A ORDEM RELIGIOSA QUE DESAFIA A HISTÓRIA

Nove séculos antes do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, um Profeta fundava uma Ordem religiosa destinada ao culto da Mãe de Deus. Arrebatado num carro de fogo, esse Santo fundador não morreu e voltará ao convívio dos homens no fim dos tempos, para combater o Anticristo. Isto significa que a Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo — pois é dela que se trata — continuará a existir até o fim do mundo. Em comemoração à festa de Nossa Senhora do Carmo, celebrada no dia 16 de julho, oferecemos aos leitores alguns traços da alma do Profeta Elias, além de breve histórico da misteriosa e uma das mais privilegiadas Ordens religiosas existente na Igreja. Na foto, imagem barroca de Nossa Senhora do Carmo que se venera na sede do Conselho Nacional da TFP, em São Paulo (Página 2).

O centrismo conduz a Espanha à esquerda

— "Bom dia, senhora, creio que ainda não fomos apresentados".

Na abertura do novo Parlamento espanhol, o primeiro-ministro Adolfo Suarez, chefe da coligação vencedora das eleições — União do Centro Democrático — recebe a presidente do Partido Comunista Espanhol, Dolores Ibarruri, conhecida como La Pasionaria por sua sanha sanguinária.

A frase e o sorriso com que Suarez acolhe a velha militante comunista bem indicam os pendores do centrismo, do qual o primeiro-ministro se diz representante. O idílio centro-esquerda começou. Página 5.

O PAPA ANALISA A SITUAÇÃO NO BRASIL

Telegrama da TFP a Paulo VI

Conforme largamente noticiou a imprensa diária, o Santo Padre Paulo VI recebeu em audiência o embaixador brasileiro, Sr. Espedito de Freitas Resende. O Pontífice respondeu à saudação deste com uma alocução que causou estranheza em largos setores da opinião pública de nosso País. Pelo contrário, o quotidiano "L'Unità", órgão do Partido Comunista Italiano (6-7-77, p. 14), noticiando as palavras de Paulo VI, delas tirou partido com evidente satisfação.

A. propósito da alocução de Paulo VI, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, enviou a S. S. o seguinte telegrama, datado de 7-7-77:

"Beatíssimo Padre Paulo VI
CIDADE DO VATICANO

Movida por sua profunda e filial veneração à infalível Cátedra de São Pedro, a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), está persuadida de cumprir um dever tornando presente a Vossa Santidade suas reflexões e sentimentos acerca de pronunciamentos e atitudes de Vossa Santidade concernentes à efetivação de sagrados princípios do Direito Natural e da moral cristã no Brasil e no mundo contemporâneo.

Esta Sociedade se sente perplexa, Santíssimo Padre, ao notar que a alocução dirigida dia 4 por V. S. ao Embaixador do Brasil deixa ver sua paternal solicitude ante violações de direitos humanos que a V. S. consta haverem ocorrido por ocasião de atos de repressão contra agitadores comunistas. Mas não contém qualquer censura à violação de direitos humanos sistemática e astuciosa, que o comunismo internacional, com sede na Rússia, vem cometendo há décadas em nosso território ao instigar continuamente a luta de classes e a revolução social, com patente violação de nossa soberania. Instigação esta favorecida — como nos dói dizê-lo — pela atitude de simpatia, quando não de cumplicidade, de eclesiásticos e leigos da chamada esquerda-católica com os manejos soviéticos. Exemplo disto são certas poesias e afirmações doutrinárias de D. Pedro Casaldáliga, Bispo-Prelado de São Félix do Araguaia.

As relações cordiais do Vaticano com o governo russo nos levam a esperar que um protesto de V. S. poderia influenciar os soviéticos no sentido de cessarem a pressão subversiva que exercem no Brasil e em toda a América Latina, a qual é sentida como um verdadeiro pesadelo pelas famílias brasileiras e dos países irmãos. Contribuindo para eliminar tal pressão, Vossa Santidade daria o seu mais valioso concurso para diminuir o perigo comunista, e tirar assim a ocasião para os excessos da repressão anticomunista aludidos por V. S.

Pedimos também vênia para dizer que se a solicitude de V. S., transpondo o Oceano e as fronteiras de nossa Pátria, se alarma em público pronunciamento com os já referidos excessos, esperamos que com a maior urgência V. S. manifeste de público aos governos comunistas o horror que a V. S. causam as atrocidades cometidas continuamente sobre os povos que eles dominam. Destas atrocidades são exemplos as repressões exercidas ainda nestes últimos dias contra os dissidentes russos. Bem como a chacina que o governo comunista da Etiópia cometeu matando trinta mil oposicionistas.

Sobretudo nos parecem dignos de uma alta e paterna manifestação de apoio e proteção de V. S. as infelizes famílias vietnamitas fugitivas do comunismo que vogam pelos mares do Extremo Oriente em frágeis embarcações, na maior miséria e desassistidas pelos governos não comunistas circunvizinhos, presumivelmente coarctados por alguma pressão comunista. Suplicamos, pois, um gesto de repercussão mundial de V. S. que lhes possa aliviar a triste sorte!

Rogamos respeitosamente a Vossa Santidade que nos releve se acrescentamos que o público silêncio de V. S. sobre fatos como estes nos causa a mais dolorosa perplexidade.

Levando a V. S. a expressão destes sentimentos, que estamos certos não serem só nossos, mas de incontáveis católicos do Brasil, da América Latina e do mundo inteiro, contribuímos para evitar que no seio da Santa Igreja Universal tome volume um bolsão de filhos indefectivelmente fiéis, desolados mas até o momento cronicamente silenciosos, que vai crescendo dia a dia, e que vai formando na Cristandade uma zona dolorida e relegada a uma como que catacumba, à maneira da Igreja do Silêncio por trás da Cortina de Ferro.

Pedindo as bênçãos de V. S., nos subscrevemos com toda a veneração.

Plinio Corrêa de Oliveira

Presidente do Conselho Nacional da ociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade".