Catolicismo n° 274-276, outubro-dezembro de 1973
Revista Catolicismo
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"Catolicismo" e as TFPs das Américas apresentam à reflexão do grande público

O PANORAMA DE INJUSTIÇA, MISÉRIA E SANGUE DA "EXPERIÊNCIA CHILENA"

Em um país da América Latina foi feita uma experiência, válida para todos os países e que, por isso mesmo, atraiu a atenção do mundo inteiro. Foi a "experiência chilena", célebre precisamente por seu caráter de experiência. Ela consistiu na aplicação de um regime em que, cada vez mais, a propriedade privada ia sendo abolida. É natural que se pergunte agora, finda a experiência: quais foram os resultados dessa aplicação?

Em nossa época, apaixonada pelas experiências científicas, quando a observação imparcial e sistemática do caso concreto ocupa um tal papel na formação das convicções, é fascinante filmar em câmara lenta a "experiência chilena" e fixar para o presente e para o futuro alguns de seus aspectos mais significativos. ?

A grande imprensa trouxe uma quantidade imensa de dados a respeito, mas infelizmente esses dados nem sempre eram próprios para se poder formar uma opinião definitiva; ademais, as notícias não foram sempre apresentadas de forma concatenada, de modo a delinear um quadro que permitisse emitir um juízo sobre a famosa "experiência".

Por essa razão, "Catolicismo", "Tradición, Familia, Propiedad" e "Fiducia", junto com os órgãos das outras TFPs e entidades congêneres de toda a América (ver a relação em outro local desta edição), resolveram constituir uma equipe para reunir e ordenar o maior número de informações, formando um quadro de conjunto da "via chilena". Essa equipe, chefiada pelo Sr. Cosme Beccar Varela Hijo, Presidente da TFP argentina, foi integrada pelos Srs. Ernesto P. Burini, Diretor da mesma Sociedade, Luis Montes Bezanilla e Andrés Lecaros Concha, Diretores da TFP chilena, e Fernando Furquim de Almeida Filho, Chefe do Laboratório Fotográfico da TFP brasileira.

Eles estiveram no Chile durante quinze dias no mês de setembro, realizando pesquisas em Santiago, em Valparaíso e no Sul, e entrevistando pessoas de todas as categorias, desde professores, profissionais liberais, especialistas e técnicos, até gente do povo escolhida ao acaso. Consultaram ainda o opulento arquivo da Sociedade Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. As entrevistas foram todas gravadas, e teremos prazer em colocar as fitas magnéticas à disposição de quem as quiser verificar.

Aqui está, pois, a visão panorâmica da "experiência chilena" que as TFPs, através das páginas de "Catolicismo", oferecem à meditação do público brasileiro e latino-americano.

Marx, com seu socialismo, fechou para a humanidade a era da fome ou abriu para a humanidade a era da miséria?

O socialismo, afastando-se da verdadeira ordem — que é a ordem cristã — produz o caos, a miséria e a violência.

Eliminando a propriedade privada, o socialismo substitui o patrão pelo Estado. E o pior dos patrões é o Estado.

O Estado, porque mau patrão, é mau produtor.

A reforma agrária socialista e confiscatória, desestimulando as esperanças dos melhores trabalhadores de ascenderem à condição de proprietários, acarretou a subprodução e, portanto, a miséria nas cidades e nos campos.

A reforma socialista e confiscatória da indústria e do campo prejudicou gravemente os trabalhadores chilenos.

Introduzido em um campo da atividade humana, o totalitarismo tende a atingir todos os outros. Assim, necessariamente, o totalitarismo econômico traz o totalitarismo educacional, o totalitarismo informativo traz o totalitarismo político-policial.

O intervencionismo estatal no comércio: mais um fator de escassez e de fome.

O intervencionismo estatal na indústria levou o Chile ao colapso da produção.

Faltou peixe porque Allende entregou o abastecimento aos russos.

A qualidade dos vinhos andinos, para consumo nacional e exportação, decaiu com a reforma agrária.

O socialismo acarretou aumento da mortalidade infantil.

A "via chilena", parábola de um comunismo com roupagem nova.

O socialismo, implantando a onipotência econômica do Estado, elimina virtualmente a liberdade de expressão. As liberdades políticas no Chile de Allende eram aparências cada vez mais pobres de conteúdo real.

O Judiciário chileno ficou impotente pelo não cumprimento de suas decisões pelo Executivo.

Uni governo marxista nunca renuncia ao emprego da violência para atingir seus objetivos.

Um marxista nunca entrega voluntariamente o poder.

Sem a colaboração do Clero, o comunismo não se teria implantado no Chile, nem se teria mantido nele por tanto tempo.

O marxismo não conseguiu persuadir as massas chilenas.

A reação contra o regime de Allende não começou pelas elites dirigentes, mas pelas camadas populares, conduzidas pelos seus líderes naturais.

"Cardeal era visto com frequência ao lado de Allende". Entrevista com o Revmo. Pe. Raymundo Arancibia.

Socialismo confiscatório destrói a lavoura chilena. Entrevista com o Dr. Jorge Barahona Urzúa, líder pecuarista.

Fala um especialista que Allende consultou. Entrevista com o Dr. Fernando Mönckeberg Barros, nutricionista e pediatra.

"Quem não tinha cartão não podia comprar nada". Entrevista com Blanca Cuevas Andreu, empregada doméstica.

O povo narra o que foi sua penúria e sua angústia. Entrevista com populares nas ruas de Santiago.

Estatização da indústria: caos e colapso da produção. Entrevista com o Eng.° Fernando Agüero, gerente geral da Sociedade de Fomento Fabril.

A falta de garantias legais no Chile de Allende. Entrevista com o Dr. José Maria Eyzaguirre, advogado em Santiago.

Perseguição socialista às empresas comerciais particulares. Entrevista com o comerciante Eduardo Garín Cea, secretário geral da Confederação do Comércio Varejista e da Pequena Indústria.

"Saímos à rua com as panelas vazias". Entrevista com a Sra. Adriana de la Barra de Mister, líder de manifestações femininas contra o regime de Allende.

Os "camioneros" acenderam a chispa salvadora. Entrevista com proprietários de caminhão.

Derrocada rural sob o regime de Allende. Entrevista com o Sr. Rodrigo Mujica, professor de Economia Agrária na Universidade Católica de Santiago.

Legenda:
- O Cardeal Raul Silva Henriquez, Arcebispo de Santiago e Primaz do Chile, felicita cordialmente Allende depois da posse deste. Sem o apoio do Clero o governo marxista não se teria instalado, nem durado tanto.
- As filas intermináveis foram um pesadelo para os chilenos. Muitas delas se formavam de véspera e as pessoas levavam cadeiras e caixotes para sentar, e até cobertores para enfrentar o frio da noite.



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