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DA PALEONTOLOGIA À METAFÍSICA, HISTÓRIA DE UMA EXTRAPOLAÇÃO IMPLICAÇÕES MARXISTAS DO TEILHARDISMO (1), p. 1
(Giocondo Mario Vita)

CALICEM DOMINI BIBERUNT, p. 3
- Em contato com o jansenismo (Fernando Furquim de Almeira)

NOVA ET VETERA, p. 3
- Sob o pretexto de diálogo, relativismo (J. de Azeredo Santos)

AÇÃO POPULAR, CAPÍTULO DEPLORÁVEL NA HISTÓRIA DO BRASIL CATÓLICO, p. 4
(Aloizio Augusto Barbosa Torres)

A CAMINHO DA ERA DOS PRECONCEITOS CRISE MENTAL AMEAÇA O FUTURO DA HUMANIDADE, p. 6
(Celso da Costa Carvalho Vidigal)

AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES, p. 7
- Religião da irreligião, aspecto subtil da nova tática comunista (Plinio Corrêa de Oliveira)

TFP PROMOVE O LANÇAMENTO PÚBLICO DO LIVRO BALDEAÇÃO IDEOLÓGICA INADVERTIDA E DIÁLOGO, p. 8
(A. A. Borelli Machado)

VERDADES ESQUECIDAS, p. 8
- As cripto-heresias existem, e são perigosas (Pe. Karl Rahner)


Não existe atualmente nenhuma prova que se possa pretender idônea, em favor da teoria da evolução das espécies.

A esta teoria, que esteve no auge do prestígio há cinquenta anos, aderiu entusiasticamente desde jovem o Pe. Pierre Teilhard de Chardin. E o entusiasmo o fez resvalar pela rampa vertiginosa de uma extrapolação que se estendeu desde a paleontologia até a filosofia e a teologia.

Chegou o Jesuíta francês a elaborar uma estranha "Weltanschauung", na qual o universo é apresentado como realidade em perpétuo dinamismo de cosmo-gênese. Trata-se de uma cosmo-gênese que, através das leis da evolução, vai fazendo surgir, a partir dos elementos cósmicos mais simples, todos os seres do universo, inclusive os seres vivos e até o homem, e chega de algum modo a complementar o próprio Deus.

Tais elucubrações não teriam saído, normalmente, do círculo fechado dos especialistas; quando muito, as mais fantasiosas poderiam despertar o interesse dos apaixonados pelo gênero literário de "science-fiction".

Entretanto, uma vasta promoção publicitária está sendo feita em todo o mundo, com o lançamento, para o grande público, das obras completas de Teilhard de Chardin. Colaboram nesta ingrata iniciativa grupos católicos de esquerda, progressistas de diversos matizes e até marxistas, que encontraram nisso um terreno comum para o diálogo.

"Catolicismo", fazendo mais uma vez eco a vozes altamente categorizadas que denunciaram os perigos dessa divulgação, apresenta aqui um resumo da cosmovisão teilhardiana, apontando ao mesmo tempo certas implicações marxistas nela contidas. Uma análise mais pormenorizada destas implicações será objeto de próximo trabalho.

No clichê, fóssil de Chu-Ku-Tien
reconstituído (?).

IMPLICAÇÕES MARXISTAS DO TEILHARDISMO (1)

Da paleontologia à metafísica,

história de uma extrapolação

Giocondo Mario Vita

O prestígio do Padre Teilhard de Chardin como paleontólogo havia declinado enormemente nos últimos anos que precederam sua morte (ocorrida em 1955). E que a crítica científica acabava de produzir, nessa ocasião, grandes devastações entre "os mais importantes fósseis "comprobatórios" da teoria da evolução, que ele professava com entusiasmo: o Homem de Java (Pithecanthropus Erectus), o Homem de Piltdown (Eoanthropus Dawsoni), o Homem de Pequim (Sinanthropus Pekinensis) o os fósseis africanos (Australopithecus Africanus), todos eles reconhecidos como produtos de fraudes grosseiras ou de montagens fantasistas (vide "A Revolução, a filogênese humana e o Padre Teilhard de Chardin", de Atanasio Aubertin, "Catolicismo", nos 149, 151, 153, de maio, julho e setembro de 1963).

Entretanto, propagandistas da teoria da evolução e progressistas de todo o mundo se impuseram o ingrato encargo de publicar as obras completas do Jesuíta francês, logo após sua morte. Desse modo, mal à vontade numa posição cientificamente desmoralizada, procuram sair dela recorrendo, na falta de provas mais idôneas do evolucionismo, ao palavreado pseudocientífico e às elucubrações mirabolantes que pululam nesses trabalhos.

Acresce que as ideias assim difundidas no grande público vêm prestar um serviço inestimável às forças da Revolução, por partirem de um membro de uma Ordem religiosa de grande prestígio, e por entrarem em concordância, de um lado, com as concepções modernistas que devastam certos meios católicos, e de outro lado com as teses marxistas sobre o universo e o homem.

Neste sentido é altamente significativo o depoimento de um dos líderes intelectuais do Partido Comunista da França, Roger Garaudy, em seu livro "Perspectives de l'homme", ao fazer a seguinte constatação: "Da história do átomo à do homem, da dialética da natureza à moral, o filósofo marxista e o Pe. Teilhard de Chardin caminharam em uníssono. Mais adiante os caminhos divergem, e o marxista se separa do Pe. Teilhard, não como dois adversários se separam, mas como dois exploradores que enfrentaram aventuras comuns, e que empreendem por vertentes opostas a escalada do cume" (op. cit., Presses Universitaires de France, Paris, 1959, p. 196).

Para fazer frente às múltiplas infiltrações promovidas pelas esquerdas por meio da propaganda dos trabalhos do ardoroso pregador do evolucionismo, as quais chegaram a atingir até Seminários católicos, diversas vozes autorizadas se ergueram em toda a Igreja.

A mais importante foi a da Suprema Sagrada Congregação do Santo Ofício — hoje Congregação da Doutrina da Fé — em seu Monitum de 30 de junho de 1962, precavendo os Bispos, os Superiores de Institutos Religiosos, os Reitores de Seminários e os Presidentes de Universidades contra os perigos das obras do Pe. Teilhard de Chardin e de seus discípulos (cf. "Catolicismo", nos 140 e 144, de agosto e dezembro de 1962). Entre os estudos de grande valor dados a lume nesse mesmo sentido queremos mencionar os artigos que vêm sendo publicados na revista "La Pensée Catholique" (Les Editions du Cèdre, Paris — a seguir designada pela sigla PC), os trabalhos do Pe. Philippe de la Trinité, O.C.D., de Roma, e os do Pe. Julio Meinvielle, de Buenos Aires.

Das obras deste último sobre o tema, desejamos dar destaque ao recente livro "Teilhard de Chardin o la Religión de la Evolución" (Ediciones Theoria, Buenos Aires, 1965 — daqui por diante indicada pela sigla TC-RE), onde se apresenta uma crítica muito lúcida e bem documentada, e que nos forneceu preciosos subsídios para a elaboração deste trabalho (particularmente no que se refere a citações de T. de C.).

Itinerário do pensamento do Pe. Teilhard de Chardin

Que itinerário de pensamento terá percorrido o autor de "Le Milieu Divin" para chegar, no campo da interpretação do universo, às coincidências tão surpreendentes com o materialismo dialético, reconhecidas por Garaudy?

O Pe. Teilhard iniciou suas atividades de paleontólogo por volta de 1913, quando se tornou amigo de Dawson e colaborou com ele nas pesquisas em Piltdown, na Inglaterra. Foi à China em 1929 e ali trabalhou nas escavações de Chu-Ku-Tien, permanecendo longamente nessa região. Dentre suas obras de maior repercussão ressalta "Le Phénomène Humain", escrita justamente em Pequim, no ano de 1938. Nela já se revela toda a sua tendência a generalizar ideias formadas no domínio da paleontologia, sob a influência da hipótese evolucionista, para terrenos muito mais amplos, e alheios à sua especialidade, como a biologia, a antropologia, a filosofia e a teologia.

Teilhard de Chardin teve a fraqueza de se deixar empolgar por uma teoria científica que viveu sua fase heroica no século passado e no primeiro quartel deste. E a evolução das espécies acabou assumindo para ele o caráter, não de uma hipótese de trabalho, mas de um princípio incontestável e de ordem metafísica.

Este procedimento já seria muito comprometedor para a reputação de um cientista, que tem de se distinguir pela preocupação de estar sempre conferindo suas teorias com os fatos observados, a fim de verificar se elas satisfazem, e que deve ter o desapego necessário para reformá-las e até rejeitá-las, em caso negativo.

Entretanto, a atitude do pesquisador se tornaria insustentável e até ridícula se o entusiasmo pelas teorias que aceita o levasse a fazer, com base nelas, extrapolações não só no setor das ciências experimentais, mas na própria esfera da filosofia, ou pior ainda, da teologia.

Foi o que aconteceu ao nosso paleontólogo. Segundo ele, nada está imune ao influxo incontenível da evolução: desde as mais elementares partículas disseminadas pelo cosmos, até Deus.

Isto importa na aceitação explícita ou implícita do imanentismo, que atribui ao universo a origem de todas as realidades, contidas nele desde sempre, e reveladas gradualmente pela Evolução ao longo de milhões de anos. Ademais, como veremos adiante, chega-se assim a uma harmonização com o panteísmo de Hegel, com o materialismo dialético de Marx e Engels e com a própria gnose.

E eis que o roteiro percorrido levou o afoito cientista - praza a Deus que inconscientemente - a desembocar na caudal revolucionária que ameaça tragar a civilização cristã em nossos dias.

A apreciação de Roger Garaudy nada mais fez do que reconhecer o valor do contributo teilhardiano para o progresso do pensamento revolucionário atual.

Evolução: teoria cientifica ou verdade metafísica?

Vejamos em que termos o Pe. Teilhard de Chardin nos apresenta a evolução, para podermos avaliar bem a transposição por ele efetuada, insustentavelmente, da paleontologia à metafísica.

"Uma teoria, um sistema, uma hipótese a Evolução?... Não: mais que isto, uma condição geral a que devem satisfazer daqui por diante, para serem pensáveis e verdadeiras, todas as teorias, todas as hipóteses, todos os sistemas. Uma luz a iluminar todos os fatos, uma curva que devem assumir todos os traços: eis o que é a Evolução" ("Le Phénomène Humain", Les Edition du Seuil, Paris, 1955, p. 242 — obra daqui por diante identificada pela sigla PH).

Um trabalho publicado posteriormente exprime de maneira ainda mais categórica o alcance da extrapolação feita na teoria da evolução: "Terminemos, portanto, uma vez mais com a ingênua concepção, hoje inteiramente superada, da "hipótese-Evolução". (...) O que ela representa, de fato, é uma dimensão nova e geral do Universo, afetando, por conseguinte a totalidade dos elementos e das relações do Universo. (...) A expressão em nosso espírito da passagem do mundo em estado de Cosmos ao estado de Cosmogênese" ("La Vision du Passé", Les Editions du Seuil, Paris, 1957, p. 348 —sigla VP).

Tudo isto afirma nosso autor ao mesmo tempo em que declara, peremptoriamente, que deseja limitar-se ao estudo do fenômeno, evitando todo recurso à metafísica!

Ora, o evolucionismo defendido por Teilhard não é aceito como teoria científica nem mesmo pelos próprios evolucionistas. É o caso do eminente biólogo francês Jean Rostand, que assim se pronuncia em artigo publicado no "Figaro Littéraire" de Paris, em 23 de setembro de 1965: "É inegável que o transformismo de Teilhard se situa fora da ciência, na medida em que, puramente conjecturai, escapa a toda tentativa de verificação, e não pode conduzir a nenhum empreendimento experimental; na medida em que apela para energias misteriosas que não temos nenhum meio de desvelar (déceler), e sobre as quais não temos nenhuma ação" (apud PC, 1965, no 98, p. 66).

E, ainda mais, cumpre salientar que a própria teoria evolucionista clássica, ao abrigo das generalizações teilhardianas, já não joga hoje em dia com os "missing links" supostamente encontrados pelos fanáticos do transformismo. Oscar Kühn, dirigente do Instituto de Biologia da Universidade de Tübinghen, e um dos líderes da escola alemã moderna de biologia, tira disto a conclusão lógica que todo homem de ciência sério e leal deveria tirar: "Não conhecemos um só fato, nem uma só consequência deduzida com rigor de lógica dos fatos, que permita provar a evolução das espécies. Não queremos também contestar que possa haver uma evolução (história da descendência). Admitimos a filogenia como hipótese, plenamente conscientes de que não a podemos demonstrar em todo o rigor, e de que a existência e os caracteres do ser vivo não podem jamais ser concebidos como o desfecho de um processo necessário (como os fatos lógicos e matemáticos)"

(continua)



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