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UMA EXPERIÊNCIA DEMORADA, CARA E CONVINCENTE

Alberto Luiz Du Plessis

O estado socialista, como toda utopia, tem o seu lado atraente. Em contraste com a aparente desordem da economia livre, o regime socialista apresentaria, em tese, uma atmosfera de laboratório. Técnicos altamente qualificados, funcionários estatais e portanto livres das vis ambições capitalistas, determinariam, com o auxílio dos mais aperfeiçoados computadores eletrônicos, a taxa ideal de desenvolvimento, a porcentagem do produto nacional bruto que deve ser reinvestida e onde deve sê-lo, enquanto deve ser aumentado o imposto sobre a renda, de maneira a processar-se uma sadia transfusão de haveres entre os mais abastados e os menos favorecidos. E assim se geraria, em pouco tempo, um estado de coisas do qual resultaria inevitavelmente o bem de todos e a felicidade geral da nação.

Muitos dos admiradores do socialismo levam seus sentimentos às últimas consequências e tornam-se comunistas. Outros, mais timoratos, param no meio do caminho, quem sabe assustados com as truculências das GPU, NKVD, e siglas quejandas, e tornam-se sociais-democratas: o socialismo na liberdade, eis a solução!

Uma experiência "in anima nobili"

Para verificar o acerto de uma opinião, nada como testá-la na prática, por meio de uma experiência. Ora, no caso, a experiência foi amplamente executada e seus resultados já podem ser analisados.

As nações que mais sofreram com a segunda guerra mundial — deixando-se de lado as que estão atualmente sob o domínio comunista — foram, sem dúvida, a Alemanha, o Japão, a Itália, a França e a Inglaterra. Terminada a conflagração, a Itália, o Japão e a Alemanha Federal orientaram sua reconstrução pelas vias da economia livre. A França seguiu uma orientação liberal mesclada com reformas socialistas. Quanto à Inglaterra, adotou de início o caminho do socialismo, sob a égide do Partido Trabalhista, e dele não mais saiu de todo.

Passados vinte e dois anos, é tempo de ver-se o resultado de cada uma dessas experiências e assim comprovar-se o acerto do atraente socialismo. As informações que a seguir apresentamos foram tiradas, quase todas, de recente artigo do jornalista internacional Raymond Cartier (revista "Paris-Match", de 11 de fevereiro).

Alguns dados "não comprometidos"

O primeiro dado estatístico a ser considerado é o da produtividade por habitante, barômetro da eficiência no trabalho. Na última década cresceu ela anualmente segundo estas taxas: Japão 8,8%, Itália 5,6%, República Federal Alemã 5%, França 5%, Inglaterra 2,6%. A diferença é flagrante.

Outro elemento dos mais importantes é a taxa de investimentos, que representa o quanto a nação economiza para reinvestir em bens de produção, sendo portanto um sinal do desenvolvimento futuro. No Japão essa taxa é de 28,8% do produto nacional bruto, na Alemanha 23,7%, na Itália 21,6%, na França 19,2%, e na Inglaterra apenas 15,8%.

A produtividade nos diversos grupos de indústrias básicas (indústria química, do aço, da construção, da eletricidade, etc.) é, em geral, 50% mais elevada na França e na Alemanha do que na Inglaterra.

No entanto, a Inglaterra saiu do conflito mundial com uma indústria intacta e possante, enquanto seus concorrentes estavam terrivelmente devastados. O próprio auxílio norte-americano foi fornecido à Grã-Bretanha em medida muito mais abundante do que a qualquer outro país. Saliente-se, por outro lado, que, depois da Inglaterra, na Europa Ocidental quem menos progrediu foi a França, a qual foi também, entre esses países, o que mais se aproximou do nível de socialização inglês. Se a lei de causa e efeito ainda tem algum valor, eis aí algo de muito sintomático.

Para os apreciadores do "non sense"

A legislação socialista tem, por toda parte, contribuído fartamente para o anedotário mundial do gênero "non sense". A Inglaterra não poderia deixar de trazer o seu quinhão. Vejamos um exemplo. Num estaleiro inglês torna-se necessário colocar o puxador numa porta de cabine. Para isto é obrigatório chamar um marceneiro, que marcará o lugar da peça. Em seguida comparecerá um furador para abrir o buraco. Será sucedido pelo ajustador que coloca à ferragem. Um calafetador virá depois para chumbá-la. Finalmente, um pintor fará o retoque de estilo. Não é de admirar que o Japão produza barcos pela metade dos preços ingleses. Para a simples tarefa de trocar lâmpadas queimadas nos navios, que poderia ser feita por um servente não qualificado, o sindicato exige, e a legislação o apoia, que seja empregado um eletricista (salário de NCr$ 680,00 por mês), acompanhado de um ajudante (salário de NCr$ 480,00 por mês) que lhe passe as lâmpadas.

400 mil fogem por ano

Consideremos o caso de um chefe de empresa. Se ampliar sua indústria, poderá ganhar mais 40 mil cruzeiros novos por ano. Deste dinheiro, conforme seja sua categoria de contribuinte do imposto de renda, não lhe sobrarão mais de 1.100 cruzeiros novos. Não é de admirar que a maioria dos empresários ingleses não faça muita força para ampliar suas atividades.

Em dez anos, a parte proporcional da Grã-Bretanha no comércio mundial caiu de 20% para 14%. O nível de vida nas ilhas, considerado outrora um dos mais elevados do mundo, desceu abaixo das médias do continente, e anualmente 400 mil ingleses, os mais capazes e mais empreendedores, abandonam a pátria à procura de outras plagas onde haja mais futuro do que vegetar à sombra de um regime socialista.

Estes dados nos parecem eloquentes. Toda vez que se foge do princípio de subsidiariedade, tão sabiamente pregado pelos Pontífices, e o Estado, tornando-se socialista, se arroga o direito de fazer o que compete ao indivíduo, à família, à empresa e a todos os organismos intermediários, chega-se necessariamente a situações como estas que apontamos.


CHANCELER INFORMA À TFP: BRASIL APÓIA A INTERNACIONALIZAÇÃO DE JERUSALÉM

Com data de 11 de junho p. p., a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família E Propriedade enviou telegrama ao Presidente Costa e Silva e ao Chanceler Magalhães Pinto, pedindo que o Brasil propusesse urgentemente, a todos os países latino-americanos, dar apoio conjunto à internacionalização de Jerusalém, segundo o desejo de Sua Santidade o Papa Paulo VI. É o seguinte o texto do despacho:

"Peço a Vossa Excelência que o Brasil proponha urgentemente a todas as nações da América Latina darem apoio conjunto à internacionalização de Jerusalém, desejada pelo Santo Padre Paulo VI.

Essa medida, já múltiplas vezes pedida em solenes Documentos do inolvidável Pio XII, constitui merecida homenagem à Cidade Sagrada, que ficará assim resguardada de futuros riscos.

Corresponde às tradições cristãs brasileiras, bem como a nossos foros de mais populosa das nações católicas, assumir essa simpática iniciativa, a qual será entusiasticamente aplaudida por todos os brasileiros.

Na antecipada certeza da favorável acolhida de Vossa Excelência, apresento cordiais e respeitosos cumprimentos. — Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade".

Em resposta, o Ministro do Exterior telegrafou nestes termos, em data de 7 de julho, ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira:

"O Senhor Presidente da República encaminhou-me o telegrama pelo qual Vossa Senhoria solicita o apoio do Brasil à internacionalização de Jerusalém. Apraz-me informar a Vossa Senhoria que o Governo brasileiro tem defendido a tese de que Jerusalém deve ser colocada sob regime internacional permanente que propicie garantias especiais aos Lugares Santos, e nesse sentido expressei-me no discurso que pronunciei perante a Assembleia Geral de emergência das Nações Unidas. Por outro lado, a Delegação brasileira patrocinou, juntamente com outros países latino-americanos, um projeto de resolução que, entre outros pontos, propõe a internacionalização da Cidade Santa, apoiando a posição da Santa Sé. Atenciosos cumprimentos. — José de Magalhães Pinto".


VIRTUDES ESQUECIDAS

A Ira, companheira da misericórdia

Da vida de, São Leofredo, Abade franco do século VII:

São Leofredo pescava um dia no riacho de Ure. [...] Leofredo não tinha cabelos. Passou uma mulher e zombou dele: "Acho, disse ela, que esse careca esgotará o riacho, e daqui por diante não se poderá mais pescar nele". Falara em voz baixa, ninguém a pudera ouvir. Leofredo, porém, voltando-se para ela, diz-lhe: "Porque zombas de um defeito de natureza? Não tenha tua cabeça mais cabelos atrás do que eu tenho na testa, e o mesmo suceda aos teus descendentes".

A coisa sucedeu como o Santo dissera.

Um homem roubou alguns molhos de feno ao mosteiro de Leofredo. Leofredo exigiu a restituição; o ladrão, em vez de restituir, exaltou-se pública e furiosamente contra o Santo. Chamou-o de mentiroso e caluniador. E Leofredo respondeu: "Julgue Deus entre ti e mim!"

O ladrão foi acometido de dores atrozes no maxiliar e os dentes se lhe despregaram e caíram, diante das pessoas presentes, e toda sua posteridade perdeu os dentes.

Trabalhavam uns camponeses num domingo e lavravam a terra, desprezando o repouso sagrado. [...].

Essa severidade [de São Leofredo], tão distanciada dos corações modernos e dos espíritos contemporâneos, saía de uma alma profundamente penetrada de luzes sobrenaturais que a nossa época esqueceu e de que tenta rir, nos dias em que não é forçada a tremer e a chorar. Nos seus dias de lazer ela ri muito. Mas Leofredo, que não ria, acrescentou, de olhos levantados para o céu: "Senhor, fique esta terra eternamente estéril! Nunca se veja nela nem grão nem fruto!" e a sua maldição mostrou-se poderosa. Os cardos e os espinhos marcaram e encheram, a partir daquele dia, o campo amaldiçoado.

[...] Um dos Religiosos de Leofredo acabava de morrer. Acharam-se com ele três moedas de prata, três moedas que ele não tinha o direito de trazer consigo, Violara assim o seu voto de pobreza. Leofredo, cuja severidade era extrema, proibiu que o enterrassem em terra sagrada. Mandou pô-lo à parte, longe do cemitério, em terra profana. Após essa execução, Leofredo pensou profundamente naquela alma que ele parecia quase haver condenado, e, suspeitando que ela talvez tivesse encontrado o arrependimento na terra e a misericórdia no Céu, fez um retiro de quarenta dias, rezando e chorando pela alma daquele que ele parecera rejeitar. Porque está escrito "Não julgues". E após os quarenta dias o Senhor falou a Leofredo e lhe disse que a alma do monge achara perdão diante dEle, e que não só o inferno não o possuía, mas o Purgatório já não o detinha, e que as orações de Leofredo haviam libertado aquele que a justiça de Leofredo parecera condenar.

Então o Santo, pensando que cumpria tratar o corpo do Religioso como Deus lhe tratava a alma, perdoou como Deus perdoava, e, fazendo misericórdia na terra como no Céu, revocou o corpo exilado ao cemitério comum, como Deus revocara a alma exilada à assembleia dos eleitos. [...].

Os cegos são levados a crer que a justiça e a misericórdia são duas inimigas. As almas que têm inteligência sabem que elas são amigas, e as almas esclarecidas sabem que elas são unidas. "Encolerizai-vos, mas não pequeis", diz o Espírito Santo. Joseph de Maistre celebra essa paixão ardente e forte, a que chamou eloquentemente cólera do amor. São Leofredo tinha um zelo da justiça demasiado ardente para não ter um ardor de misericórdia mais ardente ainda; porque, no sentido em que estas duas forças lutam, a misericórdia leva certas vantagens no combate. As cóleras de São Leofredo, por onde ele toca o espírito de Elias e de Eliseu, tinham que atear nele as chamas da caridade, Ele aparece sob esta dupla luz quando reza várias semanas por aquele que acaba de expulsar do cemitério sagrado. O poder das suas imprecações e o poder da sua caridade, o seu amor dos pobres e o seu ódio da injustiça são as duas linhas que se desenvolvem paralelamente em todo o curso da sua vida. — ("Fisionomias de Santos" Ernest Hello — Editora Vozes, Petrópolis, 1937 — pp. 166-169).



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