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(continuação)

Fazem parte de visões imaginativas sobrenaturais as manifestações simbólicas ou proféticas como, por exemplo, a escada de Jacó (Gn 28, 12-15), os sonhos de José que despertaram a inveja de seus irmãos (Gn 37, 5-11), os sonhos do Faraó (Gn 41, 1-7) e os de Nabucodonosor e Daniel (Dan 2, 31-45). A prova de que essas visões provêm de Deus é, além de sua vivacidade, a luz intelectual e as graças de santidade que as acompanham, bem como o fato de que o beneficiário é incapaz de precisar os elementos da visão.

Nas visões corpóreas uma imagem exterior realmente presente impacta a retina do vidente e provoca nele o fenômeno físico da visão (trata-se então de uma verdadeira aparição), ou então um agente superior (Deus, anjo ou demônio) modifica diretamente o órgão visual do homem e produz a sensação equivalente à que produziria um objeto exterior. O primeiro modo é o habitual. Por exemplo, Santa Catarina Labouré conversou com Nossa Senhora apoiada em seu regaço. E quando Ela aparecia aos pastorinhos de Fátima, até os assistentes viam o topo da azinheira se inclinar. O segundo modo de presença é o dos puros espíritos ou dos mortos ainda não ressuscitados.

Não estranhem os leitores que entre os agentes superiores capazes de provocar visões mencionemos os demônios. Desde que o inimigo do gênero humano tomou a figura da serpente para tentar nossos primeiros pais no Paraíso, o demônio tem-se mostrado amiúde sob uma forma sensível aos homens. São célebres as lutas que Santo Antônio, pai do monaquismo, teve que travar contra cenas lúbricas que o demônio lhe fazia ver, bem como os assaltos do Maligno contra o Santo Cura d'Ars.

Necessária cautela diante de certas aparições

Do ponto de vista da fé, é preciso fazer uma distinção entre as aparições bíblicas e aquelas não bíblicas. As aparições de Deus, de Nosso Senhor depois da Ressurreição, dos anjos, dos mortos, narradas nas Sagradas Escrituras, impõem-se evidentemente à nossa crença como artigos de fé, quando o sentido do texto sagrado é claro e indubitável.

Nas aparições não bíblicas — ou seja, as conhecidas como "revelações privadas", como o são as aparições marianas que constituem o objeto da pergunta do missivista —, elas não se impõem à nossa fé, por estarem fora dos limites da Revelação pública e porque a respeito delas a Igreja jamais formula um julgamento definitivo e infalível, obrigando os fiéis a lhes dar um assentimento absoluto. Ela apenas indica que os católicos podem considerar tais revelações privadas como autênticas. De maneira que os fiéis, sem caírem na atitude naturalista de negar sistematicamente sua veracidade, conservam o direito de examinar as provas de autenticidade que elas apresentam, segundo as regras da prudência e da ciência histórica.

As aparições sobrenaturais não são inúteis ou supérfluas. Elas têm, nos desígnios de Deus, um fim digno de sua sabedoria e poder, como se vê especialmente nas aparições bíblicas que, juntamente com os milagres, confirmaram a veracidade da Revelação divina. As revelações privadas justificam-se de modo suficiente pelo fato de Deus ser absoluto Senhor e Juiz das vias pelas quais Ele deseja conduzir as almas à verdade e atraí-las a Si, assim como testemunhar a veracidade da religião revelada, ou seja, da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

É por isso, aliás, que o demônio, Pai da mentira, transforma-se por vezes em anjo de luz para seduzir as almas, como alertou São Paulo (2 Cor 11, 14). Razão pela qual um católico fiel deve ser cauto diante dos fenômenos extraordinários, dando a eles sua adesão somente após a Igreja Católica ter-se pronunciado sobre a autenticidade de seu caráter sobrenatural.

Fátima, uma das maiores aparições da História

Cabe, por fim, insistir no fato de que os defuntos só se manifestam aos vivos muito raramente e apenas com uma permissão especial de Deus. Pelo que constitui pecado grave contra o Primeiro Mandamento e grande temeridade procurar entrar em contato com eles em sessões espíritas ou, pior ainda, nelas servindo de medium. Quando não são meras imposturas, quem se manifesta em tais sessões só pode ser o espírito maligno.

Essa advertência se torna imperiosa numa sociedade que perdeu a Fé verdadeira e que, para suprir as suas necessidades espirituais, procura um sucedâneo no esoterismo e no ocultismo. Quando a verdadeira solução está em se converter, fazer penitência e "olhar para o Céu", como Lúcia, a mais velha dos pastorinhos de Fátima, indicou à multidão antes do "milagre do sol" presenciado por mais de 70 mil pessoas.

Foi o modo extraordinário de Deus patentear, 100 anos atrás, a veracidade da maior aparição do século XX e provavelmente uma das maiores da História.

Legendas:
- Santa Catarina Labouré conversou com Nossa Senhora apoiada em seu regaço.
- São Paulo alertou que o demônio, Pai da mentira, transforma-se por vezes em anjo de luz para seduzir as almas (2 Cor 11, 14).



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