Catolicismo - Acervo
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Dominus conservet eum

O Papa reza... Sua fisionomia recolhida e preocupada bem exprime quanto lhe pesa a solicitude de todas as Igrejas. Por sua vez os fiéis, preocupados com a saúde do Supremo Pastor, erguem a Deus a conhecida prece: "Dominus conservet eum, et vivificet eum..."

É POR AMOR DE CRISTO JESUS QUE NOS É DADO NÃO SOMENTE CRER NELE, MAS AINDA SOFRER POR ELE

Cunha Alvarenga

Mais um ano que se finda e que nos faz olhar para trás, em um esforço para repassar na memória, em seus acidentes mais expressivos, o caminho percorrido. Mais um ano que se inicia e que nos leva a conjecturar, confiantes, quais os novos contornos, ocultos na nevoa do futuro, que assumirá a luta a que nos obriga nossa condição de membros da Igreja militante.

A abertura do Concilio Ecumênico foi, sem dúvida, o grande acontecimento de 1962, que se vai projetar sobre o ano novo, e que enche de esperanças todas as almas que veem no Grande Retorno a única solução para a crise do mundo moderno. Infelizmente, sobre os últimos e inolvidáveis dias dessa Assembleia universal, em sua primeira fase, foi lançada a sombra da moléstia do Santo Padre João XXIII, gloriosamente reinante, que despertou em toda a Igreja um vivo e afetuoso sentimento de tristeza e de ansiedade. Para o restabelecimento completo do Augusto Pontífice, acompanhado de longos anos de vida, sobem aos Céus as orações de toda a Cristandade, às quais "Catolicismo" une fervorosamente as suas.

* * *

Esta nota de tristeza e de apreensão em meio ao jubilo universal provocado pela convocação deste santíssimo Concilio, vem oferecer motivo para algumas breves reflexões que desejamos fazer, neste limiar do Ano Novo, sobre um aspecto da atuação da Santa Igreja que não se considera suficientemente. Com efeito, as legítimas alegrias que sentimos nesta terra são apenas uma ligeira e vaga prelibação da perfeita felicidade que somente gozaremos no Céu. A renúncia de si mesmo e a cruz são os dois sinais característicos dos que verdadeiramente se dispõem a seguir as pegadas do Divino Mestre (cf. Mat. 16, 24). E a vida de luta e de provações é a parte que nos toca no mundo como herdeiros de Adão.

Ora, a Santa Igreja Católica foi criada pelo Filho de Deus para conduzir a humanidade ao porto da eterna salvação. Dizia São Paulo que completava em sua carne "o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja" (Col. 1, 24). O mesmo devem fazer todos os membros do Corpo Místico. Em verdade, "a Igreja de Cristo renova cada vez mais em si a vida de seu Divino Fundador, que tanto sofreu, e de certo modo cumpre o que falta ao sofrimento de Cristo. Daí que sua condição de militante sobre a terra é a de viver em meio da tristeza, da luta, da contínua angústia e assim, através de muitas tribulações, entrar no reino de Deus, unindo-se à Igreja triunfante nos Céus" (São Pio X na Encíclica "Communium rerum").

* * *

Neste ano passou despercebido do comum dos católicos o 60° aniversário do último grande documento deixado aos homens pelo Santo Padre Leão XIII. Justamente considerado como o seu testamento público, digno remate de uma serie luminosa de sábios ensinamentos, a Encíclica "Annum ingressi" é mais conhecida sob o nome de "Parvenu à la 25e Année", que são as palavras iniciais do seu texto francês. Publicada a 19 de março de 1902, nela vamos encontrar, em confirmação destas verdades, a seguinte referência às origens da guerra encarniçada que as forças do mal movem contra a Igreja no mundo moderno: "A Santa Igreja de Cristo teve de suportar em todos os tempos contradições e perseguições pela verdade e pela justiça. Instituído pelo próprio Cristo para propagar no mundo o reino de Deus e, à luz da lei evangélica, guiar a humanidade decaída para um destino sobrenatural —isto é, para a aquisição dos bens imortais prometidos por Deus, mas superiores às nossas forças — não poderia Ela deixar de entrar em choque com as paixões herdadas da antiga decadência e corrupção, ou seja, com o orgulho, a cobiça e o amor desenfreado dos gozos terrenos, bem como com os vícios e as desordens que daí procedem, e que na Igreja encontraram sempre o mais poderoso freio. O fato destas perseguições não poderá causar-nos espanto, porque foram elas preditas pelo Divino Mestre para ensinamento nosso, e sabemos que durarão enquanto durar o mundo".

Fizemos, linhas acima, alusão a palavras de São Pio X sobre os sofrimentos inerentes ao caráter militante da Santa Igreja. Foram elas escritas a propósito do comentário de Santo Anselmo ao trecho do Evangelho que diz: "Jesus obrigou os seus discípulos a subirem para a barca" (Mat. 14, 22). Segundo a interpretação mística do santo Primaz da Inglaterra e Doutor da Igreja, tal passagem descreve sumariamente o estado da Igreja desde a vinda do Salvador até o fim do mundo. "A barca "era batida pelas ondas no meio do mar" — escreve Santo Anselmo —enquanto Jesus permanecia no alto do monte. Porque, enquanto o Salvador sobe ao Céu, a Santa Igreja permanece agitada por grandes tribulações neste mundo, batida por diversas tempestades de perseguições, oprimida pela variada perversidade e tentada de muitos modos pelos vícios de homens maus. "Porque lhe era contrário o vento", ou seja,

(continua)



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