Catolicismo - Acervo
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Diante desta imagem — obra de um mestre desconhecido da Umbria — Santo Inácio de Loyola redigia as Constituições da Companhia, terrível e admiravelmente contrarias aos erros do seu tempo. No decurso do trabalho, narra ele, "considerava muitas vezes a Santíssima Virgem, como Ela intercedia por mim junto de Deus, ou como me aprovava". Foi com o auxílio de Nossa Senhora que venceu todos os obstáculos. Em Fátima, Maria ergueu sua voz para fustigar os erros hodiernos. Ela protege contra todos os ardis do adversário, inclusive o pior deles que é a conspiração do silencio, os que se levantam no século XX para proclamar a verdade "opportune et inopportune". — Neste mês de maio, consagrado a Nossa Senhora, ponhamos, a exemplo de Santo Macio, toda a nossa confiança nEla, para a obtenção da grande vitória que só Ela pode alcançar para a Igreja de Deus.


CONJURAÇÃO DO SILÊNCIO CONTRA VOZES EPISCOPAIS

Cunha Alvarenga

A qualquer espírito observador não podem passar despercebidas duas atitudes convergentes de certos órgãos de divulgação cuja influência se faz sentir em todos os recantos da terra. De um lado, move-se uma porfiada campanha de silêncio em torno de determinados fatos que, assim ocultados, dão lugar a uma visão incompleta e desfigurada do mundo contemporâneo. De outro, dá-se ampla publicidade a certo tipo de fatos que, postos em tal destaque, também poderosamente concorrem para apresentar um quadro parcial e errôneo da realidade. Note-se que nem sempre o que tal publicidade espalha pelos quatro pontos cardiais é em si mesmo pernicioso ou errado. Imaginemos um repórter que, vivendo ao tempo em que o Divino Salvador passou por este mundo, fornecesse copioso noticiário sobre o episódio da adultera salva dos que iam lapidá-la e omitisse o dos vendilhões expulsos a chibata do Templo, bem como divulgasse amplamente o título de amigo dado a Judas no Horto e ocultasse as invectivas do Filho de Deus contra a perfídia dos fariseus, e assim por diante. O menos que se poderia dizer é que tal repórter seria responsável por uma versão completamente deturpada da divina mensagem que nos oferece o Novo Testamento.

Foi para combater essa visão unilateral dos dados que nos foram transmitidos pela Sagrada Escritura e pela Tradição, que «Catolicismo» criou a secção «Verdades esquecidas», cujo valor e oportunidade são atestados pelo grande interesse que ela vem despertando entre os leitores.

PLURALISMO MODERNISTA

A julgar por uma certa tendência de comodamente armar no mundo nossas tendas, ocultando as verdades duras e amargas que nos lembram nossa condição de degredados sobre a terra, haveria uma antinomia entre os princípios evangélicos. Mas, só uma visão superficial ou facciosa é que pode achar contradição entre uma Santa Teresinha e um Santo Inácio de Loyola, ou entre um São Francisco de Sales e o dominicano inquisidor São Raimundo de Penaforte. Confessamos uma só fé e um só batismo, aceitando integralmente a doutrina da Igreja, sem acréscimos espúrios nem mutilações ditadas por um falso espírito de caridade. Por isso mesmo que a caridade é a maior das virtudes, sua contrafação é o maior dos horrores e o maior dos ultrajes em face da pura Caridade que é Deus Nosso Senhor.

Mas, além das «verdades esquecidas» há os «fatos esquecidos», como dizíamos, e aliás uma coisa se acha presa à outra. Citemos alguns exemplos significativos.

Apesar de claramente condenado por São Pio X o ideal modernista de estabelecer sobre a terra «o reino da justiça e do amor» «com operários vindos de toda parte, de todas as religiões ou sem religião, com ou sem crenças, contanto que se esqueçam do que os divide: suas convicções religiosas e filosóficas» (Carta Apostólica «Notre Charge Apostolique»), este erro assumiu nova roupagem: a de «sociedade pluralista». Ora, o Santo Padre Pio XII, por ocasião do Natal de 1957, brindou o mundo com uma Mensagem na qual mostrava a amargura da existência caótica do homem moderno como consequência de sua rebeldia contra a ordem e a harmonia impressas por Deus na criação («Catolicismo», nos 87 e 88, de março e abril de 1958). Nesse extraordinário documento, que não teve nem de longe a ampla publicidade que merecia, mas que, pelo contrário, foi votado a um estranho olvido, vamos reencontrar a mesma verdade lembrada por São Pio X, desta vez expressa nas seguintes claras e insofismáveis palavras: «À ação cristã é tão impossível hoje em dia quanto outrora, renunciar a seu título e caráter unicamente porque alguns veem na sociedade humana atual uma sociedade dita pluralista, dividida pela oposição de mentalidades inabaláveis em suas posições respectivas e incapazes de admitir uma colaboração que não se estabeleça sobre o plano simplesmente «humano». Se este «humano» significa, como parece, agnosticismo para com a Religião e os verdadeiros valores da vida, todo convite à colaboração equivaleria a um pedido de abdicação, em que o cristão não pode consentir. De resto, de onde este «humano» tiraria a força de obrigar, de fundamentar a liberdade de consciência para todos, senão do vigor da ordem e da harmonia divina? Este «humano» acabaria por criar um «ghetto» de novo gênero, mas privado de caráter universal».

GRAVES PERIGOS PARA A UNIDADE NA VERDADE

Outro «fato esquecido» ou pouco comentado, quando tanto se escreve e se fala sobre uma incondicional união dos povos à base de um vago humanitarismo de que é representante típico o Rearmamento Moral, foi a publicação da Carta Pastoral Coletiva do Episcopado Argentino, de 21 de outubro de 1955, na qual são condenadas certas teorias do Sr. Jacques Maritain, tais como seu «humanismo integral e teocêntrico» e seu «Estado leigo vitalmente cristão». Dois anos antes do Santo Padre Pio XII fazer referência ao «ghetto» no qual o pluralismo humanista tenta confinar os católicos, assim se expressava o Episcopado Argentino:

«Dificilmente se concebe que católicos, às vezes em maioria, que procuram com reta intenção dilatar o Reino de Deus, levar e aproximar as almas para Deus, buscando a unidade, sintam necessidade de prescindir doutrinariamente de Jesus Cristo e de sua Igreja como se, em vez de centros de salvação e união, fossem motivo de desunião; esses tais preferem, como doutrina salvadora, um «humanismo» que chamam integral e teocêntrico, acrescentando que é de inspiração cristã, qualificação essa que aumenta a confusão e a desorientação neles mesmos e em seus discípulos. Por «inspiração cristã» entendem que não se pode negar a influência civilizadora do Cristianismo na estruturação do mundo ocidental e que nos princípios evangélicos estarão sempre presentes fermentos capazes de transformar as instituições atuais em outras mais justas e conformes à dignidade da pessoa humana, — mas deixam bem claro que como organização não aderem a dogma teológico algum, embora sejam católicos em grande maioria os que assim intentam atuar o humanismo integral teocêntrico, sustentando a explicação social, política, educacional e econômica dos elementos contidos na mensagem evangélica, e buscando, em síntese, a

(continua)



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