CUBA E PANAMÁ: NOVAS CONCESSÕES DE CARTER

Os governos dos Estados Unidos e de Cuba deram recentemente importante passo visando o restabelecimento pleno das relações diplomáticas e comerciais. Em Washington foi instalado um escritório para cuidar dos interesses cubanos, e em Havana iniciativa análoga foi tomada para tratar dos assuntos relativos ao grande vizinho do norte.

Enquanto a administração Carter procura açodadamente normalizar suas relações com o regime castrista, milhares de prisioneiros políticos anticomunistas definham ou morrem em prisões e campos de concentração da ilha do Caribe; milhares de soldados, assessores militares e civis cubanos atuam escandalosamente em diversos países africanos e, segundo informações recentes, num país sul-americano.

A constatação desses fatos nos conduz a uma conclusão: o zelo do presidente norte-americano na defesa dos direitos humanos é seletivo. Quando se trata de algumas regiões do mundo, tal zelo é intenso e sistemático; mas para outras zonas, o empenho do chefe do executivo americano quanto ao mesmo objetivo é muito moderado, ou praticamente nulo, como no caso de Cuba...

Na página 2 analisamos vários aspectos dessa surpreendente iniciativa de Carter.

Um dos últimos episódios dessa política externa paradoxal do regime de Washington foi a ratificação do tratado sobre o Canal do Panamá. O chefe do executivo panamenho, Omar Torrijos — grande amigo de Fidel Castro — enviou a este significativo telegrama, sobrevoando Cuba, em seu retorno de Washington, após a assinatura do acordo. Da mensagem, destacamos os seguintes tópicos: "De regresso a minha pátria saúdo-o com a amizade de sempre. Desejo que o povo cubano, sob sua direção, continue sua marcha para o progresso. Na América Latina seu renome se associa aos sentimentos de dignidade que se canalizam para apagar todos os vestígios do vergonhoso colonialismo".

Após tomarmos conhecimento de tais expressões, torna-se mais fácil para nós compreender porque a maioria dos norte-americanos se manifestou contrária ao tratado, segundo pesquisas de opinião pública.

Na foto, Fidel Castro recebe Torrijos em Havana.

Vietnamitas também são gente

TFP intercede por vítimas do comunismo

Oito mil vietnamitas fugitivos foram socorridos e asilados em diversos países. Mas outros 110 mil pereceram nos mares, declarou em Tóquio, ao correspondente do jornal londrino "The Times", o Sr. Tran Van Son, ex-deputado e líder da oposição no Vietnã do Sul. No nobre empenho de não se sujeitarem ao aviltante jugo comunista, dezenas de milhares de famílias desventuradas arriscaram-se a fugir apinhadas em frágeis embarcações. Porém, quase todos os portos a elas se fecham, e poucos navios as acolhem. Estarrecida ante tais fatos, a TFP lança um apelo aos detentores do maior poder temporal e espiritual da terra: o Presidente dos Estados Unidos da América, Sr. Jimmy Carter, e S. S. Paulo VI. Ambos são propulsores universais de uma campanha pelos direitos humanos. E é precisamente nos direitos humanos mais fundamentais que vêm sendo lesadas as vítimas vietnamitas. Negá-lo, importaria em dizer que elas não têm direitos. Ou que não são seres humanos. Leia na página 3 os telegramas do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a Carter e a Paulo VI, bem como o ofício que o Presidente do Conselho Nacional da TFP enviou ao Presidente Ernesto Geisel pedindo a intervenção do governo brasileiro em socorro dos inconformados do Vietnã.

Na foto, cena no convés de um barco desses heroicos fugitivos.

DESMANTELADO O ENSINO PORTUGUÊS

No saguão do aeroporto de Lisboa, crianças reunidas em volta de um tacho com comida procuram matar a fome. Elas e suas famílias são vítimas recentes da política de "descolonização" do governo luso, tendo sido expulsas do atual Moçambique marxista apenas porque desejaram continuar portuguesas. Centenas de refugiados como esses permanecem acampados no aeroporto, pois não encontram lugar para residir.

Mas além da fome, tais crianças terão que enfrentar outro problema: onde irão receber instrução? E que tipo de educação será essa? O leitor poderá encontrar a resposta às questões acima nas páginas 4 e 5, onde é analisado o desmantelamento do ensino português a partir da "Revolução dos cravos", de 1974.