Catolicismo - Acervo
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As mãos habilidosas de um entalhador preparam uma bela peça decorativa. A dignidade do trabalho manual salta aos olhos nesta gravura. Constitui um dos mais altos títulos de gloria da Encíclica "Rerum Novarum" o haver proclamado em termos de uma firmeza e precisão lapidar todo o apreço que a Igreja vota ao operário.

A Revolução, hábil em interpretações sofisticas, se tem empenhado, nas sete longas e tormentosas décadas que nos separam da promulgação do grande documento, em desnaturar até o ensinamento de Leão XIII, apresentando-o como instrumento da luta de classes. É para cooperar na eliminação deste equivoco que, no 70° aniversário da "Rerum Novarum", "Catolicismo" publica o presente artigo.

A ENCICLICA RERUM NOVARUM FAZ 70 ANOS

Cunha Alvarenga

Há setenta anos passados, a 15 de maio de 1891, publicava o Papa Leão XIII a Encíclica "Rerum Novarum" sobre a condição dos operários. Longe de haverem perdido sua eficácia, como pretendem certos novadores, para os quais a doutrina pontifícia somente é aplicável à realidade dos novos tempos quando chegada pelo último correio aéreo, os ensinamentos contidos nesse memorável documento continuam palpitantes e vivos. Dizia Bossuet ser o tempo o fiel intérprete das profecias. Com o decorrer dos anos, presenciamos o cumprimento das previsões do imortal Pontífice que escreveu, ao completar vinte e cinco anos de reinado, que a sociedade contemporânea, "já fortemente abalada do ponto de vista moral e material, marcha para destinos ainda mais tristes, pelo abandono das grandes tradições cristãs, seguindo a lei da Providência, confirmada pela História, de que não é possível calcar aos pés os grandes princípios religiosos sem solapar consequentemente as bases da ordem e da prosperidade social" (Encíclica "Parvenu à la 25e Année", de 19 de março de 1902).

Afirmava São Pio X que a civilização não mais está para ser inventada. "Ela existiu, ela existe: é a civilização cristã, é a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade" (Carta Apostólica "Notre Charge", de 25 de agosto de 1910). Leão XIII proclama esta verdade em linguagem não menos incisiva: "A sociedade civil foi essencialmente renovada pelas instituições cristãs", e está fora de dúvida que "esta renovação teve por efeito elevar o nível do gênero humano ou, para melhor dizer, chamá-lo da morte à vida e guindá-lo a um alto grau de perfeição, como não se viu semelhante nem antes nem depois, e não se verá jamais em todo o decurso dos séculos; que, enfim, destes benefícios foi Jesus Cristo o princípio e deve ser o seu termo: porque assim como tudo partiu dEle, assim também tudo deve ser-Lhe referido" (Encíclica "Rerum Novarum").

Eis porque acrescenta Leão XIII: "Se a sociedade humana deve ser curada, não o será senão pelo regresso à vida e às instituições do Cristianismo. A quem quer regenerar uma sociedade qualquer em decadência, se prescreve com razão que a reconduza às suas origens" (doc. cit.).

UMA GRANDE ENCÍCLICA MAL INTERPRETADA

Ora, indiferentes a que o Papa tenha solenemente declarado que a sociedade contemporânea, ao seu tempo já fortemente abalada, marchava para destinos ainda mais tristes, não são poucos os que hoje sustentam que, apesar de despiciendos senões, tudo se passa no melhor dos mundos possíveis. Fechando os olhos à decadência a que alude a "Rerum Novarum", são atualmente verdadeira legião os que consideram, pelo contrário, que a humanidade emerge de uma idade infantil, ingênua, cheia de mazelas e de imperfeições, e entra na idade madura em que os povos, sacudindo a antiga tutela religiosa, política e social, se tornam independentes e livres. Os chamados "ganhos históricos" vão se acumulando gradativamente, evoluindo sempre a sociedade humana para novas fases, que constituem um progresso em relação às precedentes.

O socialismo, segundo tal esquema "progressista", teria surgido no horizonte da História como uma reação contra o liberalismo, embora este tivesse representado uma vantagem sobre o obscurantismo vigente antes da Revolução Francesa. E, desse modo, à ultrapassada etapa liberal, que era individualista e ainda trazia em seu seio os restos do egoísmo herdado de épocas pretéritas, sucederia hoje a etapa socialista, em que uma rígida disciplina "comunitária" substituiria, com vantagem, os chamados interesses "privatistas". Mesmo porque, sustentam esses progressistas quando católicos, uma organização político-econômica socialista seria até muito mais fácil de ser batizada pela Igreja do que um estado de coisas liberal.

Ora, haverá na realidade essa oposição entre liberalismo e socialismo? Estariam esses dois erros em contradição um com o outro, erguendo-se o socialismo como o destruidor das aberrações do liberalismo? Eis um tema que bem se presta para um estudo despretensioso, dentro dos limites de um artigo de jornal, e de que queremos tratar para mostrar aos nossos leitores como o pensamento de Leão XIII se acha inteiramente afastado das construções verbais engendradas por certos

(continua)



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