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Excelente acolhida popular para o abaixo-assinado ao Papa

TAMBÉM NA ARGENTINA, CHILE E URUGUAI

Uma hábil e vasta propaganda levada a efeito através da imprensa, do rádio, da televisão e, até, do púlpito de certas igrejas, procurava apresentar as massas latino-americanas marchando irreversivelmente em busca de reformas de estrutura cada vez mais socializantes e radicais. Por outro lado, uma minoria de eclesiásticos e leigos apontava a sua própria atuação esquerdizante como não sendo senão o atendimento do clamor de justiça que se estaria erguendo em todos os quadrantes do continente. Procuravam ainda os progressistas dar a entender que a própria Igreja estava engajada no processo de derrubada das estruturas atuais e na sua substituição por um regime profundamente igualitário. Não se mostravam eles como uma facção aninhada dentro da Igreja, mas pretendiam falar em nome dEla, como se a Esposa de Cristo fosse a vanguardeira do movimento revolucionário.

A campanha desenvolvida simultaneamente em seus respectivos países pelas Sociedades Brasileira, Argentina e Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade e pelo Núcleo Uruguaio de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, veio desmascarar essa manobra e pôr a descoberto o "bluff" que a prestigiava. Com efeito, os 2 milhões de assinaturas angariados em todas as classes sociais e níveis econômicos dos quatro países - 1.600.000 no Brasil, 280 mil na Argentina, 120 mil no Chile, e 40 mil no Uruguai - permitem avaliar com toda a certeza quais são realmente as aspirações, os anseios e as preocupações dos povos latino-americanos. Mostram-se eles infensos a toda essa propaganda esquerdizante e rejeitam vivamente a ação subversiva de certos setores minoritários do Clero e, do laicato católico. Não só? não querem as propaladas reformas de base socialistas, senão que as repudiam.

Em nossa edição de agosto-outubro apresentamos uma ampla reportagem sobre a campanha do abaixo-assinado ao Papa no Brasil; queremos dar aos nossos leitores hoje uma idéia de como se desenrolou a campanha nos outros países.

280 mil assinaturas na Argentina

No dia 22 de julho os transeuntes da famosa "Calle Florida", uma das principais artérias de Buenos Aires, viram tremular novamente os estandartes rubros com o leão rompante. Era a Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade que se lançava em mais uma memorável campanha.

Ao mesmo tempo em que convidavam o público a aderir à "Reverente e filial mensagem a Sua Santidade o Papa Paulo VI", pedindo que "seja inteiramente eliminada a ação de eclesiásticos e leigos favorável ao comunismo", os jovens militantes da SADTFP distribuíam impressos elucidativos.

Apresentava um deles trechos do prefácio que o PE. ALEJANDRO MAYOL escrevera para o livro "Camilo Torres, el Cura guerrillero", de autoria de Norberto Habegger, ex-militante da Ação Católica argentina e prócer demo-cristão-marxista. O Pe. Mayol, que exerce seu ministério na Arquidiocese de Buenos Aires, faz um paralelo blasfemo entre Nosso Senhor Jesus Cristo e o Sacerdote apóstata colombiano morto em 1966 nas serras de seu país, onde operava como líder de um grupo de guerrilheiros comunistas. Diz o Pe. Mayol: “Cristo não morreu. Assassinaram-no. Camilo também". E, em outro trecho: "Que dilema para o Sacerdote! [...] deixar a paróquia (certo de que alguém vai queixar-se ao Sinédrio), manchar-se com sangue, ouvir lamentos. É alto, às vezes, o preço a pagar pelo sacerdócio autêntico". O mesmo volante faz ainda referência a outro Sacerdote portenho, o PE. CARLOS MUGICA, o qual, quando foi detido na Bolívia o guerrilheiro Régis Debray, integrante do bando de "Che" Guevara, viajou para aquele país como membro, juntamente com vários militantes comunistas, de uma comissão "de defesa dos direitos humanos". Pergunta com muito propósito a TFP argentina ao Pe. Mugica se alguma vez ele mostrou igual interesse pelos direitos da Igreja do Silêncio ou pelos direitos humanos de milhões de irmãos seus na Fé, que sofrem perseguição e morte nos países escravizados pelo comunismo.

Outro volante apresenta textos do Pe. ARTURO PAOLI, extraídos do livro "El trabajo y la paz", publicado com "Imprimatur" do então Bispo de Avellaneda, Mons. Jerónimo Podestá, conhecido por suas posições extremistas. Escreve o Pe. Paoli: "Há uma forma inábil e superficial de defender-se contra o mundo marxista. Consiste em defini-lo como "materialista", autodefinindo-se, ao mesmo tempo, coma "espiritualista" [...]. É necessário estabelecer um, diálogo entre "materialistas" e "espiritualistas", sabendo que tanto uns como outros podem aprender algo essencial, através desse diálogo". A TFP argentina pergunta, com justificado espanto, "o que pode a Igreja Católica, Santa, inspirada pelo Espírito Santo, aprender com o marxismo, qualificado pelo Papa Pio XI como intrinsecamente perverso [...]?" Em outros impressos a TFP platina apresenta trechos do famoso documento elaborado pelo Pe. Joseph Comblin.

Grande receptividade da parte do povo de quarenta cidades

A acolhida da população argentina ao abaixo-assinado foi calorosa. Em apenas dez dias de campanha já se haviam angariado 50 mil assinaturas.

Prosseguiu a coleta durante dois meses, sendo percorridos o centro e os bairros de Buenos Aires, bem como mais de 40 cidades das diversas regiões do país, tais como Mar del Plata, Mendoza, Tucumán, Salta, Córdoba, Corrientes, Paraná, etc.

O número de coletores — a totalidade dos elementos com que conta a Sociedade — foi sempre inferior às necessidades. Os jovens profissionais liberais, operários, empregados do comércio, estudantes, que se dedicaram a essa patriótica tarefa, não podiam dispor senão do tempo livre que as respectivas ocupações lhes deixavam. A propaganda através da imprensa, dado o seu elevado custo, foi pouco utilizada, de maneira que foi mister chegar ao público através de um esforço pessoal e direto, muitas vezes verdadeiramente esgotador. Tudo isso não obstante, foram coletadas 280 mil assinaturas, o que constitui um fato sem precedentes na história da nação argentina. Por isso mesmo, a campanha repercutiu amplamente na imprensa.

A adesão de personalidades

Logo nos primeiros dias de campanha deram sua assinatura de apoio à "Reverente e filial mensagem" dois eminentes Prelados, os Exmos. Monsenhores Adolfo Tórtolo, Arcebispo de Paraná, e Francisco Vicentín, Arcebispo de Corrientes. Firmou a seguir outra figura de destaque no Episcopado platino, Mons. Alfonso Buteler, Arcebispo de Mendoza.

Dentre as diversas personalidades oficiais que aderiram ao abaixo-assinado da SADTFP, cumpre

(continua)

LEGENDAS:
- A campanha na Argentina: placar de propaganda em Tucumán.
- Coleta de assinaturas na via pública, em Santiago do Chile.
- Santiago: dois agitadores esquerdistas (canto esquerdo da foto) observam irritados a coleta.



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