Catolicismo - Acervo
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OBTENHAM LOGO AS LÁGRIMAS DE MARIA O QUE PEDIMOS;

SENÃO, VIRÁ A CATÁSTROFE

O dia 7 de janeiro p. p., celebrou-se na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma , uma Missa por intenção da Igreja do Silêncio, assistida por grande número de refugiados dos países submetidos ao jugo comunista, inclusive Prelados e antigos diplomatas. Foi celebrante o Emmo. Cardeal Alfredo Ottaviani, Secretário da Suprema Sagrada Congregação do Santo Oficio, o mais importante Dicasterio da Cúria Romana. O sermão proferido nessa ocasião por Sua Eminência definiu de maneira precisa e desassombrada os deveres dos católicos em face do problema das relações entre o mundo ocidental e o mundo comunista.

A imprensa diária publicou pequenos e incompletos resumos desse documento, fornecidos pelas agencias telegráficas. Esses resumos eram feitos o mais das vezes de maneira a exprimir estranheza e até censura diante da atitude do ilustre Purpurado.

Temos o prazer de proporcionar hoje a nossos leitores o texto integral do discurso, que foi publicado por "Il Quotidiano", órgão oficial da Ação Católica Italiana, e transcrito no valoroso semanário de Turim, "La Voce della Giustizia", dirigido pelo brilhante jornalista Giovanni Durando.

Trata-se de uma peça oratória que, pela grandeza do pensamento e pela coragem apostólica que vibra em todas as suas palavras, merece ser considerada um dos mais importantes e belos documentos eclesiásticos do século XX.

As palavras do Cardeal

É para comover até as lagrimas a consideração do que exprime, do que pede a vossa oração a Maria; oração que parece o eco do suspiro de tantas almas que sofrem nas terras da opressão. Vossa oração, neste centro do Catolicismo, enfeixa como num laço as súplicas que os vossos irmãos depõem, junto com suas lágrimas, ante a mesma Virgem que honrais aqui e que eles invocam em Gyoer como a "Regina Hungariae", ou em Czestochowa como a Padroeira da Polônia, ou em Svatahora, ou como a Virgem Dolorosa de Sastin na Tcheco-Eslováquia, ou a Virgem Indefectível de Santa Sofia em Kiew, ou como Nossa Senhora de Bristica, e assim por diante, em tantos outros de vossos Santuários nacionais.

Ninguém ama e deseja a paz mais do que vós, que vos ressentis de modo dilacerante dos efeitos da guerra, inclusive o exílio a que vos constrange a prepotência de outrem. Ninguém mais do que vós implora aquela paz que vos dará a alegria de voltar à pátria, de rever e oscular o rosto de vossos entes queridos, de rezar mais uma vez livremente em vossos grandes e gloriosos Santuários.

Mas isto vos será concedido somente quando for ouvida a palavra do Mestre de verdade e de justiça que, da Cátedra de Pedro, auspiciou na recente Mensagem de Natal (1) a verdadeira paz. "Quanto abuso desta palavra: paz!". A verdadeira paz — disse João XXIII — "só tem um nome: Pax Christi; só tem uma fisionomia, a que Cristo lhe imprimiu... Ela é indivisível. Nenhum dos lineamentos que constituem a sua figura inconfundível pode ser ignorado ou excluído".

Seus lineamentos exprimem não só o desarmamento, o intercambio dos bens, o respeito dos pactos firmados, a solução dos problemas sociais, mas também a salvaguarda dos direitos do indivíduo, da família, da Religião. A paz é indivisível — disse o Papa. Não se pode pensar exclusivamente nos aspectos materiais, mas cumpre ter presentes os aspectos morais e espirituais, entre os quais a tranquilidade das consciências, a ordem, a segurança na posse dos direitos naturais e sobrenaturais.

Enquanto for possível a Caim trucidar Abel sem que ninguém se sinta atingido com isso; enquanto for possível manter na escravidão nações inteiras sem que ninguém se levante para tomar a defesa dos oprimidos; enquanto for possível, mesmo três anos depois da insurreição húngara, ver que permanece ininterrupto o caudal de condenações à morte de estudantes, camponeses, operários, réus de terem amado a liberdade sufocada pelos tanques estrangeiros, sem que o mundo se horrorize de tantos delitos, — enquanto tudo isto acontecer, não se poderá falar de verdadeira paz, mas apenas de aquiescência e coexistência com o chacinador imperturbado.

Não bastou a Caim ter matado Abel, seu irmão! Ao fratricídio acrescentou a indiferença e a irrisão : "Por acaso sou eu o guarda de meu irmão? — Num custos fratris mei sum?" (Gen. 4, 9).

O episódio dos dois irmãos, como se sabe, perpetuou-se através dos tempos até hoje. De um lado está Abel assassinado, em meio ao pranto de seu pai e de sua mãe; de outro, Caim, o assassino que lança o vilipendio sobre a vítima e encontra mil escusas para desculpar-se. Trucidou-o, e em compensação constrói cidades.

Há decênios que, em nome de

(continua)



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