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200 ANOS DA FESTA

QUE O QUE O S. CORAÇÃO

DE JESUS PEDIU

Neste mês de junho faz duzentos anos que se celebra a festa litúrgica do Coração de Jesus, que foi instituída em 1765 por Clemente XIII. Já então o culto ao Sagrado Coração se difundira por todo o mundo, graças ao zelo de Santa Margarida Maria Alacoque e do Bem-aventurado Claudio de la Colombière. A imagem ao lado (Museu Arquiepiscopal de Mariana, Est. Minas) lembra a oposição odienta que desde o início esse culto providencial encontrou por parte, sobretudo, dos jansenistas de todos os matizes. Colocada num dos altares da Catedral de Mariana com licença do Bispo D. Frei Manuel da Cruz, em 1752 o Arcediago do Cabido mandou retirá-la ostensivamente, em dia de grande solenidade, por considerá-la simulacro monstruoso. Mais ainda, levou a ousadia sacrílega até o extremo de esconder a imagem no deposito de velharias do templo. Resultou daí séria contenda que culminou com a prisão, pelo Bispo, de oito Cônegos, seguida de processo no foro eclesiástico, em que o Prelado saiu vitorioso. Mandou este fazer nova imagem, desta vez com os Corações de Jesus, Maria e José, e entronizou-a solenemente na Sé. (Quatro raios e a metade da faixa, que se veem à direita no clichê, faltam no original e são uma montagem de nosso Depto. de Arte).

Em sua mensagem transmitida ao mundo através de Soror Josefa Menendez, dizia o Divino Salvador a 11 de junho de 1923: «No decurso dos séculos, tenho revelado de diferentes modos o meu amor aos homens: tenho-lhes mostrado quanto Me consome o desejo da sua salvação. Dei-lhes a conhecer o meu próprio Coração. Esta devoção tem sido como luz derramada sobre o mundo. Hoje é o meio de que se servem, para tocar os corações, a maioria dos que trabalham por estender o meu Reino» («Apelo ao Amor», Ed. Santa Maria, Rio de Janeiro, 1949, p. 604).

Embora se encontrem sinais muito antigos do culto ao Sagrado Coração de Jesus, tais como certas passagens de Origines e de Santo Agostinho, seu desenvolvimento mais explícito começa na Idade Média, com São Bernardo, Santa Gertrudes, Santa Mechtilde, São Boaventura e outros grandes Santos.

No decorrer do século XVI essa devoção vai tomando um caráter cada vez mais definido. Assim, Blosio, Abade beneditino belga morto em 1566, aconselha às almas em busca da perfeição que se refugiem no Coração de Jesus nas tentações, misérias e aflições da vida; outras vezes ensina os fiéis a oferecerem suas boas obras ao mesmo Divino Coração para que Ele as purifique e faça mais perfeitas.

UM CORAÇÃO QUE TANTO AMA OS HOMENS

Daí por diante, autores ascéticos e místicos como Santa Teresa, São Francisco de Sales, Santa Joana Francisca de Chantal, e outros que seria longo enumerar, se ocupam dessa devoção. No século XVII ela assume, com São João Eudes (1601-1680), o aspecto de culto externo, público, fervoroso, com igrejas e imagens, Congregações, aprovações episcopais e ritos próprios consagrados ao Coração de Jesus, bem como ao Imaculado Coração de Maria. Pode-se dizer que São João Eudes foi o primeiro apóstolo dos Sagrados Corações.

Por esses dados, bastante conhecidos, vê-se que a devoção ao Coração Divino já existia antes das revelações recebidas por Santa Margarida Maria Alacoque. O seu objeto estava bem definido e o próprio culto já se praticava amplamente. Tudo estava preparado para a manifestação de alcance universal, prevista nos desígnios da Divina Providência. O instrumento eleito por Deus para essa empresa foi a humilde Religiosa visitandina a quem o Divino Salvador descobriu os segredos de seu Coração em várias aparições ocorridas entre os anos de 1673 e 1675.

A principal dessas revelações se deu em junho de 1675, num dia da oitava do Corpo de Deus. Estava Santa Margarida Maria Alacoque rezando diante do Santíssimo Sacramento, quando lhe apareceu Nosso Senhor, como das outras vezes, e mostrando seu Coração lhe disse: «Contempla este Coração, que tanto amou os homens, e que nada omitiu até exaurir-se e consumir-se em testemunho de seu amor. E em recompensa não recebo da maior parte deles senão ingratidões, por suas irreverências e sacrilégios... E o que mais Me dói é ver que assim se portam coMigo até os corações que Me estão consagrados. Por esta razão peço-te que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar meu Coração, comungando-se nesse dia e fazendo-se-lhe um ato de reparação e desagravo em satisfação das ofensas recebidas durante os dias em que estive exposto nos altares». E como a Santa se escusasse alegando sua pequenez e indignidade, respondeu-lhe o Senhor que se dirigisse a seu servo, o Padre de la Colombière, jesuíta, Superior então da residência de Paray-le-Monial, e lhe dissesse de sua parte que fizesse quanto estivesse em suas mãos para estabelecer essa devoção (cf. Enciclopédia Espasa-Calpe, verbete «Corazón de Jesus» ) .

FEROZ COMBATE POR PARTE DO JANSENISMO

Recebendo com santo entusiasmo esse encargo, o Bem-aventurado Claude de la Colombière, juntamente com Santa Margarida Maria Alacoque, não poupou os maiores esforços para fomentar a devoção que Nosso Senhor desejava espalhada por todos os recantos do mundo.

Não ocorreu, porém, sem tropeços, a partir daí o desenvolvimento do culto ao Coração Sacratíssimo. Seu principal adversário desde a primeira hora foi o jansenismo, que lhe moveu feroz combate, não somente à socapa, mas abertamente, como se deu no execrável Sínodo diocesano de Pistoia (1786). Um dos mais intrépidos defensores da devoção recomendada em Paray-le-Monial foi, nessa quadra difícil, Santo Afonso de Ligorio, que no ano de 1765 apresentou ao Santo Padre Clemente XIII sua novena do Sagrado Coração, fazendo-a acompanhar de uma exposição que foi decisiva para fazer com que a Santa Sé aprovasse oficialmente o culto que, a essa altura, já era instrumento de renovação do fervor religioso em toda a Cristandade. Assim, a 6 de fevereiro de 1765, atendendo às suplicas dos Bispos da Polônia e da Arquiconfraria romana do Coração de Jesus — as quais vinham se somar a ponderáveis vozes do orbe católico que se tinham dirigido à Santa Sé no pontificado de Bento XIV — Clemente XIII instituiu a festa litúrgica do Coração Sacratíssimo, restrita de início à Polônia e àquela Arquiconfraria (e estendida à Igreja Universal por Pio IX).

FRUTOS QUE AMADURECERAM PARA O BEM DA IGREJA

No decreto da Congregação dos Ritos aprovado naquela data pelo Papa se lê que o culto ao Coração de Jesus se difundira por quase todas as partes do orbe com a aprovação dos Prelados, confirmada milhares de vezes mediante Breves de indulgências outorgados às confrarias do Sagrado Coração; de sorte que a concessão de uma festa especial vinha fomentar tão só um culto já existente, e renovar a devoção ao amor com que o Filho Unigênito de Deus tomou a natureza humana e deu exemplo de obediência, doçura e humildade.

Neste mês de junho faz, pois, duzentos anos que se celebra essa festa litúrgica. A 6 de fevereiro último, pela Carta Apostólica «Investigabiles Divitias Christi», publicada em comemoração deste segundo centenário, o

(continua)



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