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O filho pródigo da parábola acabou por não ter como alimento senão as bolotas dos porcos. O homem moderno, tendo abandonado o lar que é a Igreja, em nenhum lugar encontra alimento para sua alma, e tomado de frenético desespero, procura saciar-se no êxtase gnóstico. Para isso duas vias lhe são oferecidas: a meditação sobre o Divino Vazio, à maneira dos monges do budismo zen, ou o uso de drogas alucinatórias, a exemplo dos índios norte-americanos que buscam experiências místicas ingerindo pedaços ressecados de um cactus — o "peyote" — ao longo de um ritual primitivo.

AS DUAS VIAS DE FUGA DO DESESPERO MODERNO

Paulo Corrêa de Brito F.°

Cada vez mais os tóxicos, os barbitúricos, os alcalóides de efeitos alucinatórios, como a mescalina, vão parecendo uma necessidade para o homem moderno dominado pela ânsia de esquecer sua própria despersonalização, o artificialismo da civilização contemporânea e o caráter antinatural de tantas de suas instituições.

Essa é a porta que muitos, como Aldous Huxley, escolhem para fugir desse mundo real transformado sempre mais num vestíbulo do inferno. Não podemos discordar dos toxicômanos de toda ordem, enquanto aborrecem tudo o que há de miserável na realidade concreta deste miserável século XX... Nossa divergência é total, porém, quanto ao meio que empregam para solucionar o problema, pois os entorpecentes lhes preparam, já nesta vida e também para a outra, um inferno pior ainda do que este que tão ardorosamente refogem.

Entretanto, o tóxico está sendo empregado hoje em dia, não só como meio de fuga, mas principalmente para se experimentarem os efeitos «místicos», os «êxtases» que provoca artificialmente. Chega-se a ponto de apresentá-lo como uma espécie de «sacramento», que tornará fácil ao homem atual, através de um novo culto religioso, atingir o Nirvana.

Também os orientais, desde a antiguidade, procuravam fugir da vida concreta e atingir esse Nirvana ou o «Dharma-corporeo» de Buda — em outras palavras, o Vazio, a Divindade — fazendo-o porém pela meditação. Pensar em Nada, esvaziar totalmente o próprio «ego» para se integrar em Nada, que se converte em Tudo, eis a essência da doutrina niilista do budismo, muito em voga, atualmente, em ambientes «intelectuais» e «esclarecidos» do Ocidente...

Parece corresponder a um plano bem urdido, visando a generalização do sonho gnóstico, o fato de que ao homem contemporâneo se apresentam dois meios para realizar o Nirvana, de acordo respectivamente com a propensão sensitivo-emocional ou contemplativo-intelectual: o entorpecente e a meditação niilista.

Aldous Huxley, profeta e simultaneamente construtor desse mundo de amanhã, entrevistado pela imprensa de São Paulo, em 19 de agosto de 1958, mencionou três previsões que enunciara em suas obras, e que se vão realizando em grandes areal do globo. A primeira diz respeito à aplicação sistemática dos reflexos condicionados de Pavlov, como ocorre na China, onde a «lavagem do cérebro» é arma política de inegável eficácia. A segunda se refere à aprendizagem feita enquanto o paciente se encontra em estado de sono leve, — já explorada comercialmente nos EUA. Finalmente, a terceira previsão, que caminha para se concretizar, é a descoberta de uma droga com as propriedades da «Soma» de «Admirável Mundo Novo», a qual tornava os homens invariavelmente «felizes». Lembrou, então, os tranquilizantes modernos, que teriam efeitos semelhantes aos da «Soma».

Huxley poderia ter completado a série com uma quarta previsão, relativa a um fenômeno que também se vai tornando realidade: a infiltração no Ocidente de religiões orientais, como o hinduísmo ascético ou ioguismo e o budismo zen, que se apresentam para satisfazer as apetências dos ocidentais infensos aos entorpecentes e mais inclinados à contemplação. De fato, já são numerosos os mosteiros iogues na Europa e mesmo na América, e tendem a se multiplicar cada vez mais. Por outro lado, torna-se elegante, em muitos círculos literários e sociais do mundo ocidental, a prática do budismo zen.

Eis o título de uma notícia, procedente dos EUA e há pouco estampada num matutino paulista: «Uso de droga índia provoca escândalo na Universidade de Harvard». Sensacionalismo de imprensa — poderiam ter pensado alguns leitores, passando adiante. No entanto, o assunto é, infelizmente, muito mais

(continua)



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