Catolicismo n° 355-356, julho-agosto de 1980
Revista Catolicismo
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(continuação)

e conseguir ajuda e empréstimo para fortalecer a economia de um povo, para fortalecer nosso processo revolucionário.

Estávamos perguntando a um companheiro nosso quais as últimas informações acerca de 75 milhões que estavam em discussão nos Estados Unidos há um bom tempo: se já o aprovaram ou não o aprovaram.

Queremos deixar isso claro, e já o deixamos claro para nosso povo, que desses 75 milhões não depende o futuro da Revolução Nicaraguense (palmas). Porque, de repente, lançaram toda uma campanha internacional de imprensa, e quiseram bombardear também o nosso povo com essas ideias de que os 75 milhões são decisivos para o futuro da reconstrução da Nicarágua. Isso não é verdade! Todos sabemos que nem 75 milhões, nem 400 milhões, nem mil milhões são determinantes.

"O determinante é o espírito e a decisão de nosso povo"...

Que o determinante é o espírito e a decisão de nosso povo! É a disposição de nosso povo de ser livre por seu próprio esforço; de impor-se uma quota maior de sacrifício para poder ser, por fim, verdadeiramente livre! (palmas).

E nos Estados Unidos, enquanto discutem se emprestam à Nicarágua – porque não estão dando de presente – se à Nicarágua emprestam 75 milhões de dólares, por outro lado aprovam rapidamente o envio ao Paquistão, de 400 milhões de dólares para armas, e que se enviem armas ao exército salvadorenho, e se envie rapidamente ajuda econômica ao governo de El Salvador (grito na plateia: "Assassino!")...

Essa é a realidade das relações de nosso povo, de nosso governo revolucionário com o governo dos Estados Unidos. Enquanto aprovavam continuamente empréstimos atrás de empréstimos a Somoza, enviavam ajuda a Somoza, sabendo que Somoza a roubava para si, por outro lado, põem dificuldades e fazem delongas para um empréstimo a nosso país. Quando a Nicarágua tem todo o direito de reclamar do governo dos Estados Unidos uma indenização histórica pelo dano que fizeram a nosso povo! (aplausos calorosos, gritos).

Solidariedade à guerrilha em El Salvador

Achamos que é preciso também denunciar por onde formos; fazer-nos solidários com o povo de El Salvador, com esse valente Arcebispo que tem El Salvador, que se chama Dom Romero (aplausos), que tem denunciado o perigo de intervenção contra seu país (79).

(79) A solidariedade da revolução socioeconômica e religiosa nicaraguense com a de El Salvador constitui mais uma manifestação da tendência da Revolução Nicaraguense a alastrar-se por toda a América Latina.

Todos sabemos que os setores mais reacionários dos Estados Unidos, os setores militaristas e os setores belicistas estão tratando de aproveitar-se da situação do Afeganistão, da presença de tropas soviéticas no Afeganistão, para justificar qualquer intervenção e agressão contra os povos da América Latina, e em particular contra o povo da Nicarágua (aplausos, gritos).

Queremos dizer-lhes, companheiros, queremos dizer-lhes, irmãos, que o esforço de todos não está sendo em vão. Que a luta dos povos não se detém ainda quando se lhes agride, quando se lhes assassina, quando se lhes aterroriza!

"Não! ao imperialismo ianque"

Pois se na América Latina, há vinte anos, não havia governos dispostos a dizer "não"! ao imperialismo ianque! (palmas).

E que quando, na 17ª reunião de consulta da OEA, os Estados Unidos apresentaram a proposta de que se invadisse a Nicarágua, os representantes dos governos latino-americanos ali na OEA, a maioria dos representantes, se opuseram a tal medida. Essa atitude não era casual. Essa atitude não era produto do ato impulsivo de alguém ou de algumas pessoas por lá. Mas ela era produto da luta constante e permanente dos povos de nosso continente, que têm pressionado pela autodeterminação, por uma atitude anti-imperialista, por uma atitude soberana, por uma atitude revolucionária! (palmas).

Mais uma vez apelo à unidade

Que a unidade seja a meta imediata dos que lutam pela libertação nacional. Que a unidade seja a meta imediata a alcançar, para poder caminhar com pé firme!

Viva o povo do Brasil! Viva o povo do Brasil! Viva o povo do Brasil! (aplausos calorosos, gritos).

O auditório. – Ni-ca-rá-gua! Ni-ca-rá-gua! Ni-ca-rá-gua! Ni-ca-rá-gua! Ni-ca-rá-gua! .. (gritos ritmados).

9 . Frei Betto resume pronunciamento do Comandante Ortega. E endossa

Frei Betto. – A pedido dos companheiros das comunidades da periferia que têm dificuldade de entender algumas expressões em espanhol, a gente vai fazer um resumo da fala do comandante Daniel Ortega.

Eu agradeço o entusiasmo em nome de nossos heróis e mártires que vivem no povo nicaraguense e no coração dos povos da América Latina. Nossa revolução é uma revolução que não podemos isolar da luta dos povos.

Se a revolução foi possível na Nicarágua, é porque os povos da América Latina e do mundo, a apoiaram e sustentaram de modo decisivo. Não somos alheios a estes esforços, nem

(continua)

LEGENDA:
- No grupo dos "teólogos" que assistiam à Noite Sandinista estava presente o Pe. Eduardo Hoornaert, professor do Instituto de Teologia do Recife.



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