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GLÓRIA A DEUS NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE

D. Antonio de Castro Mayer

BISPO DIOCESANO

No Sermão da Montanha — Sinai do Novo Testamento, sem relâmpagos nem estrondos — Jesus Cristo sintetizou as qualidades dos filhos de seu reino nas bem-aventuranças, oito como que aforismos, enunciando cada um uma, e todos todas as qualidades que devem adornar os verdadeiros cristãos. A sétima bem-aventurança é a dos pacíficos: "Beati pacifici", isto é, os amigos da paz, ou melhor, os fautores, os realizadores da paz, aqueles que se empenham por que entre os homens e os povos reine harmonia e caridade. Assim entendem os comentadores, e com razão, pois que, de outra maneira, esta bem-aventurança não passaria de uma repetição da segunda, que é a dos mansos, outra espécie de pacíficos, os que se exercitam na paciência com que sofrem as injurias e perdoam generosamente as ofensas. Diríamos que a segunda é a bem-aventurança dos pacíficos passivos, e que a sétima é a dos pacíficos ativos, aqueles que por meios, adequados se entregam à obra de obter a paz e a concórdia na sociedade familiar, civil e mesmo internacional.

Alias, esse amor operoso da paz é, com freqüência, apresentado nas Sagradas Escrituras como nota característica da Nova Aliança. Isaias saúda o Messias como Príncipe da paz (cf. Is. 9, 6). E de modo geral os tempos messiânicos são enaltecidos como uma época de concórdia e tranqüilidade em que todos usufruem serenamente os benefícios da Redenção.

Fiel ao seu Divino Fundador, a Igreja, ao glorificar seus Santos, salienta, sempre que o caso ocorre, as obras deles em prol da pacificação dos espíritos. Assim, com Santo Irineu — cujo nome estava a indicar-lhe tal missão — com Santa Isabel de Portugal, com Santa Margarida de Cortona (1), com São Luís de Gonzaga, etc.

*

Tudo isso é muito real. Mas, precisa ser bem entendido, como, de resto, todos os ensinamentos e exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Do contrario, lançaríamos o Divino Salvador em contradição consigo mesmo.

De fato, mais de uma vez tomou Ele atitudes e ensinou doutrina na aparência bem pouco pacíficas. Diríamos que usou de violência e pregou a discórdia. Por duas vezes, pela Páscoa, expulsou os vendilhões do Templo com indignação e cólera, improvisando um chicote de cordas, derrubando mesas, espalhando moedas, espantando pombas, fazendo um tumulto enfim (cf. Jo. 2, 13; Mt. 21, 12; Mc. 11, 15; Lc. 19, 45). Porque não procurou pacificamente entrar em entendimento com aqueles mercadores e banqueiros? Não estavam eles ali para auxiliar o povo, facilitando-lhe a aquisição dos animais necessários para o sacrifício, e a troca da moeda profana pela única aceitável no pagamento da espórtula devida ao Templo? E não se achavam propriamente no santuário, mas no pavimento exterior!...

Noutra ocasião, prega Jesus a desavença e a guerra: "Não julgueis, diz Ele, que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do seu pai, e a filha da sua mãe, e a nora da sua sogra" (Mt. 10, 34-35).

Como conciliar o titulo de Príncipe da paz, dado Àquele que beatifica os pacíficos, os amantes e fautores da paz, com o exemplo e as palavras de violência e discórdia desse mesmo Príncipe da paz?

*

A Escritura diz que não há paz para os ímpios (cf. Is. 48, 22; 57, 21). Existe, portanto, uma classe de homens excluídos da paz. Por quê? Porque não realizam as condições necessárias para esta. Em outras palavras, a paz depende de condições, e pacíficos operosos, aqueles que o Divino Mestre beatifica, são justamente os que se

(continua)



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