, nas suas fontes verdadeiras, que são os documentos de Pio XII, implica na restauração de uma ordem profunda e explicitamente impregnada da ação salvífica da Santa Igreja, e escoimada, portanto, das influências agnósticas dos pensadores neopagãos de nossos tempos.

É o seguinte o texto pontifício:

A NOSSOS VENERAVEIS IRMÃOS,

OS PATRIARCAS, PRIMAZES,

ARCEBISPOS, BISPOS,

E OUTROS ORDINÁRIOS

EM PAZ E COMUNHÃO COM

A SÉ APOSTOLICA

PIO XII, PAPA

VENERÁVEIS IRMÃOS,

SAUDAÇÃO

E BENÇÃO APOSTÓLICA.

Parece-nos oportuno lembrar que, quando novos perigos ameaçavam o povo cristão e a Igreja, Esposa do Divino Redentor, Nós Nos voltamos, como Nossos Predecessores nos séculos anteriores, para a Virgem Maria, nossa Mãe amantíssima, para convidar todo o rebanho confiado à Nossa solicitude a entregar-se com toda a confiança à sua proteção. E, quando o mundo foi devastado por uma guerra cruel, tudo pusemos em ação para exortar à paz Estados, povos e nações, e para convidar os espíritos, divididos pelas lutas, a um acordo mutuo na verdade, na justiça e no amor. Não Nos limitamos a isto, mas, considerando que os meios humanos Nos faltavam para a obtenção de tal escopo, publicamos várias cartas prescrevendo orações, e invocando o socorro divino pela intercessão da Mãe de Deus, a cujo Coração consagramos toda a família humana (cfr. A. A. S., 1942, pp. 345-346)

Mas se o conflito mundial se extinguiu, a justa paz ainda não reina, e os homens não a vêem consolidar-se em uma fraterna harmonia. Grandes fermentos de discórdia ainda existem, e ameaçam produzir de um momento para outro uma explosão, o que mantém ansiosos todos os espíritos: e isto tanto mais quanto as terríveis armas inventadas pelo homem são dotadas de um poder capaz de arrastar para um universal estado de ruína, não só os vencidos, como também os vencedores e a humanidade inteira.

Se considerarmos com atenção as causas de tantos perigos, presentes e futuros, concluiremos facilmente que as decisões, as forças e as instituições humanas são inevitavelmente fadadas ao insucesso, em toda a medida em que for negligenciada, privada da honra que lhe pertence, ou mesmo suprimida, a autoridade de Deus, que é luz dos espíritos pelo que manda e pelo que proíbe, princípio e garantia da justiça, fonte da verdade e fundamento das leis. Todo edifício que não repouse sobre uma base sólida e segura, desaba; toda inteligência que não seja esclarecida pela luz de Deus se afasta, em maior ou menor medida, da plenitude da verdade; quando a caridade fraterna não anima cidadãos, povos e nações, as discórdias nascem e se desenvolvem.

Ora, só a Religião Cristã ensina, para eliminar os ódios, as animosidades e as lutas, a verdade inteira, a justiça autêntica e a caridade. Só ela as recebeu em depósito, do Divino Redentor, caminho, verdade e vida.(cfr. Jo. 14, 6), e ela inculca com força a observância de tais virtudes. Claro está, pois, que os que desejam deliberadamente ignorar a Religião Cristã e a Igreja Católica, ou que se esforçam por entravá-la, ignorá-la ou dominá-la, ipso facto debilitam os fundamentos da sociedade, ou os substituem por outros, absolutamente inadequados para sustentar o edifício da dignidade, da liberdade e do bem-estar humano.

É, portanto, necessário voltar à lei cristã, se se quer formar uma sociedade sólida, justa e conforme à equidade. É nocivo, é imprudente entrar em conflito com a Religião Cristã, cuja perenidade é

(continua)



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