Catolicismo n° 355-356, julho-agosto de 1980
Revista Catolicismo
Busca Google dentro do Site:
« »
<<       Página       >>


(continuação)

perspectiva cristã. Ele tem profunda convicção cristã de que se encarnar no sofrimento de um povo é assumir todas as consequências de uma luta, sobretudo numa nação esmagada por gorilas militares e potências estrangeiras.

É necessário então que renunciemos a nossa vida. Não há nada maior – já dizia Jesus – do que dar a vida pelos outros. Negar a sua própria ... (gravação interrompida).

.... torturas que não se aplicam nem a animais, chegou a urinar sangue. Ficou muitos dias coberto por uma máscara embebida em sabão, recebeu choques elétricos. E se assumiu essas torturas, foi porque compreendia que a vida só tem sentido na luta de um povo. Não valia a pena viver por outra razão.

E quando os companheiros caíam na luta, eles diziam: Companheiros, adiante, a vitória é nossa! Sentiam que a libertação de um povo, na libertação do povo sobrevivem os companheiros tombados na luta. E essa esperança nasce da perspectiva cristã. E o povo não é só o povo da Nicarágua; é todo o povo da pátria grande latino-americana, a pátria sonhada por Bolívar, Martí, Guevara, Sandino, Carlos Fonseca, que continuam vivendo nas nossas lutas e nas nossas esperanças (47).

(47) As palavras de Frei Betto não são senão um endosso, pelo frade dominicano, da "perspectiva cristã" revolucionária exposta no discurso anterior.

Por sua vez elas deixam bem claro no que consiste a peculiar interpretação do Cristianismo, que leva os teólogos da libertação e seus sequazes a uma espécie de "guerra santa", que é como veem a luta de classes. Com quanta vantagem para a guerra psicológica comunista, nem é necessário encarecer.

Ouvindo Frei Betto fazer uma apologia pública do heroísmo fanático de seus consectários, fica-se pasmo. Não se nota, em suas palavras, qualquer reflexo da circunstância tão marcante de que ele – conforme sentença do mais alto órgão judiciário civil do País, o Supremo Tribunal Federal – fora condenado a dois anos de prisão, por participar, juntamente com seus pouco heroicos irmãos de hábito envolvidos no caso Marighela, de uma conspiração terrorista.

Desconcerta igualmente que ao excitadíssimo público de extrema-esquerda que ali se achava, não tivesse partido uma só voz evocando nessa ocasião o drama Marighela. O silêncio parece mostrar quanto é disciplinada a grei comunista. O ex-subversivo e sentenciado Frei Betto se achava bem instalado em tal grei.

5 . O agitador rural apresenta seu trabalho

Frei Betto. – Nós vamos ouvir agora o companheiro Agustín Zambola, que trabalha junto aos camponeses da Nicarágua (palmas).

Fala um guerrilheiro do campo

Agustín Zambola. – Boa noite, companheiras e companheiros.

Quero compartilhar com vocês um pouquinho de minha experiência no trabalho com os irmãos camponeses (48) da zona do Departamento de Zelaya, na Nicarágua. Irmãos com quem trabalhamos braço a braço e ombro a ombro no campo, no lodo do caminho, nos rios.

(48) Depois da guerrilheira e do guerrilheiro urbanos, um guerrilheiro do campo comunica suas "experiências". Vê-se que a sessão está perfeitamente arquitetada para arrastar à guerrilha as várias faixas do público trabalhador.

Ação junto às Comunidades de Base rurais

Algo que lhes quero contar, quanto à minha experiência, é o trabalho nas Comunidades com os irmãos camponeses, e o que isto significou dentro do processo da Revolução na Nicarágua.

"Conscientização" dos lavradores

Desde 1968 iniciamos um trabalho muito mais intenso na Costa Atlântica da Nicarágua: o trabalho com os delegados da Palavra nas Comunidades de Base. Um trabalho motivado pelos irmãos capuchinhos que atuam naquela zona. Foi então que os irmãos, pela primeira vez, começaram a dialogar sobre a Palavra de Deus. Começaram a dar-se conta do significado do diálogo, do ato de compartilhar o pão da Palavra (49).

(49) A guerrilheira e o guerrilheiro urbanos apontaram o caráter essencialmente religioso da sua luta. Também o guerrilheiro do campo torna patente sua origem religiosa, e a dedicação a uma "guerra santa".

O diálogo e o compartilhar a palavra por muito tempo ia ajudando as Comunidades a descobrirem suas necessidades. Não somente o fato de falar sobre a Palavra, mas ao mesmo tempo em que ia tomando consciência de si, iam-se dando conta (50) da situação em que vivíamos. Situação de pobreza – fortemente – situação de isolamento, situação de exploração. Pouco a pouco iam-se dando conta de sua própria situação, a partir da leitura e do diálogo da Palavra.

(50) Mais uma vez, "conscientização".

(continua)

LEGENDA:
Militantes sandinistas dominam as ruas de León, Nicarágua.



Advertência

Este texto, reconhecido pelo processo OCR, não passou por revisão e pode conter erros de digitação.
Sua transcrição parcial ou total está autorizada, desde que seja citada a fonte e o texto conferido com o da imagem original.

Agradecemos desde já reportar-nos erros de digitação, através do
Fale conosco


CRÉDITOS
© Copyright 1951 -

Editora Padre Belchior de Pontes Ltda.

Diretor
Paulo Corrêa de Brito Filho

Jornalista Responsável
Nelson Ramos Barreto
Registro na DRT/DF
sob o nº 3116

Administração
Rua Javaés, 681
1° Andar
Bairro Bom Retiro
CEP 01130-010
São Paulo- SP

SAC
(11) 3331 4522
(11) 3331-4790
(11) 2843-9487

Correspondência
Caixa Postal 707
CEP 01031-970
São Paulo-SP

E-mail:
catolicismo@terra.com.br

ISSN 0102-8502

 HOME 

EDIÇÃO POR

TOPO
 
+ZOOM
-ZOOM
 
HOME PAGE
HOME
 
IR AO TEXTO DA MATÉRIA
TEXTO