Catolicismo - Acervo
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TRABALHADORES DO MERCADO DE PARIS.

Ferve nestes semblantes a luta de classes, na qual são os próprios operários os primeiros prejudicados.

LUTA DE CLASSES

E "PROGRESSISMO" CATÓLICO

Cunha Alvarenga

Uma das mais salientes características do chamado «progressismo católico» vem a ser a aceitação da luta de classes rigorosamente no sentido em que os marxistas a entendem. Assim é que um Sacerdote (e como dói dizer que é de um Sacerdote esta afirmação!), em entrevista ao órgão oficial da União Metropolitana de Estudantes do Rio de Janeiro, não teve dúvida em afirmar: «Penso que nunca insistiremos suficientemente na necessidade de denunciar a harmonia natural, a colaboração das classes» (em «O Metropolitano», de 17 de julho de 1960). Segundo essa corrente progressista, só a luta de classes fará com que se destruam as injustiças da atual estrutura social. Outros não chegam tão longe, mas pelo seu modo unilateral de pugnar pelos direitos da classe operaria, atingem o mesmo objetivo prático desse progressismo, que é a abertura de um fosso cada vez maior entre patrões e empregados, pois a tanto equivale mostrar sempre o capitalista ou empreendedor como lobo perverso e voraz, e os trabalhadores como inofensivas ovelhas vítimas dele.

Ora, segundo a doutrina social da Igreja, a luta de classes é completamente oposta à razão. Patrões e operários não formam duas classes por natureza inimigas uma da outra. «Pelo contrário, diz Leão XIII, é certíssimo que assim como no corpo se unem membros entre si diversos, e de sua união resulta essa disposição de todo o ser que bem poderíamos chamar simetria, assim na sociedade civil a natureza ordenou que aquelas duas classes se juntem concordes entre si e se adaptem uma à outra de modo que se equilibrem. Necessita uma da outra inteiramente; não pode existir capital sem trabalho, nem trabalho sem capital» (Encíclica Rerum Novarum). E não foi por outra razão que São Pio X em seu Motu Proprio de 18 de dezembro de 1903 lembrava que Nosso Senhor Jesus Cristo quis enlaçar todos os homens com o vínculo do amor recíproco, pelo que os escritores católicos deviam «guardar-se, ao patrocinar a causa dos proletários e pobres, de usar linguagem que induza o povo à aversão às classes superiores da sociedade».

VIVEMOS AINDA EM PLENO LIBERALISMO ECONÔMICO?

Compreende-se que os adeptos da linha marxista-leninista confundam todo e qualquer empreendedor industrial ou proprietário de terras com os inimigos natos do proletariado para os quais só resta o caminho da desapropriação ou do paredón. Mas é de se estarrecer que escritores que se declaram católicos cheguem a dizer que «devia haver uma bem-aventurança para os que desacatam o patrão capitalista» (Luiz Santa Cruz em «O Diário de Notícias», do Rio de Janeiro, de 21 de março de 1948).

Fala-se de capitalistas e capitalismo como se ainda vivêssemos em pleno século XIX, dentro do mais negregando liberalismo econômico. A verdade é que este último, nos dias que correm, é um monstro bem morto e enterrado, tendo passado a existir unicamente no papel de fantasma destinado a alimentar a demagogia socialista. E o lamentável é que na linguagem corrente, mesmo de muitos que pretendem se apoiar na doutrina social católica, perdura a confusão dos erros acidentais do regime capitalista, que a Igreja reprova, com a sua essência, que Ela plenamente aceita como conforme à razão. É essa confusão, proposital ou fruto da ignorância, que deixa passar sem um protesto os atentados que se cometem contra o fundamento, não somente do regime capitalista, mas de qualquer ordem econômica sadia, que vem a ser o direito que têm os homens de usar, gozar e consumir, rationabiliter, seus próprios bens.

Se uma das características do regime capitalista é a existência, de um lado, do capital, e, de outro, do trabalho, unidos ambos em justa convenção, vemos que essa liberdade de organização da vida econômica sofre hoje terríveis peias. Assim é que quem dita atualmente a política salarial das empresas são os órgãos estatais para isso especialmente criados, e não os capitalistas proprietários. Se os preços, no regime do capitalismo liberal, decorriam da lei da oferta e da procura e do jogo da livre concorrência, a intervenção do Estado tanto no comercio exterior quanto no mercado interno veio transformar os órgãos governamentais incumbidos dessa tarefa nos verdadeiros ditadores da vida econômica da nação. Isto sem nos referirmos às normas restritivas emanadas do Estado quanto ao crédito, quanto à percepção de rendas, e no campo do cada vez mais avassalador poder tributário. E em lugar de responsável pela boa ordenação do meio circulante, a fim de que a moeda acompanhe as necessidades dos bens e serviços de toda a nação, o Estado nos dias que correm é o maior provocador do flagelo inflacionário, pelas emissões desordenadas destinadas a alimentar a monstruosa máquina burocrática e planos faraônicos ditados o mais das vezes por critérios políticos e de sabor totalitário. Também o cambio negro é fruto do excessivo intervencionismo estatal, através dos tabelamentos arbitrários, e seria coisa rara no regime de economia livre. Ao mesmo tempo o Estado vai se transformando cada vez mais em patrão-empreendedor, enveredando a passos largos para realizar o socialismo na vida econômica, sobretudo nos setores dos serviços de utilidade pública, das chamadas indústrias de base, das fontes de energia, etc.

DESTRUIÇÃO DA CLASSE MEDIA

Mas onde essa intervenção do Estado se mostra sobretudo é no setor das relações entre empregadores e empregados. A lei da estabilidade no emprego, por exemplo, visando embora o louvável objetivo de assegurar contra atos arbitrários do patrão os assalariados com certo tempo de serviço, contém disposições tão hirtas e ininteligentes, que redunda em consideráveis prejuízos para a economia nacional, para o patrão e para o próprio trabalhador. Nos termos em que está vazada, a lei permite aos elementos menos esforçados do operariado manter impunemente um ritmo de produção inferior ao normal, com prejuízo para a produtividade do trabalho nacional, o que por sua vez

(continua)



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