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Há cinquenta anos

As fotografias tiradas de São Pio X nos últimos anos de seu pontificado refletem tristeza e apreensão profundas. O santo Pontífice via crescerem sob seus olhos dois graves perigos para a Igreja e a Cristandade. E contra esses perigos lutou com virtude heroica. Era de um lado a crise modernista que, instalada no próprio organismo da Igreja, tramava a destruição desta pela revolta velada de muitos de seus filhos. O outro perigo era a guerra. Cada guerra tem sido uma vitória para a Revolução, e cada vitória um passo a mais para o império do demônio sobre o mundo. Cinquenta anos se completam, no dia 20 deste mês, da morte do Pontífice. O modernismo, depois de várias mortes aparentes, e revestido de nova roupagem, aí está no apogeu de sua ação cavilosa. O mundo ainda não saiu propriamente da guerra, pois o tratado de paz entre as potencias que participaram da segunda conflagração universal ainda não foi assinado. E o comunismo projeta a sombra da ameaça da guerra sobre todo o orbe.

São Pio X, grande Papa, grande Santo, cujo olhar angustiado parecia desvendar o futuro, protegei a Santa Igreja e a Cristandade.


Progressistas franceses em conluio com órgão da polícia secreta polonesa

O GRUPO PAX e INFORMATIONS CATHOLIQUES INTERNATIONALES

Cunha Alvarenga

Filha primogênita da Igreja, cabe à França, segundo São Pio X, um papel providencial na Cristandade. Com efeito, Deus "a escolheu de preferência a todas as outras nações da terra para a proteção da Fé católica e para a defesa da liberdade religiosa" (São Pio X, Alocução de 13 de dezembro de 1908), em que pese às terríveis infidelidades que ela vem praticando sobretudo a partir de 1789. E entre as principais características do povo francês se contam sua combatividade e a implacável lógica com que sabe reduzir a termos simples e evidentes qualquer problema, por mais intrincado que seja, pondo a nu o que se achava velado e encoberto.

Assim, por exemplo, no início deste século, a condenação por Leão XIII da nova roupagem do liberalismo, conhecida por americanismo, teve por causa próxima, não uma denúncia vinda do lugar de origem desse amontoado de erros, isto é, da América do Norte, mas uma grande polêmica desencadeada em Paris em torno das ideias do Padre Hecker e de Monsenhor Ireland, então Arcebispo de São Paulo de Minnesota.

Temos agora uma nova e importante confirmação desta verdade, no que se refere a uma grave questão surgida por detrás da cortina de ferro, na católica e escravizada Polônia. Também aqui o espírito lógico e combativo do povo gaulês se manifestou de modo enérgico, levando às suas consequências inelutáveis um problema que os poloneses estão impossibilitados de discutir por motivo do jugo totalitário a que se acham submetidos.

OS INCIDENTES DA IGREJA DE NOSSA SENHORA DE PASSY

Em seus traços gerais, e apesar da escassez de notícias decorrente de certa campanha de silêncio das agencias telegráficas internacionais em torno do caso, vamos resumi-lo para nossos leitores.

No dia 26 de fevereiro último, o Sr. Georges Hourdin, diretor da revista "Informations Catholiques Internationales", devia fazer em Paris, na cripta da Igreja de Nossa Senhora da Graça de Passy, uma conferência sobre o "Papel dos leigos na paróquia e na sociedade". Foi ele, entretanto, impedido de falar por numerosos católicos presentes, que o interpelaram sobre as ligações da revista de que é diretor com o movimento "católico progressista" e cripto-comunista Pax, da Polônia, conforme revelação do Cardeal Wyszynski em documento encaminhado ao Episcopado Francês pela Secretaria de Estado da Santa Sé. Eis como uma testemunha relata os acontecimentos:

"No momento em que cheguei, ligeiramente atrasado, quem fazia a apresentação do orador pedia que, após a conferencia, as eventuais perguntas fossem formuladas em voz forte pelo público, que não disporia de microfone.

Uma voz jovem se fez então ouvir: "A conferencia a ser pronunciada nesta noite, nesta igreja, é um escândalo depois da advertência enviada a nossos Bispos pela Secretaria de Estado do Vaticano, denunciando o conluio que existe entre as "Informations Catholiques Internationales", de que o Sr. Hourdin é diretor, e os comunistas do movimento polonês Pax". A estas palavras, vaias estridentes, gritos, clamores partem do público: "Hourdin não falará" — "Hourdin para Moscou" (...). Um Sacerdote, de batina, sobe ao estrado e se apodera do microfone. Pela primeira vez volta a calma. "Não sou da paróquia, diz ele, não conheço o Sr. Hourdin. Ouço referência a um certo documento que o põe em causa. Alguém tem esse documento?" — "Sim", responde alguém da sala. — "Pois bem, que seja lido então". Aplausos de quase toda a assistência. Um homem se adianta para o microfone, com um papel não mão. É repelido energicamente pelo Vigário.

Agitação, clamores, protestos gerais. Novas e vãs tentativas de apaziguamento por parte do Vigário. O Sr. Hourdin abandona então a sala" ("Documents-Paternité", de março de 1964). O tumulto termina com a intervenção da polícia.

REPETEM-SE OS PROTESTOS EM NOSSA SENHORA "DE LIESSE"

No dia 18 de maio, o Sr. Jean-Pierre Dubois-Dumée, diretor adjunto das "Informations Catholiques Internationales", também é impedido de falar, agora na Igreja de Nossa Senhora "de Liesse", na aldeia homônima, durante a grande peregrinação anual. Eis como o jornal "Le Monde" noticia o que aconteceu:

"Vários incidentes marcaram segunda-feira à tarde a peregrinação anual à Virgem negra da Alegria, perto de Laon. O Sr. Jean-Pierre Dubois-Dumée, diretor adjunto das "Informations Catholiques Internationales", devia usar da palavra no interior da Basílica (por causa da chuva, a reunião não podia realizar-se no exterior) sobre o tema: "O mundo espera a Igreja".

Foi interrompido por perturbadores da ordem que, depois de haver cortado os fios do microfone, gritavam: "Para Moscou" — "Viva o Papa" — "Sacrilégio" — "O comunismo não passará". Os responsáveis pela peregrinação intervieram. Empurrões se registraram no interior da igreja durante uns dez minutos.

Por iniciativa do Cônego Thomas, Vigário de Nossa Senhora da Alegria, os peregrinos saíram então da igreja para se reunirem na praça, onde o Sr. Dubois-Dumée tentou retomar a palavra. Mas novos incidentes o impediram" ("Le Monde", de 20 de maio de 1964). Nova intervenção da polícia, que faz numerosas prisões, a seguir relaxadas.

A respeito desses incidentes na Igreja de Nossa Senhora "de Liesse", o jornal "Rivarol" tece os seguintes comentários: "Os fatos são conhecidos: tendo o Sr. Dubois-Dumée (...) subido ao púlpito de Nossa Senhora da Alegria, forte gritaria cobriu seu sermão. "Manifestação escandalosa em Nossa Senhora da Alegria", é o título de "La Croix" de 19 de maio. Como é fácil imaginar, o escândalo para "La Croix" não é que o Sr. Dubois-Dumée tenha subido ao púlpito: é que tenha sido obrigado a dele descer. O Sr. Dubois-Dumée na cátedra da verdade!... Que símbolo! (...). O escândalo, para nós, é incomensuravelmente maior que para "La Croix". De todos os aspectos de que ele se reveste, não registraremos hoje senão o de haver visto Padres, vestidos de "clergyman", se reunirem num grupo de quatro ou cinco para golpear um homem, e mesmo crianças e moças. Foram vistos: "quatro Padres de "clergyman" imobilizando os braços e as pernas de um jornalista parisiense, enquanto um quinto lhe martelava o rosto com socos, sem risco de revide. Uma jovem, da qual um eclesiástico fez sangrar os lábios, golpeando-a na boca (...)" ("Aux Ecoutes", de 22 de maio de 1964). As mãos que golpearam essa criança — cujo estado inspira cuidados — terão tocado o Corpo de Cristo no dia seguinte? Uma outra jovem, agarrada pelo colar por um "Petit Frère des campagnes", teria talvez sido estrangulada se não fosse a intervenção de um guarda".

E "Rivarol" termina seu comentário com as seguintes palavras: "O Bispo de Soissons, Mons. Bannwarth, publicou a propósito uma declaração que reprova manifestações políticas numa igreja ("La Croix", de 24-25 de maio de 1964). Enquanto os Bispos insistirem em não ver senão agitação política nessa exasperação crescente, é de se temer que o abscesso, longe de vazar, continue a se envenenar".

OS PROGRESSISTAS TENTAM ABAFAR O ASSUNTO

Ao noticiarem os incidentes da Igreja de Nossa Senhora de Passy, alguns órgãos da imprensa francesa de tendência esquerdista insinuaram que a manifestação havia partido de elementos poloneses residentes na França. A intenção era de subestimar o assunto, negando-lhe importância: seriam coisas de expatriados ressentidos. Assim é que "Témoignage Chrétien" dizia em sua edição de 5 de março: "Agitadores, na maioria de origem polonesa e pertencentes, como é provável, a meios integristas, impediram-no (ao Sr. Hourdin) aos gritos. Esses opositores censuravam as "Informations Catholiques Internationales" por um artigo sobre a Igreja na Polônia, que seria, segundo eles, demasiadamente favorável ao movimento Pax" (apud "Documents-Paternité", de março de 1964).

Ora, comenta um jornalista católico, "não se trata, como se quer fazer crer, de uma queixa secundaria, isolada, já

(continua)



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