Catolicismo - Acervo
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Esta sugestiva fotografia, com que a revista de Santiago "7 Dias" (da Editora Zig-Zag, controlada pelo governo) ilustra um artigo intitulado "O livro proibido", exprime bem o risco que há em ler no Chile o livro "Frei, o Kerensky chileno", proibido pela ditadura demo-cristã, ao mesmo tempo que o pouco êxito dos esforços desta para impedir-lhe a circulação.

REPERCUSSÕES DE UM LIVRO QUE A DEMOCRACIA-CRISTÃ NÃO CONSEGUE FAZER ESQUECIDO

Noticiário por A. A. Borelli Machado

Se alguma dúvida pudesse pairar sobre a importância da reportagem "Frei, o Kerensky chileno" e o acerto das conclusões a que chega o seu jovem e brilhante Autor, essa dúvida se dissiparia diante do violento vozerio de protesto que contra ela levantou a Democracia-Cristã chilena, sem que esse vozerio — que alcançou freqüentemente a estridência de um verdadeiro clamor — fosse acompanhado da menor tentativa de refutação.

Como se sabe, esse trabalho foi publicado inicialmente nesta folha, e depois em forma de livro, com edições simultâneas no Brasil e na Argentina.

Temos em mãos um grosso dossier constituído de recortes da imprensa andina e de outros países da América Latina, e mesmo da Europa, e podemos constatar o enorme "revuelo" — para usar a expressão de um jornal de Caracas — que o livro do Sr. Fabio Vidigal Xavier da Silveira causou, principalmente no Chile. Tal repercussão é uma prova da extraordinária penetração do livro junto às camadas mais sadias da opinião pública latino-americana, e explica o ódio cego e frenético que ele despertou nas fileiras demo-cristãs e nos setores esquerdistas em geral.

"Catolicismo" estampou em seu número de setembro p.p. a carta de protesto que o Embaixador chileno no Brasil enviou a esta folha por motivo da publicação de "Frei, o Kerensky chileno", e ao mesmo tempo demonstrou a inanidade das acusações contidas no documento. No mesmo número, demos publicidade a um comunicado do Serviço de Imprensa da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade que refutou nota da Secretaria de Imprensa da Embaixada do Chile, divulgada em jornais cariocas, acusando o livro de injurioso para com o presidente da nação irmã.

No número de novembro comentamos dois editoriais do diário "La Nación", em que o órgão oficioso do governo Eduardo Frei se derrama em diatribes contra "Catolicismo" e fulmina ameaças contra a revista "Fiducia", acusada, sem a mínima prova, de trair o Chile, e de organizar, do Exterior, uma campanha antichilena.

No mesmo número noticiamos a proibição e apreensão do livro, decidida pelo governo andino, sob o incrível pretexto de que nele se propugnaria uma intervenção armada dos países vizinhos para derrubar o Presidente Frei. O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, órgão do qual faz parte também o Sr. Fabio Vidigal Xavier da Silveira, telegrafou ao Sr. Eduardo Frei e ao Ministro Bernardo Leighton protestando contra a absurda acusação. O Sr. Xavier da Silveira, de Caracas, onde se encontrava de passagem, telegrafou no mesmo sentido ao Presidente Frei e ao seu Ministro da Justiça. Ao mesmo tempo o Sr. Eduardo de Barros Brotero, 1.° Secretário do Conselho Nacional da TFP brasileira, emitia um comunicado desfazendo as absurdas acusações que motivaram a apreensão do livro. Todos estes pronunciamentos foram amplamente divulgados pelos jornais. A imprensa chilena transcreveu o texto do telegrama do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira ao Sr. Bernardo Leighton. A iniciativa da divulgação partiu do próprio Ministério do Interior, o qual acrescentava que o Sr. Leighton não responderia.

Em nosso número de dezembro transmitimos em rápida nota as últimas notícias chegadas do Chile, onde o livro, proibido pelo governo, era àvidamente procurado, formando-se filas para o ler emprestado, posto que era muito difícil adquiri-lo, cotado, como estava, a 20 dólares o exemplar...

Destacamos, hoje, alguns recortes do volumoso dossier que pudemos formar.

Violação de correspondência

Os primeiros despachos publicados no Brasil sobre a proibição do livro diziam que os seus exemplares estavam sendo apreendidos e retirados de todas as livrarias de Santiago. Telegramas posteriores das agências noticiosas internacionais retificaram que a busca e apreensão dos livros se dava no próprio Correio, o que não deixava de soar muito mal, pois, se confirmado, representaria uma violação de correspondência.

O Ministério do Interior chileno julgou-se na obrigação de esclarecer o assunto, emitindo um comunicado no qual afirmava, entre outras coisas, que o governo teve conhecimento da entrada de exemplares do livro no Chile, procedentes da Argentina, porque alguns dos destinatários denunciaram o fato, e também porque o invólucro de um dos pacotes no Correio "se rompeu casualmente, de modo parcial", sendo que "este tipo de acidentes é normal na remessa internacional de impressos"...

(continua)



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