Catolicismo - Acervo
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(continuação)

Episcopal trabalhando juntas. Mas quem a preside? Quem convoca a reunião? O governo! Eles nem sequer procuram ocultar a realidade. Nós podemos ver as fotos. O Sr. Wang Zuoan, chefe da Secretaria de Assuntos Religiosos, está presidindo sorridente a reunião, enquanto o presidente da Conferência Episcopal — um bispo da Associação Patriótica — e os demais bispos estão simplesmente sentados lá, ouvindo. Portanto, tudo é decidido pelo governo. Lembre-se: sempre que eles dizem Conferência Episcopal é o governo comunista. O governo controla a eleição através da Conferência Episcopal, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo.

"Conferência Episcopal é o governo comunista. O governo controla a eleição através da Conferência, e ele próprio apresenta os nomes. Toda a iniciativa provém, portanto, do governo".

Alguém dirá: "O Papa diz a última palavra". Que última palavra é essa? "Ora, ele pode aprovar, pode vetar". Bem, ele pode vetar. Mas quantas vezes? Eles apresentam todos os nomes, o Papa não pode dizer: "Não, não, não". É muito difícil para ele, é muita pressão sobre ele. Então, eu concluo: em certo momento ele pode ser forçado a dizer "sim". "Oh, ele tem a última palavra!". Não é suficiente. Portanto, penso que é um acordo muito errado. Precisamente porque não há Conferência Episcopal. Como pode a iniciativa de escolher bispos ser dada a um governo ateu? Incrível! Incrível! Incrível!

Alguém poderá dizer: "Ora, na História, durante muito tempo, o poder de indicar bispos foi dado aos reis, ao imperador". Mas pelo menos eles eram reis cristãos, imperadores cristãos, enquanto estes são ateus, comunistas. Eles querem destruir a Igreja. Ou, ao menos, se não podem destruir, querem enfraquecer a Igreja. Então é incrível, não se pode aceitar esse acordo.

Catolicismo — Mas a recusa do diálogo "nos coloca fora da Igreja"? É o que dizem os comunistas.

Cardeal Zen — O diálogo é necessário, é importante. Mas deve haver princípios. Estes não podem ser negados para se obter um bom diálogo. Por ocasião do Asia News Day, na Coreia, o Papa Francisco celebrou uma missa para todos os bispos asiáticos. Ele falou sobre o diálogo. E disse duas coisas. Primeira: no diálogo, deve-se ser fiel à própria identidade, deve-se ser coerente com a sua própria identidade; não se pode negar a própria identidade apenas para agradar o outro lado. Se nós somos católicos, somos católicos! Segunda: deve-se também abrir o coração para ouvir. Portanto, deve-se dialogar, mas não se pode dizer: nós devemos absolutamente tirar conclusão. Por quê? Porque não depende de você. Depende também do outro lado. Se este não concorda com algo razoável, você não pode concluir. Não depende de você. Se a outra parte deseja que você se torne escravo, você não pode dizer "ok". Não pode. E aqueles que vão negociar devem saber disso. A autoridade do Papa é dada ao Papa. Ela não é dada a um homem particular, senhor fulano de tal. É dada ao Papa. Não é um atributo pessoal dele. Ele não pode vendê-la. Ele não pode, por sua própria generosidade, renunciar àquela autoridade.

Às vezes, no final do diálogo, podemos dizer: "Desculpem, nós não podemos concluir. Portanto, adeus! Da próxima vez, quando vocês tiverem alguma coisa nova para dizer, voltaremos".

Catolicismo — A China está querendo aproximar-se do Vaticano para mostrar às nações ocidentais que ela é um país aberto?

Cardeal Zen — Durante essas negociações eles [os comunistas chineses] não estão demonstrando nenhuma cordialidade, não estão dando nenhum sinal de boa vontade. Estão fazendo coisas incríveis. Portanto, não estão demonstrando abertura. Apenas mostram que querem controlar mais. Querem mostrar que são os chefes.

Por exemplo, aqueles bispos chineses ilegítimos, excomungados, os comunistas querem que o Vaticano os perdoe. Mas eles estão fazendo coisas terríveis contra a disciplina da Igreja. São ilegítimos, são excomungados e ousam ordenar sacerdotes! Isso aconteceu ainda muito recentemente. Incrível! Incrível! Reúne-se a cada cinco anos uma organização chamada Assembleia dos Representantes dos Católicos Chineses, o seu mais alto corpo, a mais clara manifestação da natureza cismática daquela igreja. Trezentos e tantos representantes — os bispos são apenas como todos os outros —, eles realizam eleições etc. Agora, na última vez, seis ou sete anos atrás, nós dissemos à Comissão Pontifícia para a Igreja na China: "Não!". Dissemos aos bispos para não irem. No final eles foram [o cardeal demonstra profundo desagrado], porque o Prefeito da Congregação para a Evangelização afirmou: "Oh, os senhores estão sob pressão, nós entendemos...". Ah, está bem. Mas dessa vez o Vaticano diz: "Sabemos o que é isso, mas não fazemos julgamento agora. Nós observamos, nós refletimos, nós julgaremos".

O que quer dizer isso? — Deixe-os fazer a reunião e depois você julga? Mas aquilo é uma manobra cismática. "Agora eles estão negociando, estão se tornando amigos, o senhor não vê isso?" Incrível! Como se pode permitir a realização desse tipo de reunião? E então, examinando-se agora a reunião, eles mudaram? Não! Estão exatamente como antes: "Nós queremos uma Igreja independente". Portanto, não estão absolutamente demonstrando nenhuma boa vontade.

"Nossa Senhora de Fátima é anticomunista. Porque disse que o comunismo cairia na Rússia. Então, se você tentar ir à China comunista levando uma imagem d´Ela, não pode!"

Catolicismo — É verdade que os comunistas temem Nossa Senhora de Fátima na China?

Cardeal Zen — É muito curioso, porque eles costumam dizer: "Nossa Senhora, ok. Mas não Nossa Senhora de Fátima". Por quê? Porque Nossa Senhora de Fátima é anticomunista. Porque disse que o comunismo cairia na Rússia. Então, se você tentar ir à China levando uma imagem de Nossa Senhora, talvez não haja problema, mas se levar Nossa Senhora de Fátima, não pode! Isso é muito curioso, porque só há uma Nossa Senhora. Certa vez, no fim de uma reunião, contei isso ao Papa Bento e lhe disse: "Mas eles não conhecem Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos, que é ainda mais terrível, porque Ela foi à guerra". A origem da invocação Auxílio dos Cristãos provém da Batalha de Lepanto [1571] e do Cerco de Viena [1683]. Portanto, a Guerreira [o cardeal esboça um comprazido sorriso] Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos! Então, penso que eles cometem muitos equívocos a respeito de Nossa Senhora.

(continua)

Legendas:

- Yu Zhengsheng, membro do Comitê Permanente do Bureau Político do Comitê Central do PCC, reuniu-se com a Associação Patriótica Católica Chinesa, com o novo líder da Conferência Episcopal Chinesa e o representante do IX Congresso Nacional da Igreja Católica Chinesa.

- É proibido entrar na China com imagens de Nossa Senhora de Fátima, pois Ela é anticomunista...



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