Catolicismo - Acervo
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Rússia: conquistado o poder, os bolchevistas dão início a destruição sistemática das igrejas.

Hungria: última, foto do Cardeal Mindszenty em liberdade, no levante de 1956 (foto NC).

China Popular: sagração de quatro bispos "patriotas", em 1957.

Rússia, Natal de 1949: Stalin substitui a estrela de Belém na capa da revista soviética "Ogoniek".

Espanha: retábulo serve de alvo para os «rojos».

Durante muito tempo — na Rússia como na Espanha, na China como na Hungria, e em tantos outros países — os governos comunistas, sem exceção, se empenharam por vários modos em exterminar a Religião Católica e todos os cultos. Diante disso, a atitude a ser tomada pela Igreja e pelas confissões perseguidas se patenteava clara e simples: cumpria-lhes reagir "à outrance". Ultimamente, porém, segundo os respectivos órgãos de propaganda, alguns desses governos vão adotando para com algumas dessas religiões uma conduta de relativa tolerância. O problema da fixação de uma atitude dos católicos, e dos sequazes de outros credos, em face dessa nova política religiosa vem dando lugar a perplexidades e divisões.
Da solução deste problema depende em grande parte o futuro do mundo.

 

A liberdade da Igreja no Estado comunista

Plinio Corrêa de Oliveira

Os leitores de "Catolicismo" sempre acolheram com interesse os trabalhos versando sobre o problema das relações entre a Igreja e o Estado. Penso, pois, que receberão com simpatia algumas reflexões sobre um aspecto hodierno desse problema, ou seja, a liberdade da Igreja no estado comunista.

Antes de entrar na matéria, parece-nos necessário definir os limites naturais do presente trabalho. Constitui ele um estudo sobre a questão da liceidade da coexistência pacífica entre a Igreja e o regime comunista, em Estados onde esse regime está em vigor.

Esse tema não se confunde com outro, que é o da coexistência pacífica, no plano internacional, entre Estados que vivem sob regimes políticos, econômicos ou sociais diversos. Nem com o das relações diplomáticas entre a Santa Sé e nações sujeitas ao jugo comunista.

Discorrer, ainda que de leve, sobre estes dois temas, que têm cada qual características e perspectivas muito peculiares, importaria em estender por demais o presente estudo. Não os temos, pois, em vista ao longo destas páginas, consagradas exclusivamente a investigar se e em que condições pode a Igreja coexistir, verdadeiramente livre, com um regime comunista.

Isto dito, passemos diretamente à matéria, começando pela análise dos fatos.

I - OS FATOS

1. Durante muito tempo, a atitude dos governos comunistas, não só em relação à Igreja Católica como em relação a todas as religiões, foi dolorosamente clara e coerente.

a) Segundo a doutrina marxista, toda religião é um mito que importa na "alienação" do homem a um ente superior imaginário, isto é, a Deus. Tal "alienação" é aproveitada pelas classes opressoras para manter seu domínio sobre o proletariado. Com efeito, a esperança de uma vida extraterrena, prometida aos trabalhadores resignados como prêmio de sua paciência, atua sobre eles à maneira do ópio para que não se revoltem contra as duras condições de vida que lhes são impostas pela sociedade capitalista.

b) Assim, no mito religioso tudo é falso, e nocivo ao homem. Deus não existe, nem a vida futura. A única realidade é a matéria em estado de contínua evolução. O objetivo específico da evolução consiste em "des-alienar" o homem no que diz respeito a qualquer sujeição a senhores reais ou fictícios. A evolução, em cujo livre curso está o supremo bem da humanidade, encontra pois um sério entrave em todo mito religioso.

c) Em conseqüência, ao Estado comunista, que por meio da ditadura do proletariado deve abrir as vias à "desalienação" evolutiva das massas, incumbe o dever de exterminar radicalmente toda e qualquer religião, e para isto, no território sob sua jurisdição, compete-lhe:

- em prazo maior ou menor - conforme a maleabilidade da população - fechar todas as igrejas, eliminar todo o clero, proibir todo culto, toda profissão de fé, todo apostolado;

- enquanto não for possível chegar inteiramente a este resultado, manter em relação aos cultos ainda não supressos uma atitude de tolerância odienta, de espionagem multiforme e de cerceamento contínuo das suas atividades;

- infiltrar de comunistas as hierarquias eclesiásticas subsistentes, transformando disfarçadamente a religião em veículo do comunismo;

- promover por todos os meios ao alcance do Estado e do Partido Comunista, a "ateizaçao" das massas.

A partir do momento em que a ditadura comunista se instaurou na Rússia, e mais ou menos até a invasão da URSS pelas tropas nazistas, a conduta do governo soviético em relação às varias religiões foi pautada por estes princípios.

Durante toda esta primeira fase a propaganda comunista ostentava aos olhos do mundo inteiro seu intuito de exterminar todas as religiões, e deixava bem claro que, até quando tolerava alguma delas, fazia-o para mais seguramente chegar a eliminá-la.

2. À vista deste procedimento do comunismo, a linha de conduta a ser mantida pela opinião católica também se patenteava simples e clara.

Perseguida "à outrance" em razão de uma visceral e completa incompatibilidade entre sua doutrina e a do comunismo, não podia a Igreja senão reagir "à outrance", por todos os meios lícitos.

As "relações" entre os governos comunistas e a Igreja só podiam consistir numa luta total, de vida e de morte. Cônscia disto, a opinião católica se erguia em cada país como uma imensa falange, disposta a aceitar tudo e até o martírio, para evitar a implantação do comunismo. E, nos países comunistas, os católicos se organizavam para viver numa clandestinidade heróica, à maneira dos primeiros cristãos.

3. De algum tempo para cá, a atitude de certos governos comunistas, em matéria religiosa, parece apresentar novos matizes.

De fato, enquanto em algumas nações sob domínio comunista - a China por exemplo - a atitude dos governos continua inexoravelmente a mesma, em outras como a Iugoslávia, a Polônia e mais recentemente a Rússia, essa atitude parece que se vai modificando gradualmente.

Assim é que, nestes últimos países,

(continua)



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