Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI

Plinio Corrêa de Oliveira

"Quomodo obscuratum est aurum!" — "Como chegou a tornar-se escuro o ouro!" — exclamava o Profeta Jeremias (Lam. 4, 1).

Desde Nóbrega e Anchieta, a luminosa atuação dos missionários em nosso País consistiu em evangelizar, educar, civilizar nossos irmãos silvícolas. E essa foi sempre a ação característica de todos os verdadeiros missionários em relação aos não católicos.

Mas o ouro inestimável, ao qual a atuação missionária tradicional pode ser comparada, vai se obscurecendo.

Nos dias de hoje, uma poderosa corrente missiológica, influenciada pelo progressismo cada vez mais difundido em nossos meios eclesiásticos, visa precisamente o contrário: proclama o estado dos silvícolas como a própria perfeição da vida humana, opõe-se à integração destes à civilização ocidental, afirma o caráter secundário — quando não a inutilidade — da evangelização, e não poupa críticas à ação dos grandes missionários de outrora, e nem mesmo à de Nóbrega e Anchieta, aos quais todo o Brasil venera.

Da orla de nossas selvas, esses neomissionários lançam apelos em prol da luta de classes, a qual desejam ver corroendo até às entranhas, o Brasil civilizado.

O estudo do pensamento da corrente neomissiológica é indispensável para quem deseje conhecer a grande crise que abala a Igreja no Brasil. E compreender de que maneira tal crise tende a contagiar o País, transformando-se de crise religiosa em crise de toda a Nação.

"Catolicismo" se honra em publicar em primeira mão o penetrante estudo sobre a candente questão missionária no Brasil, de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP e escritor católico de renome internacional.

D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia, em trajes episcopais "aggiornati": por "báculo", um remo (totem? ); por "mitra", um chapéu de palha; e "estola". Para ele, os índios não devem ser civilizados, mas permanecer no estado em que se encontram, como o cacique da foto. Em sua autobiografia D. Pedro afirma: "Colonizar" e "civilizar" já deixaram de ser para mim verbos humanos. Como não o são, aqui onde vivo e sofro, as novas fórmulas colonizadoras de "pacificar" e "integrar" os índios. Imperialismo, Colonialismo e Capitalismo merecem, no meu "credo", o mesmo anátema. Repugnam-me os monumentos aos descobridores e aos bandeirantes". Por isso, D. Casaldáliga investe também contra o Apóstolo do Brasil: "Anchieta foi até certo ponto transmissor de um evangelho colonizador. A Igreja deve se penitenciar".

O missionário tradicional visava trazer os homens para a Igreja e abrir-lhes assim as portas da salvação. Dentro dessa concepção, os Padres Nóbrega e Anchieta (este no alto da página) lançaram os fundamentos da evangelização do Brasil e desempenharam papel capital no surgimento das duas metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. Dentro do mesmo espírito, seus continuadores foram integrando paulatinamente os nossos indígenas à civilização cristã. Assim, até há pouco tempo, podíamos ver cenas como esta, de um índio Xavante convertido à Fé católica, que reza fervorosamente diante do Cruzeiro.