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Como o Filho Pródigo que, abandonando a casa paterna, veio a desejar as bolotas dos porcos, assim o homem moderno busca na ioga e outras aberrações pagãs aquilo que só a Igreja lhe pode proporcionar. No clichê, um Togue hindu: olhar orgulhoso e feroz como a doutrina que ele segue.

A IOGA

"Desejava ele fartar-se de bolotas, das que comiam os porcos"

Aloizio Augusto Barbosa Torres

Quando a Roma pagã chegava aos últimos degraus da decadência, quando em suas classes sociais mais elevadas campeava o ceticismo e o relativismo, tão caracteristicamente expressos na reação de Pilatos diante de Nosso Senhor: "Que coisa é a verdade? E, dito isto, tornou a sair, para ir ter com os judeus" (Jo. 18, 38), nesta mesma época a capital do Império abriu suas portas para toda sorte da seitas mágicas e ocultistas, procedentes de todos os cantos da terra.

Fato semelhante se dá nos dias de hoje. No mundo moderno, tecnicista, cartesiano, relativista e materialista, cada vez ganham mais terreno os esoterismos, logosofias, candomblés, e outras formas atualizadas de feitiçaria. É significativo, neste particular, como se vai tornando abundante no Ocidente cristão a literatura de divulgação da ioga. Aqui é ela aconselhada como psicoterapia por revistas médicas, ali como método de embelezamento em seções femininas da imprensa diária. Acolá comenta-se: "O Pe. Dechanet, beneditino francês, fala da calma extraordinária que se segue aos exercícios de ioga, e, ao mesmo passo, da "facilidade em entrar na oração, em se fixar num assunto". E acrescenta que "um dia ainda se dirão os resultados maravilhosos na cura dos complexos: os dos tímidos, dos inibidos, dos ásperos, violentos ou orgulhosos" (Francisca Perret e Helder Martins, art. "O Ioguismo por dentro: revelação de todos os seus segredos", in "A Cigarra", Rio, nov. 1961 p. 8).

Outros há, contudo, que explicitam o encadeamento da ioga dentro do processo revolucionário, o qual — conforme nos mostra o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, em sua obra "Revolução e Contra-Revolução" — há séculos vem conduzindo o Ocidente à rejeição dos princípios da civilização cristã e à busca de uma utopia gnóstica, anárquica e coletivista. É o que encontramos claramente nestas palavras do jornalista Helder Martins: "Filósofos, poetas e sábios vêm denunciando, em épocas diversas, muitos dos valores consagrados pela nossa civilização ocidental [...]. O exemplo mais recente de repúdio às maneiras de viver do Ocidente nos deu Querry, último personagem criado por Graham Grame (do livro "Um Caso Liquido"), que foi se meter num canto da África bem longe da Europa e de tudo que evocasse as seus problemas. Querry não fugia de si próprio, como outros heróis, mas de uma civilização e de todos os valores praticados por ela". Depois de lembrar que Nietzsche dizia: "Tenho horror à realidade", prossegue o articulista: "Qual é, enfim, essa vida, mais real do que a vida, anunciada por grandes videntes? Toda uma linhagem de filósofos e de místicos, de Kepler a Paracelso, a Cure, a Bruno, a Boehme, [...] a anunciam como o reino da realidade última". Daí "o interesse despertado pelas experiências esotéricas de Gurdiev e pelo humanismo realista de Camus. Também a aparição da ioga pretende responder ao anseio de muitos" (art. cit., ibid., p. 4).

Assim sendo, sem pretendermos esgotar o assunto nem fazer dele uma análise científica, pareceu-nos útil chamar a atenção dos leitores para alguns de seus aspectos importantes. Muitos destes aspectos repontam mesmo em artigos de jornais e revistas de larga divulgação. Outros afloram em estudos de caráter científico. Afigurou-se-nos oportuna a apresentação desses textos em forma concatenada, — ao mesmo tempo que pedimos e agradeceríamos contribuições de leitores para maior desenvolvimento do tema, ainda que oferecidas sob forma de objeções ou de refutações.

Um "darchana" do hinduísmo

Na estrutura de pensamento do homem ocidental, ao falar-se de religião ocorre logo a idéia de um sistema de dogmas, coerentes entre si, uma moral, e um conjunto de práticas cultuais decorrentes desses dogmas. Além disso, pensa-se num livro sagrado e quiçá numa tradição como fontes de revelação aceitas por todos, e numa estrutura jurídica constituída de sacerdócio e laicato, cabendo ao primeiro as funções de guardião da revelação e ministro do culto. Ora, no hinduísmo (Sanátana Dharma) — como em toda religião gnóstica — nada disto se dá. Ele não é de modo algum um bloco monolítico de dogmas, princípios morais e práticas de culto, mas em seu âmbito coexistem inúmeras expressões religiosas diferentes.

Sobre os textos védicos, que constituem a principal fonte de revelação hinduísta, estruturam-se diversos "darchanas", o que significa em sânscrito "pontos de vista". São sistemas filosóficos ou escolas, fundadas por grandes "santos" ou grandes "místicos". "Os sistemas que receberam o nome de "darchanas" são variadíssimos. As doutrinas budistas, como as teorias materialistas, são consideradas darchanas. [...] O nome de "darchana" aplica-se particularmente aos seis "darchanas" bramânicos [...]. A soma de suas vistas parciais compõe um quadro do Universo" (Solange Lemaitre, "Hinduísmo ou Sanátana Dharma", coleção "Sei e Creio", no 144, Livraria Edit. Flamboyant, SP, 1958, pp. 45-48). Entre estes seis "darchanas" principais, que se interpenetram uns aos outros, encontra-se a ioga.

Sobre o que ela é, diz-nos P. Massón-Oursel: "Não é ser, nem realidade. [...] Não é pensamento. Não raciocina, nem mesmo julga. Não se arrisca a erro algum; não esperemos dela nenhuma verdade. [...] Não é um processo natural. [...] O iogue não se aceita a si mesmo tal como nasceu [...]. É uma prática: preparação para o que podemos vir a ser por obra própria [...]. Um "sadhana", tarefa de auto-realização. [...] Empreendimento contrário à natureza; ascese (no sentido de exercício) feroz, [...] confiança apenas no próprio esforço. [...] Não há teologia [...], não há metafísica, mas escolástica ritual" (P. MASSON-OURSEL, "A Ioga", coleção "Saber Atual", n° 39, Difusão Européia do Livro, SP, 1964, pp. 7, 8 e 40).

Para os diversos gêneros de pessoas (meditativas, emotivas ou ativas) oferece a ioga vários ramos, que não são contudo estanques, podendo suas técnicas ser combinadas de acordo com as inclinações de cada um:

"1°) O ramo mais alto [...] é a ioga real ("RAYA IOGA"). É reservada a um número muito restrito de pessoas: um hindu em três milhões, apenas. Fim supremo: essência da serenidade pelas renúncias sucessivas e pela concentração absoluta em si mesmo. Fusão enfim realizada com a consciência superior. [...].

2°) A ioga do conhecimento ("JNANA IOGA") é a dos intelectuais e dos filósofos [...].

3°) A. ioga da devoção ("BHAKTI IOGA") é a identificação do amor [...].

4°) A ioga da ação ("KARMA IOGA") tem por fim agir sem desejar colher os frutos da ação.

5°) A ioga da palavra ritual ("MANTRA IOGA") procura o vazio do espírito a fim de se deixar invadir pela presença divina (sic). Recitação ritmada de

(continua)



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