Catolicismo - Acervo
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obra Revolução e Contra Revolução de Dr. Plinio, o igualitarismo começou quando a sociedade medieval deixou de ser teocêntrica. O passo seguinte foi a Revolução Francesa (1789), propondo o fim de todas as distinções sociais. Mais tarde adveio o comunismo (1917), propondo o nivelamento econômico e a ditadura do Estado. Finalmente, surgiu o movimento hippie, vanguarda extrema no terreno cultural — anarquista, disposto a combater tudo o que se relacione com ordem, hierarquia, harmonia, beleza e esplendor.

Catolicismo — Seria possível descrever mais pormenorizadamente essa última etapa do processo revolucionário?

Adolpho Lindenberg — A tão celebrada ruptura com o mundo clássico, ocorrida logo após a Primeira Guerra Mundial, através da difusão da arte, da arquitetura e da música modernas, teve por objetivo erradicar todas as formas de beleza, de proporcionalidade, de cognoscibilidade e de elevação que presidiam até então a criação das obras de arte e o modo de as pessoas se vestirem, falarem e se comportarem. A ponta de lança desse flagelo é a Arte Contemporânea, que difunde o nauseabundo, o hermético, o absurdo, o caos.

“As críticas feitas nos dias atuais ao período medieval estão sendo desclassificadas. Historiadores sérios e sociólogos de peso nos apresentam um quadro totalmente diverso”

Catolicismo — Aprendemos nas escolas que a Idade Média foi um “período de trevas” — de estagnação, fanatismo e difamações semelhantes —, enquanto a época histórica que vai do fim da Idade Média até a Revolução Francesa, denominada Ancien Régime, foi um período de snobismo, privilégios e prepotências. Por que o senhor elogia em seu livro essas épocas, afirmando que suas virtudes suplantaram seus vícios?

Adolpho Lindenberg — Essas críticas feitas nos dias atuais ao período medieval estão sendo desclassificadas. Historiadores sérios e sociólogos de peso — muitos deles não católicos e, portanto, insuspeitos — nos apresentam um quadro totalmente diverso. Na Idade Média, a preocupação central não era levar uma vida gostosa, emoliente, mas em direcioná-la para um louvor a Deus. Os hábitos primitivos e pagãos dos bárbaros foram sendo gradativamente substituídos por um teor de vida civilizado, cristão, com certa nota de candura e simplicidade. A figura luminosa de São Luís IX, rei da França, encarna de modo perfeito os ideais dominantes naquele tempo.

Catolicismo — Certos historiadores parciais referem-se a torturas, guerras, perseguição às ciências na Idade Média...

Adolpho Lindenberg — No tocante às ciências, nada houve que se assemelhasse a uma hostilidade; pelo contrário, hoje em dia está provado que o período medieval caracterizou-se por um progresso acentuado em todas as áreas do conhecimento humano. Torturas e guerras houve, embora menos do que na Renascença. E cumpre lembrar que os costumes bárbaros vigentes em épocas anteriores só com o tempo foram eliminados, e pouco a pouco os bárbaros foram sendo civilizados. A prática das virtudes se estabeleceram ao longo das gerações. O reto agir fez com que os homens aprimorassem a própria personalidade, o modo de ser, a aparência, e passassem a apreciar as coisas por sua beleza, classe e sacralidade.

Catolicismo — O senhor cita em sua obra exemplos isolados do quotidiano para demonstrar os avanços do igualitarismo, como o abandono do uso da gravata ou a montagem de uma poltrona ergométrica. O senhor julga que tais exemplos são suficientes para corroborar suas críticas ao mundo moderno?

Adolpho Lindenberg — De fato, eles dizem pouco isoladamente, mas vistos em seu conjunto — talvez fosse o caso de enumerar outros fatos numa segunda edição — comprovam que não são inovações esporádicas, mas fazem parte, ao lado de centenas de outros, de uma inundação que mais cedo ou mais tarde vai cobrir o mundo inteiro, pois se trata de um plano universal. Assim, por exemplo, o abandono da gravata parece algo secundário. Mas se essa ablação for acompanhada por dezenas de outras simplificações — o uso de camisas com punhos arregaçados, de bermudões para homens de forma e cor indefinidas, a moda Kitsch para as mulheres —, ficará demostrado que fazem parte de um plano universal visando rebaixar a aparência humana, tirando-lhe o prumo, a grandeza e o brilho.

Catolicismo — “Plano universal”? O que significa isso?

Adolpho Lindenberg — Para a difusão, num primeiro momento da Arte Moderna e atualmente da Arte Contemporânea, colaboram grandes entidades de caráter mundial, que intentam criar um mundo novo e igualitário, nos antípodas da Cristandade de outrora: a ONU, a União Europeia, fundações como Rockfeller, Ford, Gates e dezenas de outras, bem como universidades dominadas pelo pensamento marxista, grandes grifes orientadoras da moda, revistas e jornais de ponta, e o jet-set internacional.

Catolicismo — Se esse movimento revolucionário nivelador possui essa força, que procedimento o senhor recomendaria aos nossos leitores?

Adolpho Lindenberg — De início, um esforço pedagógico: eliminemos de nós mesmos as condescendências com esse mundo novo extravagante, bem como essa arte hermética e absurda que nos está sendo imposta. Num segundo momento, procuremos alertar nossos amigos e conhecidos para que vejam com isenção de ânimo o quanto é incongruente e de baixo nível as obras apresentadas nos museus e exposições de vanguarda. Um só exemplo: Duchamp, o criador da arte contemporânea, apresentou um mictório como peça artística central de uma de suas amostras. E a mídia revolucionária se encarregou de propagar uma extravagância como essa.

Legendas: - O hippismo em Woodstock (1969)

Duchamp, o criador da arte contemporânea, apresentou um mictório como peça artística central de uma de suas amostras. E a mídia revolucionária se encarregou de propagar uma extravagância como essa.



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