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EXCERTOS

Nóbrega, 500 anos depois

Plinio Corrêa de Oliveira

Em seu processo civilizatório, o Brasil muito deve ao monumental esforço do Padre Nóbrega, que juntamente com o Padre Anchieta e outros heroicos missionários catequizaram, civilizaram e salvaram nossos indígenas, libertando-os de seus costumes tribais que incluíam práticas de bruxaria, canibalismo etc.

Hoje, entretanto, uma nova corrente de missionários indigenistas procura relegar e silenciar a memória desses gigantes da fé, e até mesmo desprezar sua fantástica epopeia.

Ao mesmo tempo, desejosos de deitar por terra o nosso passado glorioso, esses neomissionários esquerdistas agitam o País com arengas favoráveis ao primitivismo dos indígenas, promovendo, por exemplo, a demarcação de suas terras para que nelas vivam como num zoológico, distantes e sem o bafejo da civilização, inflamando-os contra os brancos, provocando uma fraticida luta de raças e de classes.

Em memória do V centenário do nascimento do grande Padre Manuel da Nóbrega, segue uma análise de Plinio Corrêa de Oliveira, extraída de sua obra Tribalismo Indígena, ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, publicada em 1977.

*

"Quomodo obscuratum est aurum! Como chegou a tornar-se escuro o ouro! — exclama o profeta Jeremias (Lm. 4, 1).

Desde Nóbrega e Anchieta, a luminosa atuação dos missionários em nosso País consistiu em evangelizar, educar, civilizar nossos irmãos silvícolas.

Mas o ouro inestimável, ao qual a ação missionária tradicional pode ser comparada, obscureceu-se.

Em nossos dias, uma poderosa corrente missionária, influenciada pelo progressismo cada vez mais difundido em nossos meios eclesiásticos, visa precisamente o contrário: proclama o estado dos silvícolas como a própria perfeição da vida humana, opõe-se à integração do silvícola na civilização, afirma o caráter secundário — quando não a inutilidade — da catequese, e não poupa críticas à ação dos grandes missionários de outrora, nem mesmo a de Nóbrega e Anchieta, os quais o Brasil todo venera.

Do fundo de nossas selvas, esses neomissionários lançam apelos em prol da luta de classes, que desejam ver corroendo, até às entranhas, o Brasil civilizado.

O estudo do pensamento dessa corrente neomissiológica é indispensável para quem queira conhecer a grande crise da Igreja no Brasil. E compreender de que maneira essa crise tende a contagiar o País, transformando-se, de crise da Igreja, em crise do Brasil".

Legenda: - O Padre Manuel da Nóbrega, qualificado a muito justo título de "Primeiro Apóstolo do Brasil", nasceu em 18 de outubro de 1517 — exatamente há cinco séculos — em Sanfins do Douro, Província de Trás-os-Montes (Portugal), e faleceu no Rio de Janeiro em 18 de outubro de 1570, dia em que completava 53 anos.


SUMÁRIO

2 EXCERTOS

4 CARTA DO DIRETOR

5 FÁTIMA
"Milagre do Sol": 100 anos do apocalíptico sinal

10 CORRESPONDÊNCIA

12 A PALAVRA DO SACERDOTE

16 A REALIDADE CONCISAMENTE

18 DESTAQUE
Clérigos e acadêmicos: "correção filial" ao Papa

20 ENTREVISTA
Cardeal Zen critica a aproximação com a China

26 CAPA
Aparecida: 300 anos de uma chuva de graças

39 VIDAS DE SANTOS
São Francisco de Assis

44 DISCERNINDO
Interpretando o fracasso da democracia

46 SANTOS E FESTAS DO MÊS

48 AÇÃO CONTRA-REVOLUCIONÁRIA

52 AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES
Henrique VIII: orgulho, sensualidade e tirania



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