Catolicismo - Acervo
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São Jeronimo ou os "progressistas"

“Catolicismo” publica hoje a tréplica do Sr. Zbigniew Czaikowski ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e a nova carta aberta deste (ambas traduzidas do francês pelo nosso Serviço de Traduções).

Assim se vai desenvolvendo um debate entre esta folha e os periódicos poloneses do grupo Pax, “Kierunki” e “Zycie i Mysl”, iniciada pelo Sr. Z. Czajkowski em carta aberta ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira datada de março de 1964, e por este último respondida através do nº 162 de “Catolicismo”.
Nossos leitores estão sem dúvida lembrados de que esse debate repercutiu em Paris, tendo nele intervindo do lado do nosso colaborador o Sr. Henri Carton de “L’Homme Nouveau” e, do lado do jornalista polonês, o Sr. A. V. de “Témoignage Chrétien”. E em carta ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira o Sr. Z. Czajkowski afirmou: “Nossa discussão suscitou grande interesse na Polônia, como testemunham entre outras as notícias e informações publicadas a respeito em outros periódicos poloneses, que aliás tomam a mesma atitude que eu com referência às suas teses”.

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira abre na presente carta mais uma frente de debates, tratando do momentoso problema da essência do diálogo em confronto com a discussão e a polêmica. Sustenta ele a legitimidade das três formas de interlocução, inclusive a polêmica, que espíritos “superecumênicos” costumam estigmatizar como contrária à caridade cristã.

São Jerônimo, polemista agudíssimo e por vezes terrível, foi elevado pela Igreja à glória dos altares como modelo de todas as virtudes, inclusive a caridade, e a Sagrada Liturgia o louva porque “perseguiu os hereges com acérrimos escritos”.

Como, à vista de tão magnífico exemplo, afirmar a ilegitimidade intrínseca da polêmica? Pergunta à qual, segundo o seu costume inveterado, os “progressistas” respondem com um silêncio mal-humorado. Esperemos que o Sr. Z. Czajkowski rompa esse silêncio na resposta que der ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

No clichê, imagem de São. Jerônimo na Igreja abacial de Solesmes, em montagem do Departamento de Arte de “Catolicismo”.

2ª carta aberta para alem da cortina de ferro

DIÁLOGO, COEXISTÊNCIA E HECATOMBE TERMONUCLEAR

Plinio Corrêa de Oliveira

Sr Zbigniew Czajkowki

Sou-lhe grato pela carta, pelos números 1/2, 7/8, e 9 de 1964, da revista “Zycie i Mysl”, pelo número de 25 de outubro de 1964 de “Kierunki”, pela tradução francesa de sua “Carta aberta a S.E. o Cardeal Wyszynski” e de sua resposta à minha “Carta aberta para além cortina de ferro”, e pelos outros documentos que o Sr. teve a gentileza de me enviar.

Peço que me desculpe por não lhe ter respondido há mais tempo. Tive que fazer uma série de conferências em Buenos Aires, e de volta precisei deter-me uns dias em Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul. Tudo isso acarretou um considerável atraso em minha correspondência, que lamento muito particularmente no que se refere à resposta que lhe devo. Pois o diálogo que estou mantendo com o Sr. me interessa deveras, e eu ficaria desolado se minha demora em responder pudesse causar-lhe uma impressão diferente.

Passo ao assunto.

Permita-me começar por um pedido. Felicito-o por ter publicado, no número 9/64 de “Zycie i Mysl” e no número de 25 de outubro de 1964 de “Kierunki”, minha resposta ( ) às críticas contidas em sua primeira carta aberta ( ). De minha parte divulguei todos os tópicos principais desta através de “Catolicismo” ( ), jornal de larga penetração no meios católicos do Brasil. E estou publicando nele sua segunda carta aberta. Enviar-lhe-ei todo este material pelo correio.

Todavia, tudo bem considerado, não há paridade entre meu modo de proceder e o seu. Adotei como norma, de divulgar amplamente o que o Sr. vem escrevendo ao longo de nosso diálogo. Quanto ao Sr., falta-lhe publicar o essencial. Digo o essencial porque, afinal, como poderão os seus leitores acompanhar um diálogo concernente ao estudo “A liberdade da Igreja no Estado comunista”, se eles não conhecem o texto desse estudo?

Dada a liberdade que o Sr. assegura que a imprensa religiosa desfruta sob o regime comunista na Polônia, cumpre-me afastar a hipótese de uma proibição policial de se publicar meu artigo.

A única razão que posso excogitar é o trabalho que lhe daria vertê-lo para o polonês, da tradução francesa que o Sr. tem em mãos. Por isso mesmo, providenciei uma tradução direta do original português para o polonês, feita por um compatriota seu, refugiado aqui. Não conhecendo o seu idioma, não estou em condições de conferir essa tradução, mas tenho motivos para crê-la boa.

Peço-lhe pois que a faça publicar integralmente em “Zycie i Mysl” ou em “Kierunki”.

Desejo fazer-lhe algumas perguntas no que se refere ao fato de ter o Sr. querido estampar em “Kierunki” e em “Zycie i Mysl” uma refutação de meu trabalho. Já lhe apresentei essas perguntas, se não me engano, na minha primeira carta aberta. Mas, não tendo recebido resposta, permito-me insistir.

Concebo que a matéria de que trata meu artigo tenha atraído sua atenção, que o Sr. tenha encontrado objeções a formular a respeito, e que tenha tido a atenção de as comunicar a mim por carta.

O que não entendo tão bem é que o Sr. tenha querido tornar pública sua refutação.

Terá sido simplesmente porque o problema estudado em meu pequeno ensaio interessa ao público de seu país? Gostaria muito, nesse caso, de conhecer as correntes de opinião que se formaram a propósito, e quais são as personalidades que se destacam de um e de outro lado. Ficarei grato se me enviar dados sobre isso.

A remessa, que me fez, do documento contendo a tomada de posição do Emmo. Cardeal Wyszynski em relação a “Pax” ( ), não me parece responder ao meu desejo de informações sobre esse ponto. Com efeito, não vejo que Sua eminência tenha considerado ali, de modo direto, a eventualidade de um choque entre a Igreja e o Estado comunista em razão única da incompatibilidade entre o regime da comunidade de bens e a moral católica.

Continuo meu questionário, que confio à sua boa acolhida.

Foi apenas o interesse do tema de que me ocupei, que lhe deu a idéia de me escrever uma carta aberta, ou será que o próprio texto de meu estudo penetrou na Polônia, repercutiu em certos meios, e em conseqüência inspirou ao Sr. o desejo de lhe opor uma refutação pública?

Nesse caso ainda, creio que o Sr. achará natural meu desejo de saber como é que “A liberdade da Igreja no Estado comunista”

(continua)



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