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Vladimir Illitch Ulianov, mais conhecido como Lenine, líder dos bolchevistas, incita o povo à derrubada do governo provisório de Kerensky, a qual se consumou em novembro de 1917

Por motivo do 50° aniversário da implantação do comunismo na Rússia, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade publicou o manifesto que estampamos ao lado, de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional, e assinado por todos os membros do mesmo órgão.

Esse documento, com o qual "Catolicismo" se solidariza inteiramente, contém uma tomada de posição lúcida e corajosa em face da situação contemporânea.

Ele enfrenta a atmosfera feita de derrotismo, apatia e — aqui e acolá — laivos de simpatia pelo comunismo, que prepondera nos comentários que os grandes meios de publicidade internacional e nacional vêm consagrando ao cinqüentenário da revolução bolchevista.

Enquanto, na orquestração a este respeito organizada em todo o mundo, se incute um otimismo ingênuo quanto às intenções dos atuais dirigentes do Cremlim e as possibilidades de uma "evolução" interna do comunismo, o manifesto da TFP apresenta uma "mise au point" da política russa que mostra quanto há de precário nessas esperanças.

Assim, esse documento importa num incitamento a que o Ocidente se mantenha vigilante na defesa de seus valores ideológicos, dos seus direitos e de suas fronteiras.

Dessa vigilância, pensamos nós, poderá resultar a paz. A imprevidência e a cegueira diante do comunismo constituem um convite para que este se atire à guerra. Tal como o guarda-chuva de Chamberlain e o espírito de Munique foram um convite aliciante para que Hitler se atirasse à conquista de adversários que se lhe afiguravam entorpecidos e débeis.

É contra uma imensa Munique em relação ao comunismo, que o pronunciamento da TFP alerta a opinião nacional. Atitude que, por ser rara ou talvez única no ambiente em que nos encontramos, tem um mérito relevante, do qual a história do Brasil tomará a devida nota, quando cuidar das torvas vicissitudes de nossos dias.


A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade ao País

NO 50° ANIVERSÁRIO DA REVOLUCAO BOLCHEVISTA

Transcorrera no dia 7 do corrente o qüinquagésimo aniversário da implantação do regime comunista na Rússia.

Por ocasião desse lúgubre aniversário, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) fará celebrar nesta capital, em Brasília e em doze outras cidades, Missas pelo descanso eterno das vítimas feitas pelo marxismo, por todo o mundo, nas guerras, revoluções e atentados a que deu causa.

O Santo Sacrifício será celebrado também para obter da bondade divina que faça cessar o oprobrioso jugo vermelho exercido desde a última guerra sobre tantos países.

A estas intenções, somar-se-á por fim uma outra: que Deus jamais permita que o comunismo prevaleça no Brasil.

Se bem que esta entidade seja de caráter essencialmente cívico, e tenha por campo de ação a sociedade temporal, considera que nem por isto pode omitir-se do magno dever da oração. E obedece aos ditames de sua consciência, convidando para essa celebração religiosa seus sócios e militantes, bem como a população em geral.

Porém, não basta rezar. Cumpre agir. E, na ordem da ação, o que mais importa é esclarecer as mentes. Assim, no presente documento, a TFP oferece ao público uma "mise au point" de alguns aspectos de que o problema comunista se reveste em nossos dias.

Elogio do anticomunismo

Antes de tudo, impõe-se desfazer um equívoco.

O amor à concórdia dos espíritos, o desejo de unir todos os homens em torno de um pensamento e de uma ação comum, são por certo coisas excelentes. Entretanto, neste vale de lágrimas de tudo se pode tirar pretexto para exageros. Ora, o exagero é uma forma de corrupção. E, como a corrupção do ótimo é péssima, péssimas são, por força, as demasias e as afoitezas que um irrequieto e febricitante espírito de concórdia vai despertando aqui e acolá.

Para desfazer equívocos, desarmar prevenções, diminuir ou até eliminar divergências, nada melhor em muitas ocasiões do que o diálogo da salvação, como o mencionou Sua Santidade o Papa Paulo VI na Encíclica "Ecclesiam Suam". Entretanto, a propensão a dialogar, tão nobre em si mesma, não pode transformar-se em mania levada a um ponto que exclua qualquer atitude de leal e peremptória rejeição do que sabemos ser errôneo e mau. Em nome do diálogo da salvação, tem-se por vezes procurado ocultar a incompatibilidade fundamental que existe entre a ordem natural e a civilização cristã, de um lado, e o totalitarismo comunista de outro lado. Diante do comunismo, tem-se apregoado não raro como únicas razoáveis, sadias e atualizadas, uma linguagem e uma política de "compreensão", coexistência e até colaboração, em face das quais toda tomada de atitude nitidamente anticomunista aparece como antiquada, antipática e condenável.

Em uma palavra, na era do diálogo, em que entramos, seria sempre antipsicológico e contra-indicado — quando não descaridoso — apontar os erros do comunismo, prevenir contra eles a opinião pública, e utilizar a controvérsia doutrinária para que tais erros não só fracassem na conquista do Ocidente, mas acabem por ser rejeitados nas próprias nações de além da cortina de ferro e de bambu. Em lugar de alternar o diálogo com a controvérsia e até com a polêmica honesta e elevada, tratar-se-ia somente, entre comunistas e anticomunistas, de entrar em composição, e de chegar por um diálogo cheio de ambigüidades a uma síntese que seja uma amálgama de comunismo e anticomunismo.

Este modo de proceder, professado não raras vezes por pessoas que timbram em dizer-se não comunistas, se ressente da influência da própria dialética marxista, para a qual não existe uma distinção objetiva e inteira entre a verdade e o erro, e o espírito humano caminha necessàriamente de duas proposições contrárias — a tese e a antítese — para uma síntese que as contém e as supera. Cria-se assim o vezo de considerar que a solução para o grande confronto ideológico do nosso século está em encontrar uma terceira posição entre a verdade e o erro, o bem e o mal. Daí resulta que o anticomunismo seria em si mesmo errôneo. Pois ele vê no comunismo uma negação radical de verdades religiosas e de princípios da ordem natural, imutáveis.

Tal é a habilidade com que a seita marxista tem sabido inocular por toda parte seu relativismo dialético, que neste cinqüentenário é preciso começar por proclamar que, em face dela, o anticomunismo é uma posição legítima e necessária.

Por anticomunismo entendemos aqui toda atuação que, dentro dos cânones da moral cristã, e alternando judiciosamente o diálogo com a polêmica, vise a refutar a doutrina marxista, a afirmar os princípios que lhe são opostos, a desfazer as tramas comunistas, a criar obstáculos à ascensão do comunismo nos países livres, e a favorecer a libertação dos, povos por ele tiranizados.

O anticomunismo assim visto comporta, como é óbvio, também a eliminação das injustiças que nas sociedades livres sirvam de caldo de cultura para o comunismo. E de nenhum modo se confunde com os excessos, ora burlescos ora trágicos, para o qual tem sido pretexto.

Tudo isto esclarecido, repetimos que o anticomunismo é um bem.

Para afirmar esta verdade, e para professar uma atitude definidamente anticomunista, é preciso coragem nos dias que correm.

A bem dos princípios da ordem natural, a cuja defesa se vota, a TFP quer ter essa coragem, afirmando de público, nesta data cinqüentenária, sua posição anticomunista.

Mas, dir-se-á, esta posição é evidentemente negativista, como se vê pela própria expressão "anticomunismo". Tudo quanto é "anti" é negativo. E tudo quanto é negativo é destrutivo.

Tal objeção resulta da ignorância de certas peculiaridades da linguagem humana. Por motivos vários, há em todos os idiomas palavras negativas de sentido positivo. Em português, por exemplo, apontamos entre outras, as seguintes: in-nocência, in-falibilidade, in-dependência.

O comunismo é o "anti" por excelência, pois nega todas as verdades da Religião e todos os princípios básicos da ordem natural como no-los ensina a Igreja. Ser anticomunista é portanto ser contrário ao "anti", à

(continua)



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