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PRESERVAR A INTEGRIDADE DA FÉ

Já estava encerrada a nossa edição de agosto/outubro, quando recebemos a Circular em que o Exmo. Bispo Diocesano explana a Profissão de Fé recentemente pronunciada pelo Santo Padre. Publicamos hoje esse notável documento em que o egrégio Prelado manifesta, mais uma vez, sua magistral segurança de doutrina, sua firmeza no amor à tradição e seu conhecimento plenamente atualizado dos problemas da Igreja em nossos dias.

CIRCULAR SÔBRE O PRÓXIMO MÊS DE OUTUBRO, A SER CONSAGRADO À EXPLANAÇÃO DA PROFISSÃO DE FÉ DO SANTO PADRE, PRONUNCIADA NO ENCERRAMENTO DO "ANO DA FÉ" EM 30 DE JUNHO DE 1968.

AOS REVMOS. SACERDOTES E AOS FIÉIS DA DIOCESE DE CAMPOS, SAUDAÇÕES, PAZ E BÊNÇÃOS EM Nosso SENHOR JESUS CRISTO.

A maior preocupação do ministério eclesiástico junto ao povo fiel deve ser no sentido de conservar a Fé, na sua pureza e integridade, como Jesus Cristo a confiou à sua Igreja, e é por Ela a nós transmitida. Empenhados, como estamos, no negócio da salvação eterna, é natural que voltemos nosso zelo especialmente para o fundamento dessa salvação, a Fé, sem a qual é impossível agradar a Deus (Heb. 11, 6).

Por isso mesmo que é meio indispensável de salvação, em todos os tempos, foi a Fé alvo dos ataques, ora violentos, ora simulados, do inimigo do gênero humano. Quando ele se convenceu de que a perseguição cruenta só fazia aumentar o número de cristãos, segundo o belo testemunho de Tertuliano, "sanguis martyrum semen est christianorum", mudou de tática. Procurou envenenar os espíritos com falsas concepções da própria doutrina revelada. Suscitou os heresiarcas, por vezes, no seio da própria Hierarquia Eclesiástica. Tornou a conservação e defesa da Fé mais difíceis, porquanto seus ministros se apresentavam sob vestes e com o cajado de pastor. Aliás, o Divino Mestre havia premunido seus discípulos, predizendo o aparecimento em seu redil de lobos sob a pele de ovelha (Mat. 7, 15).

E tão eficaz é esta maneira de iludir os fiéis, e desviá-los do caminho da salvação, que o demônio se tem dela servido em todos os tempos. Ultimamente, tem-na até aperfeiçoado. Pois que, na guerra, é sempre mais eficiente a ação do aliado que se mantém dentro do campo do adversário, desde os tempos do jansenismo, engendra o inimigo meios de conservar os fautores de heresia no meio do povo fiel. De maneira que, embora irradiando a pestilência de uma mentalidade falsa, herética, não obstante, aparecem como católicos, e filhos devotados da Santa Igreja.

A luta contínua da Igreja pela preservação da ortodoxia, na pureza com que Lha entregou o Divino Mestre, obriga o Magistério Eclesiástico a pautar o exercício de sua missão, ora por condenações que precavêm os fiéis contra erros, ora por símbolos ou profissões de Fé que emendam desvios doutrinários.

Nas circunstâncias atuais, julgou o Santo Padre que se fazia necessária uma palavra clara, explícita, sem possibilidade de falsas interpretações, que confirmasse os fiéis na verdadeira Fé. Num mundo que se agita transviado por uma sede de mutações, fruto de uma longa apostasia da Religião Católica, abalaram-se também muitas convicções relativas à Fé. Há mesmo, diz o Papa, católicos como que alucinados por desejos de mudanças e novidades. Outros, nos seus anseios de atualização, não tomam na conta em que deveriam a conservação intacta dos ensinamentos da Doutrina cristã.

As coisas chegaram a um ponto, que o Papa julgou que só poderia dissipar as trevas da confusão criada pelo inimigo no meio católico, mediante uma pública profissão de Fé. Fê-la, pois, em nome próprio e de todo o Povo de Deus, no encerramento do Ano da Fé, instituído para comemorar o glorioso martírio dos Santos Apóstolos, São Pedro e São Paulo.

Por seu ato, o Papa entende cumprir o mandato, confiado por Jesus Cristo a Pedro, do qual é Sucessor, de confirmar na Fé aos seus irmãos (Luc. 22, 32). Tendo em vista esta sua sagrada missão, e as condições espirituais de nosso tempo, ele julgou, conveniente ampliar o símbolo de Nicéia, "para corresponder, como declara, de modo apropriado à necessidade de luzes, sentida por um grande número de fiéis, bem como por todos aqueles que, no mundo, estão à procura da Verdade".

Na atitude do Santo Padre vemos um convite, renovemos também nós de maneira sempre mais intensa e esclarecida nossa adesão à Palavra revelada. Resolvemos, por isso, encarecer aos Nossos zelosos cooperadores, os Sacerdotes da Diocese, que consagrem o mês de outubro à explanação da Profissão de Fé pronunciada pelo Papa na Basílica de São Pedro, no dia 30 de junho deste ano, cuja cópia, em tradução da CNBB, enviamos junto, acrescida de subtítulos que auxiliam a leitura e compreensão do texto. As explicações, durante o mês, devem terminar na festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei, com um ato solene, no qual os Pastores com seus fiéis deverão recitar conjuntamente a mesma Profissão de Fé.

Nas condições presentes, julgamos cumprir Nosso munus pastoral, ao salientar alguns pontos contidos na citada Profissão de Fé e na Exortação com que o Papa a apresentou e justificou.

1 - NOÇÃO DA FÉ - Chama o Santo Padre a atenção sobre o fato de que a vida do Corpo Místico "se funda na Fé teologal", ou seja, na Fé que é virtude teológica, e que se distingue da confiança, com a qual a confundem os protestantes. À vista de um ressurgir do espírito modernista em muitos ambientes, é necessário insistir sobre o caráter específico da Fé, como se vê na definição que dela dá o Concílio Vaticano I: "A Fé, que é o início da salvação humana, a Igreja a define como uma virtude sobrenatural pela qual, inspirados e ajudados pela graça, cremos ser verdade o que Deus revelou, não devido à verdade intrínseca das coisas, conhecida pela luz natural da razão, mas em virtude da autoridade do próprio Deus, autor da revelação, que não pode enganar-Se nem enganar" (DS, 3008). 0 objeto, pois, da Fé são as verdades reveladas, admitidas em virtude da autoridade divina. Portanto, algo que deve ser apreendido pela inteligência.

É preciso insistir sobre esse caráter intelectual da Fé. A raiz da salvação está precisamente nessa homenagem da inteligência, com que o homem reconhece a sabedoria inefável de Deus, e se curva diante dela.

Para a salvação, porém, embora indispensável, não basta a aceitação das verdades reveladas. Pede-se mais. É preciso viver de acordo com essas verdades. É preciso que a Fé mova a vontade a executar as boas obras, ou seja, a obedecer aos mandamentos de Deus. O Papa nos lembra que a Fé nos revela a Deus como Ser infinito e Amor inefável. Para servir a Deus, conveniente e salutarmente, devemos prestar-Lhe os atos correspondentes à sua essência, Ser e Amor. Fazemo-lo com a Fé e a Caridade, prestando-Lhe a homenagem de nossa inteligência, e o holocausto de nossa vontade.

As explanações acima se contêm nas expressões, Fé viva e Fé morta. Viva é a Fé informada pela Caridade; morta, a Fé desacompanhada das boas obras. Elas servem também para evitar a má compreensão de certas expressões ambíguas, como esta, "a Fé é uma adesão vital e pessoal a Jesus Cristo". Se com ela queremos indicar que a Fé deve levar-nos a uma vida em que, pela imitação, reproduzimos em nós as virtudes exercidas por Jesus Cristo, nada mais certo. Os modernistas, no entanto,

((Conclusão na página 4))



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