Catolicismo - Acervo
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"Catolicismo" sente-se honrado em publicar hoje, em tradução portuguesa, o texto integral da conferencia que Sua Eminência o Cardeal Hildebrando Antoniutti pronunciou na aula magna da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma, durante a sessão solene de abertura do ano acadêmico de 1962-1963.

Constituindo um sábio e lúcido apelo a que os filhos da Igreja se mantenham fiéis à sua doutrina autentica, e contendo uma corajosa tomada de atitude contra o comunismo, esse documento merece ser lido e meditado por todos os católicos em nossos dias.

Lutas e triunfos da Santa Igreja à luz do Concilio Ecumênico

Páginas 1 e 4

É com grande prazer que expresso minha intima alegria e viva satisfação ao unir-me a esta seletíssima assembleia, para oferecer uma vibrante e calorosa homenagem ao Augusto Pontífice João XXIII, no fausto aniversário de sua exaltação ao Supremo Pontificado, que a todos nos alegra.

No clima conciliar que penetra, esta Cidade Eterna e que se difundiu como uma nota de jubilo universal por todos os confins da terra, a branca figura do Papa surge com os esplendores da verdade que ilumina, com a riqueza da caridade que une, com a serenidade da paz que conforta.

Resplandecem nele os tesouros pessoais de uma bondade que cativa; nele se manifestam os assinalados dons do altíssimo múnus que exerce com a humildade dos grandes e com a dignidade dos humildes.

A seu redor se sucedem as vicissitudes dos povos, em progresso ordenado nos que são livres e grandes, entre dolorosos martírios naqueles que sofrem injustiças, violências e restrições.

Anjo consolador dos aflitos, defensor bondoso dos oprimidos, juiz imparcial das nações, pai amantíssimo de todos, o Papa orienta o mundo pelo caminho da equidade, da paz da união.

Todos os crentes dirigem seus olhares ao Papa, num gesto de profundo amor e de confiada esperança, vendo em sua pessoa o símbolo da justiça e da caridade, indispensáveis para firmar a ordem e a segurança dos povos e das nações.

Mais do que nunca, porém, os católicos se unem hoje com legítima ufania e com santo entusiasmo em torno do Papa que oferece ao mundo o admirável espetáculo de um Concílio Ecumênico, convocado por inspiração celeste, que se está desenvolvendo em meio a uma exorante e devota expectativa da Cristandade, e se destina a estreitar os laços do bom entendimento entre os povos e a fazer mais sólidas os vínculos da fraternidade cristã, «tornando a mensagem eterna de Cristo cada vez mais accessível aos homens».

Realmente, o Concílio é uma afirmação pública da verdade contra os desvios ideológicos, um autorizado apelo à unidade para diminuir as divisões que nos separam, uma demonstração evidente de caridade num clima de orações que se dirigem ao Céu da parte de todos.

O Concílio Ecumênico nos abre um horizonte universal, em que a Igreja, representada por seus melhores expoentes, se eleva acima das incertas contingências de lugar e de tempo, para orientar sua vida e suas atividades à luz da sagrada e eterna doutrina que é o patrimônio que lhe deixou seu Divino Fundador.

Os Concílios têm sido celebrados, no decurso dos séculos, para pôr fim a controvérsias que agitavam as comunidades cristãs, para devolver a paz ao espírito dos crentes, para esclarecer dúvidas que atormentavam as consciências após períodos de crises e incertezas, para remediar males públicos que afligiam indivíduos e comunidades, para promulgar as leis e normas do reto viver, em consonância com as mutáveis exigências dos tempos, para infundir confiança, e ânimo nos momentos de transformação e de renovação.

A história dos Concílios mostra, assim, a Igreja de todos os tempos, em suas origens, em seu desenvolvimento, em sua expansão, em suas dificuldades internas e externas, em suas lutas, perseguições e sofrimentos, em seus progressos e em suas conquistas e triunfos, fazendo-nos entrar em contato com todo o mundo que Ela representa e com todos os acontecimentos que assinalaram os diversos períodos de sua existência. Com efeito, todos os Concílios recordam dores e aflições, crises de pensamento e, mesmo, perdas morais, tragédias e defecções; porém, constituíram todos também esplêndidos triunfos da Igreja, que saiu deles cada vez mais esplendente, sólida e vigorosa. Com palavras incisivas disse Bossuet: «Reunindo-nos, nos ordenamos; reunindo-nos, nos reformamos; sobretudo, porém, reunindo-nos, atraímos a nós o Deus da paz. Os Apóstolos estavam reunidos quando Cristo ressuscitado saudou-os com o doce Pax vobis» (Jo. 20, 19)».

Convém, entretanto, recordar que a Igreja, guardiã do depósito da verdade, não é uma simples associação cultural; por conseguinte, o fundamentalismo dos que desejariam reduzir suas doutrinas a um mínimo de verdades básicas, contrasta com as exigências da verdade religiosa, que forma um todo absoluto radicado em Deus, que é a verdade mesma, universal, imutável e inconvertível.

A Igreja, que se esforça por assegurar a justa ordem na humanidade, não é apenas uma entidade social; por isso, deve-se rejeitar o sincretismo com que se quereria unir os diferentes grupos de cristãos como formas contingentes da tradição apostólica, ao passo que a doutrina pregada por Cristo se enriquece, não com verdades novas, mas com o gradual desenvolvimento da verdade contida na Revelação.

A Igreja, enfim, não é uma sociedade política; por isto, o federalismo — isto é, a tendência a federar as diversas correntes cristãs — que alguns propõem, não corresponde à oração de Cristo: «Que todos sejam um, como o Pai o é em Mim e Eu no Pai» (Jo. 17, 21).

Disse-o o Papa com magnífico acento, ao afirmar, na alocução do Consistório de 16 de janeiro de 1961, que a Igreja de Cristo espera frutos abundantes do Concílio, «o qual há, de ser um serviço prestado à verdade, um ato de caridade, um exemplo de paz proclamada a todos os povos». A luz destas inspiradas palavras, compreende-se bem que as dissidências ideológicas, as divisões morais e as lutas cruentas ou incruentas que agitaram e agitam a barca de Pedro encontram remédio na Igreja, mercê de sua divina missão:

1) com a verdade doutrinaria, provendo à reconciliação das inteligências;

2) com as reformas morais e sociais para assegurar a elevação dos indivíduos, povos e nações;

3) com a pacificação dos espíritos, após as lutas dolorosas de que Ela foi e ainda é vítima.

O CONCÍLIO REAFIRMA ACIMA DE TUDO A DEFESA DA VERDADE

Tem-se dito que os piores inimigos do Cristianismo não são tanto aqueles que o combatem violentamente, quanto os que o atraiçoam e renegam pondo-o nas mãos dos adversários. E a Igreja teve, desde seus primórdios, membros ambíguos, rebeldes à suprema autoridade, ansiosos de poder, honras e riquezas, desejosos de novidades, que, sentindo-se decepcionados, não se contentaram de abandoná-la, senão que se fizeram seus acusadores e denegridores, falseando a verdade e pregando o erro sob as mais especiosas aparências.

Quantos, infiéis à graça, abandonaram a Igreja converteram-se em seus mais perigosos inimigos. Não derramavam o sangue de seus irmãos, não lhes procuravam a morte temporal, mas comprometiam a vida do espírito. Eram membros inquietos, cheios de soberba, agitados por motivos terrenos ou falsos pretextos, que opunham à corrente cristalina da pregação apostólica obstáculos orientados a afastá-la do reto caminho.

Ao lado dos bons cristãos, dóceis à autoridade divina da Igreja e a seus ensinamentos, formaram-se assim os grupos dos apóstatas e dos opositores à doutrina eclesiástica, os quais pretendiam explicar o mistério de Deus, não à luz da verdadeira doutrina, mas difundindo teorias e criando escolas que desagregaram as fileiras religiosas, introduzindo os germes do erro, numa rebelde exaltação da inteligência humana.

Nas mutáveis vicissitudes da História, com uma metódica e incessante continuidade, o erro foi penetrando sub-repticiamente nas correntes do pensamento cristão. Com diversas gradações e em sucessivas aplicações, o erro ataca desde as raízes a verdade cristã, que é a base da convivência religiosa dos crentes.

Os erros são muitos; porém é impressionante ver e reconhecer que se repetem, em todas as épocas, com uma fastidiosa monotonia, enquanto a verdade una e indivisível da Igreja conserva a fragrância de sua originalidade, o candor de sua luz puríssima, o perfume de sua substância imarcescível.

São de outros tempos os gnósticos e os maniqueus; de outros, os montanistas e donatistas, os arianos e nestorianos. Porém, ainda hoje serpeiam os pitagóricos e esotéricos, os teósofos e espíritas, os naturalistas e positivistas, os existencialistas, os pragmáticos, que fazem reviver, sob as alucinantes formas da cultura moderna, as mórbidas confusões do pensamento transviado, e agitam

(conclui na 4a página)



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