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Lux fulgebit hodie super nos, quia natus est nobis Dominus: cuíus regni non erit tinis...

Cunha Alvarenga

Canta a Sagrada Liturgia na festa do Natal (intróito da 2.q Missa). Desce dos Céus o Redentor com as mãos cheias de misericórdias. Alegra-se, engalana-se a humanidade para receber Aquele que é o "Rei imortal dos séculos" (1 Tim. 1, 17), no qual "habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Col. 2, 9). Dissipam-se as trevas que cobriam o orbe terrestre, ao advento dAquele que é "a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo" (Jo. 1, 9). Cessam as vozes dos Profetas da Velha Lei, e Deus nos fala. "por meio de seu Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem criou também os séculos" (Heb. 1, 1).

O esplendor e a alegria desta primeira vinda do Verbo Encarnado, na plenitude dos tempos, para tomar posse de sua herança, assinalam o ponto culminante da História, e esse portentoso mistério derrama sua luz sobre toda a humanidade, fazendo surgir no horizonte aquela aurora da Redenção pela qual suspiraram todos os justos do Antigo Testamento. A quebra dos grilhões do pecado, ao qual a humanidade estava escravizada, é penhor sobretudo do acesso ao Reino de Deus e à sua Justiça, mas também a tudo mais que representa aquele acréscimo de que nos fala Nosso Senhor no Sermão da Montanha (cf. Mat. 6, 33).

O Redentor do mundo é Senhor de toda a criação. A Ele foi dado "todo poder no Céu e na terra" (Mat. 28, 18). Vem de Deus toda a autoridade que existe entre os homens, tanto na ordem espiritual quanto na ordem temporal. Igreja e Estado são duas sociedades perfeitas que visam ao bem comum sobrenatural e natural de todas as criaturas humanas. E em cada uma destas não podemos violentamente separar a alma do corpo, como pretende a escola de Hobbes, precursora e mestra do totalitarismo hodierno: "À Igreja o espírito; ao Estado a matéria". Não se pode conceber um Estado puramente ocupado da ordem material, nem uma Igreja ocupada puramente da ordem espiritual: estamos diante de uma sociedade de homens, e não de coisas; estamos diante da Igreja do Verbo Encarnado, e não de um fantasma. Sonharam sempre as heresias maniquéias com uma Igreja pneumática, suspensa nas nuvens, sem contato com as coisas terrenas, do mesmo modo que os neomaniqueus de nossos dias imaginam o indivíduo preso às forças telúricas e a pessoa humana livre de peias materiais e reportando-se diretamente a Deus.

Ao contrario dessas divagações gnósticas, prega a Santa Igreja o dogma da ressurreição da carne e considera o nosso corpo como templo do Espírito Santo. A "Igreja de Deus vivo, coluna e fundamento da verdade" (1 Tim. 3, 15), não é, por certo, obra dos homens. Devemos considerá-la como a viu São João, "a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do Céu, de junto de Deus" (Apoc. 21, 2), trazida pelo Salvador do mundo para distribuir os frutos da Redenção. Acentuemos porém que, embora Ela caminhe, em virtude de sua missão espiritual, com os olhos voltados para o Alto, seus pés se acham na terra, onde dirige a caminhada dos filhos de Deus para a felicidade eterna.

E, assim, por seu aspecto militante, não pode a Santa Igreja declinar de seu direito de intervir nos negócios do século, quando se trata de mal a evitar ou reprimir, ou de

(continua)



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