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PALAVRA DO SACERDOTE

Monsenhor José Luiz Villac

Pergunta — Segundo o Apocalipse 7,15, os santos prestam culto a Deus dia e noite, sendo-lhes portanto impossível manifestar-se em espírito neste mundo. Valendo-se disso, o diabo pode nos enganar, tomando a aparência e a forma de algum deles (2 Cor 11,14). Como dar crédito às aparições marianas ocorridas em diversas partes do planeta?

Resposta — A pergunta de nosso missivista faz parte do arsenal de pequenas objeções que os círculos protestantes costumam levantar a respeito da devoção a Nossa Senhora e aos santos, bem como de alguns aspectos do culto da Igreja Católica.

Em princípio, bastaria responder que a mesma objeção valeria, e com mais força ainda, para questionar as aparições angélicas. Entretanto, sabemos pela Bíblia que os anjos apareceram várias vezes a personagens do Antigo Testamento, a Nosso Senhor, a Nossa Senhora e aos Apóstolos.

Por sua duração, o episódio mais notável foi a contínua proteção que sob a figura de um homem o arcanjo Rafael deu a Tobias durante uma longa viagem. Ao quererem, ele e seu pai, em agradecimento pela proteção, dar ao misterioso benfeitor a metade dos bens que tinham ido buscar, este lhes respondeu: "Eu sou o anjo Rafael, um dos sete que assistimos diante do Senhor [...] Quando eu estava convosco, eu o estava por vontade de Deus: rendei-lhe graças, pois, com cânticos de louvor. [...] É chegado o tempo de voltar para aquele que me enviou: vós, porém, bendizei a Deus e publicai todas as suas maravilhas. Acabando de dizer estas palavras, desapareceu diante deles, e eles não viram mais nada" (Tb 12, 15-21).

Nada impede, portanto, àqueles que "assistem diante do Senhor", ou seja, que Lhe prestam culto dia e noite, de serem enviados por Ele em missão à Terra por um determinado tempo.

Isso dito, convém agora aprofundar, para benefício espiritual de nossos leitores, a questão teológica das visões e aparições.

Fenômenos místicos de visão intelectual

Apesar de alguns autores místicos e a linguagem comum empregarem os termos visões e aparições como sinônimos, é mais exato reservar aparição para as manifestações externas, porque uma visão pode ser tanto externa quanto interna.

Com efeito, desde Santo Agostinho (De Gen. at litt., 1, XII, c. VII, n. 16), os especialistas da teologia mística dividem as visões em intelectuais, imaginativas e corpóreas.

Nas visões sobrenaturais puramente intelectuais o objeto da visão é percebido sem nenhuma imagem sensível, visto que ele sobrepuja de muito as capacidades naturais do entendimento humano, tais como a natureza íntima de Deus e da Santíssima Trindade, a certeza do estado de graça ou a essência da alma. "Não se vê nada nem interiormente, nem exteriormente", escreve Santa Teresa d'Ávila, "mas a alma, sem ver nada, concebe o objeto e sente de que lado está mais claramente do que se o visse, mesmo que nada em particular se apresente a ela. É como se, na escuridão, a gente sentisse alguém perto de si" (Primeira carta ao Pe. Rodrigo Álvarez). Acima de certo grau de elevação ou de profundidade, a visão se torna inefável, inexprimível em linguagem humana. São Paulo, arrebatado ao terceiro céu, "ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir" (1 Cor 12, 4). Nos fenômenos místicos de visão intelectual, a intervenção de Deus é reconhecível pelos seus efeitos: iluminação persistente da fé, caridade divina, paz na alma, enlevo pelas coisas de Deus, frutos constantes de santidade.

Visões imaginativas e visões corpóreas

Nas visões imaginativas o objeto da visão é representado na imaginação do favorecido sem a ajuda do órgão visual. Elas podem ser naturais (e até doentias, no caso das alucinações), mas também preternaturais ou sobrenaturais. Nesse caso, um agente superior ao homem (Deus, anjo ou demônio) intervém diretamente sobre a imaginação ou sobre a parte do sistema nervoso que move a imaginação.

(continua)

Legendas:
- Tobias e o Anjo (Giovanni Girolamo Savoldo, séc. XVI. Galleria Borghese, Roma).
- Desde Santo Agostinho, os especialistas da teologia mística dividem as visões em intelectuais, imaginativas e corpóreas.
- O demônio tem-se mostrado amiúde sob uma forma sensível aos homens. São célebres as lutas que Santo Antônio, pai do monaquismo, teve que travar contra cenas lúbricas que o demônio lhe fazia ver. (A tentação de Santo Antônio – David Teniers, "O Jovem", séc. XVII. Palais des Beaux-Arts de Lille, França).



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