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MARIA SANTÍSSIMA ENTRAVE À UNIÃO?

A devoção a Nossa Senhora foi sempre uma pedra de contradição e também o grande fator de unidade desde os primórdios da Igreja, desde as épocas remotas de que data, por exemplo, esta "Sancta Maria" de mosaico do século V, no Palácio Arquiepiscopal de Ravena.

Cunha Alvarenga

Diz a Divina Sabedoria que «como o barro está nas mãos do oleiro, para este lhe dar a forma e disposição que deseja, e para o empregar nos usos que lhe aprouver, assim o homem se encontra na mão dAquele que o criou, e que lhe dará o destino segundo o seu juízo» (Ecli. 33, l314). Mas se a Providência preside a todos os atos humanos, há acontecimentos históricos em que a intervenção de Deus nos rumos da humanidade se mostra mais acentuadamente. Comemoramos no corrente mês mais um aniversário de um desses momentos decisivos da História, que foi a batalha de Lepanto, na qual os cristãos, em marcada inferioridade de forças, infligiram esmagadora derrota ao Islã. Com efeito, naquele domingo de 7 de outubro de 1571 começou a decadência do império otomano, perdendo os turcos o prestigio que lhes conferia o fato de até aquela data terem sido invencíveis nos mares. E em agradecimento por tamanha graça, instituiu São Pio V, Soberano Pontífice então gloriosamente reinante, a festa do Santíssimo Rosário de Nossa Senhora, pois atribuía à poderosa mediação da Virgem tão assinalada vitoria sobre um dos mais encarniçados inimigos da Cristandade.

O IDEAL DA UNIÃO DOS CRISTÃOS

Estamos diante de um fato histórico cheio de significado para os nossos dias: primeiro, pela razão de também nos acharmos em uma fase crítica da história da Cristandade e, em segundo lugar, porque o supremo remédio a ser usado para debelar tão grave crise continua a ser, hoje como ontem, o recurso à celeste Medianeira de todas as graças.

Assim é que Leão XIII, justamente citado como o Papa da Ação Social, impressionado com o agravamento dos males do mundo moderno e persuadido da verdade de que a questão social é fundamentalmente religiosa, não se cansava de afirmar que a solução desta se encontrava sobretudo nos meios sobrenaturais. Sinal característico dessa convicção vêm a ser as doze Encíclicas que escreveu sobre a devoção do Santo Rosário, na primeira das quais, «Supremi Apostolatus», de 1° de setembro de 1883, ordena que em toda a Igreja se consagre o mês de outubro ao Rosário de Maria para a salvação do mundo, ao mesmo tempo que compara os nossos conturbados dias com aqueles em que viveu São Domingos, quando o maniqueísmo ameaçava submergir toda a Europa cristã, e com os de São Pio V, quando também o Rosário livrou a Cristandade do perigo da invasão maometana.

Dir-se-á que nos achamos em uma época de preocupações ecumênicas, e que devemos pôr de lado esse cuidado com as maquinações dos maus, procurando exclusivamente aquilo que pode unir os homens, e não o que se apresenta como causa de discórdias e de dissensões.

Sem dúvida, todo católico digno deste nome, que procura conformar sua vida com o exemplo deixado pelo Divino Mestre, tem sempre como uma de suas principais aspirações a expansão do Reino de Deus sobre a terra, a fim de que seja cumprido aquele ardente voto da última Ceia «para que sejam todos um» (Jo. 17, 21). Tal anelo de unidade, porém, não vai desacompanhado da firme diretriz de se unirem todos os homens em torno de uma só Fé e de um só Batismo (cf. Ef. 4, 5).

Não é outra a lição dos Evangelhos. Assim, ao dizer Nosso Senhor que sua Carne é verdadeiramente comida, e o seu Sangue verdadeiramente bebida, alguns discípulos escandalizados «tornaram atrás; e já não andavam com Ele». Longe de procurar evitar aquela dispersão, volta-Se o Filho de Deus para os doze que haviam ficado e lhes diz: «Quereis vós também retirar-vos?», provocando em São Pedro aquela magnífica profissão de fé: «Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo. 6, 56-69). Quem, melhor que o Príncipe da Paz, tem a preocupação da unidade, o verdadeiro espírito ecumênico? Entretanto, não atenua nem diminui a verdade para cativar aqueles que acham dura sua linguagem. É que essa união tão desejada não pode basear-se em um equívoco ou consistir em uma Babel doutrinaria.

A SANTÍSSIMA VIRGEM E OS PROTESTANTES

Por todas estas razões, não terá sido sem alvoroço que recentemente os fiéis de certa Paróquia da capital paulista leram no respectivo boletim dominical a notícia da sensação que estaria causando na Europa o livro do teólogo protestante W. Tappolet, «Louvor Marial dos Reformadores». Segundo esse autor, «Lutero, Calvino, Zwinglio e Bullinger (sucessor de Zwinglio) teceram extraordinários louvores a Maria, perfeitamente dentro da doutrina católica, apesar de toda a sua oposição ao Catolicismo romano. Para todos eles Maria é a Mãe de Deus, a Imaculada, o mais perfeito modelo depois de Cristo». Tal novidade é de molde a causar grande alegria pela promissora revelação que ela encerra quanto a existir dentro do protestantismo a possibilidade de uma volta ao culto dAquela que é o canal de todas as graças, entre as quais se acha a do retorno de todos os desgarrados à Casa Paterna.

Na verdade, porém, e infelizmente, um dos

(continua)

CARTA PASTORAL

D. ANTONIO DE CASTRO MAYER

Bispo de Campos

CASTIDADE

HUMILDADE

PENITÊNCIA

CARACTERISTICAS DO CRISTÃO ALICERCES DA ORDEM SOCIAL

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