Catolicismo n° 355-356, julho-agosto de 1980
Revista Catolicismo
Busca Google dentro do Site:
« »
<<       Página       >>


(continuação)

- Paróquia vários jovens se engajaram na luta de libertação, Pe. Uriel Molina (palmas) (12);

(12) Idem comentário 8.

- E agora tenho a honra de chamar o Pe. Miguel D'Escoto, que é o Ministro das Relações Exteriores da Nicarágua (palmas);

- A Frente Sandinista deve muito a vitória de sua luta a três irmãos que nasceram num pequeno povoado da Nicarágua, chamado Libertad. São os irmãos Camilo, Humberto e Daniel Ortega Saavedra (palmas prolongadas). Camilo Ortega Saavedra morreu em combate em 1978. Humberto, Comandante Humberto é hoje Ministro da Defesa da Nicarágua. O Comandante Daniel Ortega Saavedra, aqui conosco, é membro da Junta de Governo de Reconstrução da Nicarágua, e da Direção Nacional da Frente Sandinista de Libertação Nacional (13).

(13) Idem comentário 8.

2 . Uniforme de guerrilheiro para um Bispo do Brasil

Frei Betto. – E para iniciarmos esta sessão, nós vamos ouvir uma homenagem do Grupo-Teatro União e Olho Vivo (palmas).

Música nicaraguense inicia a sessão

Idibal Piveta. – Companheiros, a primeira música desta noite, desta noite da América Latina, da liberdade e da justiça social, é uma música, como não poderia deixar de ser, da Nicarágua, uma música do povo da Nicarágua, feita para Sandino.

- Música (palmas).

Esta música é uma música dedicada ao comandante em chefe da Revolução da Nicarágua, Carlos Fonseca Amador, morto no Departamento de Zelaya em 1977 lutando pela liberdade da América Latina e pelos povos do Terceiro Mundo.

Presente simbólico: uniforme de guerrilheiro

Quando nós estivemos, em dezembro, na Nicarágua, levando a nossa pequena solidariedade ao povo da Nicarágua e da América Latina, nós recebemos alguns uniformes e presentes dos guerrilheiros da Nicarágua, para que nós déssemos a companheiros brasileiros (14). Para homenagear aqueles brasileiros que têm lutado pelo seu povo, pela liberdade e pela justiça social (15).

(14) Como se vê, a outorga é feita pelo coordenador do conjunto musical brasileiro União e Olho Vivo, cujos integrantes tinham ido à Nicarágua visitar seus irmãos sandinistas. Receberam então destes – expressivo símbolo de comunhão de metas e métodos – alguns uniformes de guerrilheiro, para que os distribuíssem, não menos significativamente, a "companheiros" brasileiros. Um dos galardoados com a "honraria" foi D. Pedro Casaldáliga. O que, por sua vez, é rico de significação.

(15) Notar o alcance simbólico da outorga do uniforme: parece convidar os presentes a que, por seu turno, se entreguem à violência.

Eu gostaria de entregar este uniforme, dado por uma companheira guerrilheira da Nicarágua, a D. Pedro Casaldáliga! (palmas estrondosas, assobios, gritos) (16).

(16) D. Pedro Casaldáliga, Bispo de São Félix do Araguaia, é aqui aclamado, e por assim dizer investido, na qualidade de chefe do que se poderia designar como a ala do "esquerdismo católico" brasileiro explicitamente partidária da revolução social à mão armada.

Uniforme de guerrilheiro: "sacramento de libertação"

D. Pedro Casaldáliga. – Eu vou procurar agradecer com os feitos, voy a procurar agradecer este sacramento de liberación que acabo de recibir, com los hechos (16). Este color verde é verde da cor como as nossas matas sacrificadas da Amazônia. Às vezes significou a repressão, a tortura. Tem significado também, na Nicarágua, a libertação, a vida, uma pátria nova.

(16) O Prelado recebe o presente simbólico e promete engajar-se.

Bispo promete agradecer até com sangue

Digo que vou procurar agradecer com os feitos e, se preciso, com o sangue (palmas) (17). Juntaremos nossa esperança comum, que é fé em Deus e fé no povo dos pobres; vontade de termos uma América nova, livre; vontade de conquistarmos a liberdade, que não se dá, se conquista. Unidos dentro de cada pátria, os diferentes povos – indígenas, negros – unidos pátria com pátria.

(17) Idem, até "o sangue".

Este dia de hoje, para mim, para todos nós, é um dia verdadeiramente histórico.

D. Casaldaliga: compromisso "social e político até à morte".

Por primeira vez, no Brasil, no mundo, a fé da Igreja pensada em teologia, a fé da Igreja partilhada ecumenicamente, Igreja Católica (18), igrejas evangélicas, é testemunhada pela prática, pelo compromisso de uma caridade que se torna social e política até a morte (19) para ganhar a vida.

(18) D. Casaldáliga procura comprometer veladamente a própria Igreja Católica no símbolo que recebe.

(19) Mais uma apologia da violência.

Com jaqueta de guerrilheiro "paramentado como padre"

Eu me sinto, vestido de guerrilheiro, como me poderia sentir paramentado de padre (palmas calorosas). É a mesma celebração que nos empurra à mesma esperança.

Apenas para terminar, gostaria de pedir para todos vocês, que sejamos consequentes. O que estamos celebrando, o que estamos aplaudindo nos compromete até o fim (20).

(20) D. Casaldáliga procura desde logo arrastar os ouvintes para a efetivação de um tipo de ação do mesmo gênero do que merece o seu aplauso.

Nicarágua nos deu o exemplo: todos nós, todos os povos da América Latina, todos os povos do Terceiro Mundo, vamos atrás! (palmas prolongadas) (21).

(21) O Prelado incita a uma revolução internacional do tipo nicaraguense.

"Olho Vivo": cântico de homenagem a "mártir".

Membro do Grupo-Teatro União e Olho Vivo. – Nós vamos cantar essa música, que é dedicada ao comandante Carlos Fonseca Amador, e vamos pedir ao público que acompanhe o refrão do estribilho, que é muito fácil; é uma música de toda a Nicarágua. O estribilho é o seguinte:

"Comandante Carlos Fonseca,
"Comandante Carlos, Carlos Fonseca,
tan gran vencedor de la muerte,
novio de la patria roja y negra,
Nicarágua entera te grita: presente".

Este é o retrato do comandante Carlos Fonseca Amador.

- Música (palmas).

(continua)

LEGENDAS:
- Verdadeiro arsenal numa escola dirigida por Padres salesianos, em Masaya, a leste de Manágua: rifles, granadas, munição. Três Sacerdotes foram presos, segundo a agência UPI.
- Na alça de mira da propaganda guerrilheiro-revolucionária, o Brasil. Os sandinistas vieram aqui para dizer que a revolução em nosso País "não é impossível".



Advertência

Este texto, reconhecido pelo processo OCR, não passou por revisão e pode conter erros de digitação.
Sua transcrição parcial ou total está autorizada, desde que seja citada a fonte e o texto conferido com o da imagem original.

Agradecemos desde já reportar-nos erros de digitação, através do
Fale conosco


CRÉDITOS
© Copyright 1951 -

Editora Padre Belchior de Pontes Ltda.

Diretor
Paulo Corrêa de Brito Filho

Jornalista Responsável
Nelson Ramos Barreto
Registro na DRT/DF
sob o nº 3116

Administração
Rua Javaés, 681
1° Andar
Bairro Bom Retiro
CEP 01130-010
São Paulo- SP

SAC
(11) 3331 4522
(11) 3331-4790
(11) 2843-9487

Correspondência
Caixa Postal 707
CEP 01031-970
São Paulo-SP

E-mail:
catolicismo@terra.com.br

ISSN 0102-8502

 HOME 

EDIÇÃO POR

TOPO
 
+ZOOM
-ZOOM
 
HOME PAGE
HOME
 
IR AO TEXTO DA MATÉRIA
TEXTO