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A FORMAÇÃO DOS SEMINARISTAS EM FUNÇÃO DOS PROBLEMAS DO MUNDO DE HOJE

Roma recomenda ao Clero atual o espírito comunicado por São Vicente de Paulo aos Padres que ele formava

Em seu no 106, de outubro de 1959, publicou "Catolicismo" trechos de uma carta circular em que a Sagrada Congregação dos Seminários e Universidades se dirigia ao Episcopado católico, a propósito do centenário da morte do Santo Cura d'Ars, sobre "algumas questões relativas à formação eclesiástica", consideradas em função do luminoso exemplo dado por aquele grande Santo.

Esta folha observava então que, "se bem que o texto se refira propriamente a problemas da formação e do apostolado sacerdotais, fundamenta-se em princípios superiores que também têm — guardadas todas as proporções — uma aplicação importante no campo, especificamente diverso, do apostolado dos leigos, e na formação dos militantes dos vários quadros da AC, como as Congregações Marianas, a JUC, a JEC, a JOC, etc." Por isso é que nos parecia útil transcrever parte do importante documento, certos de que "o leitor brasileiro, habitualmente vivaz e ágil, não terá dificuldade em fazer as necessárias adaptações desses altíssimos conceitos ao que lhe convém meditar como apostolo leigo, dócil colaborador da Sagrada Hierarquia".

As mesmas considerações nos levam a reproduzir agora alguns tópicos de outro documento relevantíssimo, que se propõe "continuar e completar" o primeiro.

Trata-se de nova carta do Sagrado Dicastério ao Episcopado de todo o mundo, "sobre alguns problemas importantes de formação eclesiástica".

Datada de 27 de setembro de 1960, terceiro centenário da morte de São Vicente de Paulo, nela o Emmo. Cardeal José Pizzardo, Prefeito daquela Sagrada Congregação, apresenta "à consideração de quantos trabalham na obra divina de assistir amorosamente os que foram chamados a exprimir em si a fisionomia do Mestre, a vida de um Santo que, pode dizer-se, foi cópia perfeita de Jesus Cristo, Eterno Sacerdote". E observa:

"Nem julgamos propor um modelo anacrônico: se as condições espirituais do Clero e da formação eclesiástica são, graças a Deus, muito diversas daquelas em que o Santo desenvolveu a sua vigorosa obra reformadora, permanecem no entanto sempre válidas as normas que foram o fermento da sua múltipla ação, inspirada sempre nos valores eternos do Evangelho".

Os trechos do documento que oferecemos à meditação dos leitores são tirados diretamente do texto oficial em português enviado aos Exmos. Srs. Bispos do Brasil. Apenas, substituímos pela respectiva versão portuguesa as citações que a carta faz, em latim, das Encíclicas "Ad Catholici Sacerdotii" e "Divini Illius Magistri"; outrossim, acrescentamos subtítulos para facilitar a percepção dos aspectos mais úteis aos apóstolos leigos.

A presente publicação devia fazer-se em julho último, para comemorar a festa litúrgica de São Vicente, que ocorre no dia 19 daquele mês. A oportunidade de divulgar em primeira mão a recente Carta Pastoral do Exmo. Revmo. Sr. Bispo Diocesano levou-nos a alterar aquela programação.

SELEÇÃO, FUNÇÃO ESSENCIAL DO SEMINÁRIO

Depois de uma introdução a respeito da espiritualidade sacerdotal de São Vicente de Paulo, e de um tópico que expõe o pensamento do Santo sobre o problema da seleção dos candidatos ao Sacerdócio, escreve a Sagrada Congregação:

"O Seminário tem de ser, com efeito, senão um lugar de seleção e de formação, no qual os Superiores são encarregados pela autoridade da Igreja de descobrir os que verdadeiramente são chamados por Deus para os levar àquele grau de perfeição exigido pelo cumprimento frutuoso do seu futuro ministério. Seleção e formação são, portanto, dois momentos essenciais e imutáveis da instituição: e a Igreja espera que sejam fielmente observados, quaisquer que sejam os tempos e as circunstâncias. É também verdade que Ela, movida pela Sabedoria Incriada, dispõe suavemente as coisas em ordem ao fim a atingir, escolhendo os meios mais oportunos que as novas conjunturas vão aconselhando; nunca, porém, poderá transigir no essencial, sobretudo quando se trata dos Seminários, de cujo bom ou mau funcionamento depende o seu esplendor ou a sua decadência".

NOTAVEL DESEQUILIBRIO ENTRE MATURIDADE PSÍQUICA E FÍSICA, EM JOVENS DE HOJE

E mais adiante, depois de desenvolver o tema da verificação da vocação: "Para avaliar retamente de uma vocação, é indispensável chegar ao conhecimento da personalidade completa do sujeito. Na verdade, muitos erros se podem cometer considerando qualidades e capacidades, inépcias e defeitos isoladamente e não como manifestações de uma pessoa determinada, dentro da qual, e só assim, eles recebem o seu valor próprio. Por conseguinte, ao julgar as vocações dos candidatos ao Sacerdócio, não se deve partir do fato isolado, para concluir a existência de uma vocação, mas deve fazer-se o esforço de ver o homem na sua totalidade, para depois lhe explicar e avaliar adequadamente as características particulares. E dado que a índole de cada um constitui o elemento fundamental de onde uma personalidade recebe as suas luzes e sombras, o maior esforço do educador deve tender a individuar e a estudar profundamente o caráter dos seus alunos, atribuindo a máxima importância àquela energia, capaz de tão grandes recursos, que se chama vontade. Certas naturezas brilhantes, por exemplo, podem fazer, num primeiro momento, a melhor impressão; mas, faltando-lhes, muitas vezes, a constância, e não suportando o esforço, e sem a necessária capacidade de resistência, não saberão amanhã superar as grandes dificuldades da vida, vítimas de uma corrente vertiginosa, mais forte do que as suas modestas capacidades volitivas. Outras vezes, um exame cuidadoso pode demonstrar injustificada a estima concedida a jovens muito piedosos, ao menos de uma piedade devocional, que não sejam dotados, por outro lado, de boas qualidades a apoiar aquela. Pode tratar-se de uma piedade aparente, refúgio inconsciente da pobreza espiritual e intelectual, que, uma vez mudado o ambiente, demonstrará toda a sua debilidade.

Queremos insistir em que os educadores vigiem especialmente as naturezas inconstantes, para discernir se se trata apenas da inconstância própria da idade juvenil, particularmente notável nos anos da maturação física, ou se é, ao contrário, constitucional, própria de alguns jovens que se aplicam a mil coisas sem nenhuma levar a termo, irritáveis até ao excesso, sempre pendulantes e indecisos, e que fazem, por conseguinte, pensar num fundo neurótico de tais manifestações. Estes temperamentos — que não têm culpa do seu estado, vítimas de um mundo agitado até ao paroxismo — não são certamente os mais aptos para a milícia sacerdotal que exige têmperas sãs e robustas, prontas a tudo sofrer e a tudo ousar pelo reino de Deus.

O aluno deve, portanto, ser examinado a fundo, quer na sua personalidade, quer nas múltiplas manifestações desta, sobretudo na variadíssima gama da esfera psíquica e emotiva. Deste mundo espiritual, onde o encontro do homem com Deus atinge os cumes da responsabilidade pessoal, deve o educador aproximar-se com reverente delicadeza, humildemente, pronto a ouvir, a esperar e a pedir a Deus que se digne manifestar a sua vontade. Os meios sobrenaturais devem, por certo, ocupar o primeiro lugar, mas não se podem pôr de lado os subsídios que a arte pedagógica e a psicologia podem oferecer neste campo; e quando não chegue a experiência própria, interrogue-se o especialista, sem todavia ceder a doutrinas ou práticas que não sejam conformes aos princípios da moral católica. As cautelas num campo tão delicado nunca serão demasiadas; tanto mais que, como advertem competentes psicólogos, os jovens do nosso tempo apresentam muitas vezes um notável desequilíbrio entre a maturidade psíquica e

(continua)



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